FUNDAÇÃO
CULTURAL DO ESTADO DA BAHIA
Complexo Audiovisual
dos Barris
- Sala Alexandre Robatto
De 1 a 8 de fevereiro
serão exibidos clássicos
nacionais da década de 20 a 60.
As sessões são sempre às14h,
16h, 18h
e 20h.
O Brasil possui uma das
maiores cinematografias mundiais, por isso
a Sala Alexandre Robatto selecionou oito
dos mais importantes filmes nacionais do
início da indústria cinematográfica
no Brasil até a década de
60, para que estes clássicos não
sejam esquecidos nem afastados do público.
Dia
1 – Braza Dormida
(1928), de Humberto Mauro. Conta a história
de Luiz Soares que abandona seus estudos
para trabalhar numa usina do interior do
Rio de Janeiro. Lá, apaixona-se por
Anita, filha do patrão, que só
descobre o romance através de cartas
anônimas enviadas por um ex-funcionário,
Pedro Bento, no qual disputam pelo amor
de Anita.
1928, 120 minutos. Drama
Direção: Humberto Mauro
Elenco: Nita Ney, Luiz Soroa, Máximo
Serrano, Fantol, Rosendo Franco, Cortes
Real.
Dia 2
– Limite (1931), de Mário
Peixoto. Elogiadíssimo pelas platéias
de Nova York, Berlim e Veneza por sua técnica
e plasticidade, fala de três náufragos
perdidos no oceano atlântico, contando
suas vidas.
1931, 120 minutos. Drama
Direção: Mario Peixoto
Elenco: Olga Breno, Taciana Rei, Raul Schonoor,
Mario Peixoto, Edgar Brazil.
Dia
3 – Rio 40 Graus
(1955), de Nelson Pereira dos Santos. Mostra
a rotina de cinco meninos de uma favela
do Rio de Janeiro, em um típico domingo
de sol. Os cinco meninos são vendedores
ambulantes de amendoim em Copacabana, Pão
de Açúcar e estádios
de futebol.
1955, 90 minutos. Documentário
Direção: Nelson Pereira dos
Santos
Dia
4 – Assalto ao
Trem Pagador (1962), de Roberto Farias.
Baseado em um dos maiores assaltos ocorridos
no Brasil, narra com realismo e objetividade
a prisão da gangue liderada pelo
bandido João Mednho que tramou o
roubo ao Trem Pagador da Central do Brasil,
no Rio de Janeiro, em 1960. Armados com
revólveres e metralhadoras, explodiram
os trilhos com dinamite e levaram, na época,
27 milhões cruzeiros e mataram um
homem. Representou o país no festival
de Veneza, em 62.
1962, 89 minutos. Drama
Direção: Roberto Farias
Elenco: Reginaldo Faria, Eliezer Gomes,
Grande Otelo, Jorge Dória, Luiza
Maranhão.
Dia
5 – Terra em Transe
(1967), de Glauber Rocha. Fala de um senador
chamado Porfírio Dias que odeia o
seu povo e pretende coroar-se imperador
de um país fictício chamado
Eldorado, e assim, impor todas as suas vontades.
Ele não contava com a força
de outros homens que lutam contra esse poder.
1967, 115 minutos.
Direção: Glauber Rocha
Elenco: Jardel Filho, José Lewgoy,
Glauce Rocha, Paulo Autran.
Dia
6 – Todas as Mulheres
do Mundo (1968), de Domingos Oliveira.
Envolvente comédia que relata a história
de Paulo, um bom vivant que vive paquerando
as mulheres da Zona Sul Carioca. Sem esperar,
este jovem sedutor encontra o amor ao cruzar
com a linda professora, Maria Alice, que
ao vê-la pela primeira vez se apaixona
e faz tudo para conquista-la. Através
de flash backs, Paulo conta sua história
ao seu amigo Edu. Aborda ainda conflitos
existentes na década de 60 entre
velhos e novos papéis sociais femininos
e masculinos. Ganhador do Prêmio Air
France de 1967. Com Paulo José, Leila
Diniz e Flávio Migliaccio.
1968, 86 minutos. Comédia.
Direção: Domingos Oliveira
Dia
7 – O Bandido
da Luz Vermelha (1968), de Rogério
Sganzerla. Discute as técnicas extravagantes
utilizadas por um misterioso assaltante
para roubar casas luxuosas de São
Paulo. Apelidado pela imprensa de O Bandido
da Luz Vermelha, por estar sempre com uma
lanterna vermelha, o mesmo sempre tem longas
conversas com suas vítimas. Debochado
e cínico é um dos marcos do
cinema nacional.
1968, 92 minutos. Comédia.
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Paulo Vilaça, Helena Ignez,
Sônia Braga.
Dia
8 – Macunaíma
(1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Macunaíma
é um herói preguiçoso,
safado e sem nenhum caráter. Nasceu
na selva e de preto, virou branco. Quando
de adulto, deixou o sertão em acompanhado
dos irmãos. Têm várias
aventuras na cidade, conhecendo e amando
guerrilheiras e prostitutas, enfrentando
vilões milionários, policiais
e personagens de todos os matizes. Depois
dessa longa e tumultuada aventura urbana
ele volta à selva, onde desaparecerá
como viveu, antropofagicamente.
1969, 108 minutos. Comédia
Direção: Joaquim Pedro de
Andrade
Elenco: Grande Otelo, Paulo José,
Dina Sfat
Entre os dias 8 e 14 serão
exibidos Histórias
de Samba e Carnaval
As sessões são sempre às14h,
16h, 18h
e 20h.
O cinema brasileiro mantém
uma relação antiga com a mais
importante manifestação popular
do país, o carnaval. A Voz do Carnaval,
de 1933, ganha destaque por ser o primeiro
filme do país com sonoras. Era o
registro de cenas do carnaval paulista e
carioca. Alcançou sucesso imediato.
Ainda na mesma década, Alô
Alô Carnaval, de 1936, é um
marco para o cinema brasileiro, por ser
o sucesso dos anos 30, pois trazia ao maiores
cantores da época, como Carmen Miranda,
sucesso nos EUA, por representar um país
do eterno carnaval que segue fazendo sucesso
no cinema ainda na década de 40,
inclusive nas chanchadas protagonizadas
por Oscarito e Grande Otelo. A partir do
Cinema novo, as produções
brasileiras de diversificam e, ao mesmo
tempo, distanciam-se do carnaval.
Dia
8 – Carnaval Atlântida
(1952), de José Carlos Burle. Xenofontes,
um sisudo professor de mitologia grega é
contratado por um produtor como consultor
da adaptação do clássico
Helena de Tróia para o cinema. Mas
dois empregados do estúdio sonham
em transformar o épico grego numa
comédia carnavalesca.
1952, 95 minutos. Chanchada.
Direção: José Carlos
Burle
Elenco: Oscarito e Grande Otelo
Dia
9 – Rio Zona Norte
(1957), de Nelson Pereira dos Santos. Interessante
e delicado retrato da vida de um artista
popular carioca, a produção
parte de uma série de memórias
do personagem vivido por grande Otelo, um
talentoso e humilde compositor de sambas
de salão que vive na periferia do
Rio de Janeiro. O filme mostra a banalidade
da violência e a fragilidade de uma
vida na periferia carioca. A morte de Dorival
não é nada para o cotidiano
sofrido daquela favela, é apenas
mais uma morte e seu significado está
diluído em meio a todos os problemas
enfrentados, diariamente, por aquelas pessoas.
Tem como tema o povo das classes humildes
carioca.
1957, 82 minutos. Drama.
Direção: Nelson Pereira dos
Santos.
Dia
10 – Orfeu Negro
(1959), de Marcel Camus. Clássica
versão da peça Orfeu da Conceição,
de Vinícius de Moraes, foi extraída
de lenda grega de Orfeu. Orfeu Negro tem
sua história ambientada no Rio de
Janeiro durante o carnaval. Relata a trágica
história de amor entre o condutor
do bonde Orfeu e a jovem Eurídice.
Premiado com a palma de Ouro em Cannes,
Oscar e Globo de Ouro de Melhor Produção
Estrangeira. Tem musicalização
de Tom Jobim e Luiz Bonfá.
1959, 103 minutos. Romance
Direção: Marcel Camus
Elenco: Breno Mello, Marpessa Dawn, Léa
Garcia, Jorge dos Santos, Marcel Camus.
Dia
11 – A Grande
Cidade (1965), de Carlos Diegues. Trata-se
de uma premiadíssima abordagem que
discute a luta de nordestinos pobres nas
grandes cidades do sudeste brasileiro. Em
destaque a busca por uma vida melhor e a
dissolução desses sonhos pela
realidade encontrada.
1966, 83 minutos.
Direção: Carlos Diegues
Elenco: Anecy Rocha, Antônio Pitanga,
Joel Barcelos, Leonardo Villar, Maria Lúcia
Dahl.
Dia
12 – Amor, carnaval
e sonhos (1972), de Paulo César
Saraceni. Conta de forma criativa e inusitada
um romance entre um fotógrafo e uma
sambista em pleno carnaval carioca, considerado
o melhor do mundo. Exibe uma das mais belas
cenas de sexo do cinema brasileiro.
1972, 77 minutos.
Direção: Paulo César
Saraceni
Elenco: Arduíno Colasanti, Ana Maria
Miranda, Leila Diniz, Hugo Carvana, Paulo
César Saraceni.
Dia
13 – Três
Histórias da Bahia (2001), de
Sérgio Machado, José Araripe
Jr. e Edyala Yglesias. Na Bahia tudo acaba
em Carnaval. É exatamente isso que
acontece nas três histórias,
que se dão em épocas distintas,
mas que nem por isso deixam de seguir a
mesma fatal cronologia. Três viagens
aos subterrâneos da Bahia, intitulados
"Agora é Cinza", "O
Pai do Rock" e "Diário
de um Convento". Com Sérgio
Mamberti, Othon Bastos e Ingra Liberato.
2001, 96 minutos
Direção: Sérgio Machado,
José Araripe Jr. e Edyala Yglesias.
Dia
14 – Samba Riachão
(2001), de Jorge Alfredo. O pano de fundo
é a trajetória de Clementino
Rodrigues, o popular sambista baiano, Riachão,
de 80 anos, onde é apontada a importância
do samba para o povo do Brasil. O filme
conta através de uma crônica
musical de Salvador os casos do sambista
que viveu várias transformações
no mercado da chamada música popular
e dos meios de comunicação
durante o século XX.
2001, 86 minutos. Documentário.
Direção: Jorge Alfredo
Do dia 22 a 28
de fevereiro haverá a Mostra
Zé do Caixão.
Sessões sempre às 14, 16,
18 e 20 horas.
Zé do Caixão
é o nome do personagem mais famoso
de José Mojica Marins, considerado
um dos mais importantes cineastas brasileiros.
Inicialmente desprezado pela critica, ganhou
reconhecimento após ser reverenciado
fora do Brasil com seu personagem Coffin
Joe, na década de 90. Com mais de
38 longas, Mojica não é apenas
um mestre do cine-terror, mas um extremo
poeta em profundidade. À meia-noite
Levarei sua Alma, de 63, é o seu
clássico.
Dia
22 e 28 – À
Meia-noite Levarei Sua Alma (1963).
Parodiando o escritor Lúcio Cardoso,
Zé do Caixão não é
um homem, é uma atmosfera. Por onde
passa espalha desgraça, covardia
e pusilanimidade. Contrariando a ordem da
Igreja, come carne de carneiro na sexta-feira
santa. Toma dinheiro dos matutos da aldeia
e quando um corajoso nega pagamento, decepa-lhe
os dedos. Zé também é
agente funerário e nas horas vagas,
sonha em ter um filho que perpetue seu sangue.
A esposa não engravida. A mulher
que não pode ter filhos não
precisa de cuidados, em seguida, ele a mata.
À meia-noite... é um filme
para poucos. Em 1964, quando foi lançado,
Mojica não foi tomado como cineasta,
mas como um homem seriamente doente. 81
minutos.
Dia
23 – Esta Noite
Encarnarei No Teu Cadáver (1966).
Inventivo e surreal, Esta Noite Encarnarei
no teu Cadáver é uma continuação
da saga de Zé do Caixão, que
mesmo tendo morrido no filme anterior ressurgia
para se vingar de seus perseguidores que,
por sinal, o caçavam também
fora das telas. Com cenas prá lá
de antológicas, o filme nos leva
por uma viagem aos delirios de Mojica, que
vai ao inferno, volta e vem, em meio a efeitos
especiais artesanais, até hoje admiráveis.
107 minutos.
Dia
24 – O Estranho
Mundo De Zé Do Caixão (1968).
Filme que reúne três histórias
macabras: em O Fabricante de Bonecas, marginais
invadem a casa de um velhinho e descobrem
o segredo da confecção de
suas bonecas; em Tara, um vendedor de balões
fantasia uma paixão doentia por uma
garota que ele segue obsessivamente pelas
ruas; em Ideologia, o excêntrico Professor
Oãxiac Odéz, Zé do
Caixão ao contrário, tenta
provar a um rival que o instinto prevalece
sobre a razão, usando métodos
nada ortodoxos. Os três episódios
foram roteirizados por Rubens Francisco
Lucchetti, que se tornaria parceiro freqüente
de Mojica. 80 minutos.
Dia
25 – Ritual dos
Sádicos - O Despertar da Besta (1969).
Simplesmente o melhor exemplo para romper
com o estigma de primitivo, significando
primário, pobre em linguagem e trash
(que deriva do primeiro estigma). Nem tanto
pela temática pretensamente intelectual:
um psiquiatra discute com seus colegas de
profissão uma experiência feita
com pessoas de diversos extratos sociais
que acreditaram ter se injetado LSD e que,
unicamente por auto-sugestão, deram
vazão às mais loucas alucinações
a partir da figura do Zé do Caixão.
Dessa discussão, partem inúmeros
flashbacks, que servem para ilustrar a tese
do psiquiatra, com cenas fortes, delirantes
e absurdas. 91 minutos.
Dia
26 – Finis Hominis
- O Fim Do Homem (1970). Um homem nu
surge do mar e passa a caminhar, tranqüilamente,
pelas ruas da cidade, interferindo de maneira
diferente em episódios do cotidiano,
sempre em busca de justiça. O estranho
homem vira uma espécie de Messias
moderno ao realizar milagres e conquistar
a adoração dos moradores da
região. Entre seus eventuais seguidores
estão uma mulher adúltera,
um marido traído e um bando de hippies.
79 minutos.
Dia
27 - Delírios
De Um Anormal (1978). José Mojica
e Zé do Caixão. Criador e
criatura se juntam em uma trama macabra
sobre psiquiatra delirante. Em Delírios
de um Anormal, o personagem principal é
o Dr Hamilton (Jorge Peres, de Inferno Carnal,
1977), um famoso psiquiatra que é
atormentado por pesadelos nos quais Zé
do Caixão toma a sua esposa, Tânia
(Magna Miller, que só fez este filme)
para ser a mulher que irá gerar o
filho perfeito para o coveiro. Os colegas
médicos de Hamilton decidem buscar
ajuda para esses pesadelos sem fim do amigo
e entram em contato com o cineasta José
Mojica, que tenta fazer com que Hamilton
acredite que Zé do Caixão
é apenas um personagem fictício.
86 minutos.
Sala Alexandre
Robatto
Rua General Labatut, 27 – Barris
Tel. (71) 3116-8100
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