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PopulAção em Foco

As Raizes Da Bahia

Por razões histórico-sociais, os negros têm sido discriminados e, em conseqüência, deixam de ter igualdade de oportunidades como os outros cidadãos. Muitas vezes, sentem-se inferiorizados e em muitos casos negam a sua identidade cultural.

Para debater essas e outras questões relacionadas aos negros, Salvador, no mês de julho, tornou-se o centro mundial de discussão da cultura do negro, cujo objetivo geral foi de fomentar a elevação da auto-estima e a expansão da identidade cultural da população negra.
Existe o mito de que no Brasil os diferentes grupos raciais vivem em harmonia e igualdade de oportunidades, havendo assim, uma democracia racial. Esse mito é combatido por vários intelectuais e, em especial, pelo movimento negro, tendo em vista a situação desprivilegiada das pessoas negras na sociedade brasileira.

Afro-brasileiros buscam cada vez mais a afirmação de sua identidade. A busca por referenciais próprios da descendência africana é cada vez maior. Nesse sentido, a ascensão de pessoas negras no mundo intelectual, bem como nas artes cênicas e na música tem sido de grande importância para a formação da consciência e da identidade negras. Mas, ainda há muito a ser trabalhado nesse sentido.

II Laboratório de Folclore

Grupo PIN no I Laboratório de Folclore, em 2005
No Teatro do ICEIA

Chega à segunda edição o Laboratório de Folclore da PopulAção. A programação inicia dia 24, às 19h, no Ponto de Cultura Teatro Solar Boa Vista, Engenho Velho de Brotas, com a Palestra: “A cozinha popular da Bahia: do Recôncavo ao Sertão” com o professor Ericivaldo Veiga, Doutor em Ciências Sociais, professor de Sociologia da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e Diretor do Centro de Estudos do Recôncavo-UEFS. Em seguida haverá a apresentação da Cia. de Dança Rumpilé do Engenho, apresentando o melhor do Samba de Roda e das tradições populares.

Dia 26, no bairro do Alto do Cabrito, a partir das 16h tem o Arrastão Cultural. Um cortejo que reune dezenas de grupos culturais do Subúrbio Ferroviário há mais de cinco anos, numa manifestação itinerante pelo fortalecimento da cultura popular e das manifestações de rua. Quem comanda o Arrastão é o Grupo de Teatro e Percussão É ao Quadrado, que sai da escola Padre Noberto, até o final de linha do bairro, na praça da Mangueira. Também haverá participação da Cia. de Dança Rumpilé do Engenho e do Instituto Oyá.

II Intercâmbio da Dança

Concentração dos Grupos
Foto: Claudio Ferreira

Performance, beleza e muita diversão fizeram parte da maratona de atividades que movimentaram o II Intercâmbio de Dança do Projeto PopulAção Cultural, evento que possibilitou a integração de todos os grupos de dança do Projeto. O encontro aconteceu dia 29 de julho na Sala de Ensaios do BTCA, no Teatro Castro Alves. Foi um dia que aproximou renomados profissionais da dança com os grupos do PopulAção Cultural. Os trabalhos iniciaram com um aquecimento comandado pelo professor Firmino Pitanga.

Na seqüência quem liderou foi o primeiro convidado, o bailarino americano, Clyde Morgan, que mostrou toda irreverência de quem realmente conhece música e, principalmente dança. Morgan, sorridente e empolgado, fez uma pequena apresentação das habilidades que possui para comunicação através do corpo. Todos ainda tiveram a oportunidade de ensaiar a Coreografia Baú, criada por Clyde para o teatro e caminhadas populares. Outra presença marcante foi da Gicá, Cia. de Dança do Projeto Axé que fez uma aula performática ser-vindo de modelo no processo de profissionalização da dança.

Ao final das atividades práticas, a coreógrafa e coordenadora pedagógica da Usina de Dança do Projeto Axé, Lia Robatto, debateu a importância dos princípios artísticos e pedagógicos da profissionalização da dança, chamando a atenção para a heterogeneidade e a beleza dos grupos, apesar de muitos se envolverem com a dança há pouco tempo. Lia Robatto também destacou que “este aqui é um espaço democrático. É uma oportunidade das pessoas mostrarem seus trabalhos”, e aconselhou: “sejam caras de pau, dedicados, se empenhem, façam dança mesmo”, e acrescentou: “Eu acredito no Projeto”.

Teatro por um mundo melhor

Lois Holzman (esquerda) e sua assistente Joyce Pattner
Foto: Arquivo Astec

Debater como as pessoas estão colaborando para um mundo novo, foi o tema do encontro promovido pela Uneb em parceria com o PopulAção Cultural para estudantes e profissionais das artes cênicas que aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de julho, no Espaço Xisto Bahia, com a participação da psicóloga performática, Lois Holzman, coordenadora do Instituto da Costa Leste para psicologia de Curta Duração, de New York, Esta-dos Unidos, além da supervisora de teatro, Elisa Mendes, o coordenador de oficinas, Antônio Marques, os professores Vitório Emmanuel e Andréa Elia e alunos do projeto.

De acordo com a pesquisadora, os modelos de gestão para revitalização do espírito comunitário são falhos. Por conta disso, através das artes cênicas, ela propõe novas estratégias que não rotulem, discriminem ou isolem uma pessoa da outra e sim, que haja formas de inclusão e participação de todos para uma atuação criativa no desenvolvimento de planos que contribuam com os países de economia fragilizada e instável, geralmente, devastados pela pobreza, opressão, guerra, golpes de Estado e assolados por desastres naturais ou pelo impacto psicológico.

 

 

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