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Início > Programação > Agenda Cultural Fevereiro de 2007> Fundação Cultural

FUNDAÇÃO CULTURAL DO ESTADO DA BAHIA
Complexo Audiovisual dos Barris - Sala Alexandre Robatto

De 1 a 8 de fevereiro serão exibidos clássicos nacionais da década de 20 a 60.
As sessões são sempre às14h, 16h, 18h e 20h.

O Brasil possui uma das maiores cinematografias mundiais, por isso a Sala Alexandre Robatto selecionou oito dos mais importantes filmes nacionais do início da indústria cinematográfica no Brasil até a década de 60, para que estes clássicos não sejam esquecidos nem afastados do público.

Dia 1Braza Dormida (1928), de Humberto Mauro. Conta a história de Luiz Soares que abandona seus estudos para trabalhar numa usina do interior do Rio de Janeiro. Lá, apaixona-se por Anita, filha do patrão, que só descobre o romance através de cartas anônimas enviadas por um ex-funcionário, Pedro Bento, no qual disputam pelo amor de Anita.
1928, 120 minutos. Drama
Direção: Humberto Mauro
Elenco: Nita Ney, Luiz Soroa, Máximo Serrano, Fantol, Rosendo Franco, Cortes Real.


Dia 2Limite (1931), de Mário Peixoto. Elogiadíssimo pelas platéias de Nova York, Berlim e Veneza por sua técnica e plasticidade, fala de três náufragos perdidos no oceano atlântico, contando suas vidas.
1931, 120 minutos. Drama
Direção: Mario Peixoto
Elenco: Olga Breno, Taciana Rei, Raul Schonoor, Mario Peixoto, Edgar Brazil.

Dia 3Rio 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. Mostra a rotina de cinco meninos de uma favela do Rio de Janeiro, em um típico domingo de sol. Os cinco meninos são vendedores ambulantes de amendoim em Copacabana, Pão de Açúcar e estádios de futebol.
1955, 90 minutos. Documentário
Direção: Nelson Pereira dos Santos

Dia 4Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias. Baseado em um dos maiores assaltos ocorridos no Brasil, narra com realismo e objetividade a prisão da gangue liderada pelo bandido João Mednho que tramou o roubo ao Trem Pagador da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1960. Armados com revólveres e metralhadoras, explodiram os trilhos com dinamite e levaram, na época, 27 milhões cruzeiros e mataram um homem. Representou o país no festival de Veneza, em 62.
1962, 89 minutos. Drama
Direção: Roberto Farias
Elenco: Reginaldo Faria, Eliezer Gomes, Grande Otelo, Jorge Dória, Luiza Maranhão.

Dia 5 Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Fala de um senador chamado Porfírio Dias que odeia o seu povo e pretende coroar-se imperador de um país fictício chamado Eldorado, e assim, impor todas as suas vontades. Ele não contava com a força de outros homens que lutam contra esse poder.
1967, 115 minutos.
Direção: Glauber Rocha
Elenco: Jardel Filho, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Autran.

Dia 6Todas as Mulheres do Mundo (1968), de Domingos Oliveira. Envolvente comédia que relata a história de Paulo, um bom vivant que vive paquerando as mulheres da Zona Sul Carioca. Sem esperar, este jovem sedutor encontra o amor ao cruzar com a linda professora, Maria Alice, que ao vê-la pela primeira vez se apaixona e faz tudo para conquista-la. Através de flash backs, Paulo conta sua história ao seu amigo Edu. Aborda ainda conflitos existentes na década de 60 entre velhos e novos papéis sociais femininos e masculinos. Ganhador do Prêmio Air France de 1967. Com Paulo José, Leila Diniz e Flávio Migliaccio.
1968, 86 minutos. Comédia.
Direção: Domingos Oliveira

Dia 7O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. Discute as técnicas extravagantes utilizadas por um misterioso assaltante para roubar casas luxuosas de São Paulo. Apelidado pela imprensa de O Bandido da Luz Vermelha, por estar sempre com uma lanterna vermelha, o mesmo sempre tem longas conversas com suas vítimas. Debochado e cínico é um dos marcos do cinema nacional.
1968, 92 minutos. Comédia.
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Paulo Vilaça, Helena Ignez, Sônia Braga.

Dia 8Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Nasceu na selva e de preto, virou branco. Quando de adulto, deixou o sertão em acompanhado dos irmãos. Têm várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais e personagens de todos os matizes. Depois dessa longa e tumultuada aventura urbana ele volta à selva, onde desaparecerá como viveu, antropofagicamente.
1969, 108 minutos. Comédia
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat


Entre os dias 8 e 14 serão exibidos Histórias de Samba e Carnaval
As sessões são sempre às14h, 16h, 18h e 20h.

O cinema brasileiro mantém uma relação antiga com a mais importante manifestação popular do país, o carnaval. A Voz do Carnaval, de 1933, ganha destaque por ser o primeiro filme do país com sonoras. Era o registro de cenas do carnaval paulista e carioca. Alcançou sucesso imediato. Ainda na mesma década, Alô Alô Carnaval, de 1936, é um marco para o cinema brasileiro, por ser o sucesso dos anos 30, pois trazia ao maiores cantores da época, como Carmen Miranda, sucesso nos EUA, por representar um país do eterno carnaval que segue fazendo sucesso no cinema ainda na década de 40, inclusive nas chanchadas protagonizadas por Oscarito e Grande Otelo. A partir do Cinema novo, as produções brasileiras de diversificam e, ao mesmo tempo, distanciam-se do carnaval.

Dia 8Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle. Xenofontes, um sisudo professor de mitologia grega é contratado por um produtor como consultor da adaptação do clássico Helena de Tróia para o cinema. Mas dois empregados do estúdio sonham em transformar o épico grego numa comédia carnavalesca.
1952, 95 minutos. Chanchada.
Direção: José Carlos Burle
Elenco: Oscarito e Grande Otelo

Dia 9Rio Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos. Interessante e delicado retrato da vida de um artista popular carioca, a produção parte de uma série de memórias do personagem vivido por grande Otelo, um talentoso e humilde compositor de sambas de salão que vive na periferia do Rio de Janeiro. O filme mostra a banalidade da violência e a fragilidade de uma vida na periferia carioca. A morte de Dorival não é nada para o cotidiano sofrido daquela favela, é apenas mais uma morte e seu significado está diluído em meio a todos os problemas enfrentados, diariamente, por aquelas pessoas. Tem como tema o povo das classes humildes carioca.
1957, 82 minutos. Drama.
Direção: Nelson Pereira dos Santos.

Dia 10Orfeu Negro (1959), de Marcel Camus. Clássica versão da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, foi extraída de lenda grega de Orfeu. Orfeu Negro tem sua história ambientada no Rio de Janeiro durante o carnaval. Relata a trágica história de amor entre o condutor do bonde Orfeu e a jovem Eurídice. Premiado com a palma de Ouro em Cannes, Oscar e Globo de Ouro de Melhor Produção Estrangeira. Tem musicalização de Tom Jobim e Luiz Bonfá.
1959, 103 minutos. Romance
Direção: Marcel Camus
Elenco: Breno Mello, Marpessa Dawn, Léa Garcia, Jorge dos Santos, Marcel Camus.

Dia 11A Grande Cidade (1965), de Carlos Diegues. Trata-se de uma premiadíssima abordagem que discute a luta de nordestinos pobres nas grandes cidades do sudeste brasileiro. Em destaque a busca por uma vida melhor e a dissolução desses sonhos pela realidade encontrada.
1966, 83 minutos.
Direção: Carlos Diegues
Elenco: Anecy Rocha, Antônio Pitanga, Joel Barcelos, Leonardo Villar, Maria Lúcia Dahl.

Dia 12 – Amor, carnaval e sonhos (1972), de Paulo César Saraceni. Conta de forma criativa e inusitada um romance entre um fotógrafo e uma sambista em pleno carnaval carioca, considerado o melhor do mundo. Exibe uma das mais belas cenas de sexo do cinema brasileiro.
1972, 77 minutos.
Direção: Paulo César Saraceni
Elenco: Arduíno Colasanti, Ana Maria Miranda, Leila Diniz, Hugo Carvana, Paulo César Saraceni.

Dia 13 Três Histórias da Bahia (2001), de Sérgio Machado, José Araripe Jr. e Edyala Yglesias. Na Bahia tudo acaba em Carnaval. É exatamente isso que acontece nas três histórias, que se dão em épocas distintas, mas que nem por isso deixam de seguir a mesma fatal cronologia. Três viagens aos subterrâneos da Bahia, intitulados "Agora é Cinza", "O Pai do Rock" e "Diário de um Convento". Com Sérgio Mamberti, Othon Bastos e Ingra Liberato.
2001, 96 minutos
Direção: Sérgio Machado, José Araripe Jr. e Edyala Yglesias.

Dia 14Samba Riachão (2001), de Jorge Alfredo. O pano de fundo é a trajetória de Clementino Rodrigues, o popular sambista baiano, Riachão, de 80 anos, onde é apontada a importância do samba para o povo do Brasil. O filme conta através de uma crônica musical de Salvador os casos do sambista que viveu várias transformações no mercado da chamada música popular e dos meios de comunicação durante o século XX.
2001, 86 minutos. Documentário.
Direção: Jorge Alfredo

Do dia 22 a 28 de fevereiro haverá a Mostra Zé do Caixão.
Sessões sempre às 14, 16, 18 e 20 horas.

Zé do Caixão é o nome do personagem mais famoso de José Mojica Marins, considerado um dos mais importantes cineastas brasileiros. Inicialmente desprezado pela critica, ganhou reconhecimento após ser reverenciado fora do Brasil com seu personagem Coffin Joe, na década de 90. Com mais de 38 longas, Mojica não é apenas um mestre do cine-terror, mas um extremo poeta em profundidade. À meia-noite Levarei sua Alma, de 63, é o seu clássico.

Dia 22 e 28À Meia-noite Levarei Sua Alma (1963). Parodiando o escritor Lúcio Cardoso, Zé do Caixão não é um homem, é uma atmosfera. Por onde passa espalha desgraça, covardia e pusilanimidade. Contrariando a ordem da Igreja, come carne de carneiro na sexta-feira santa. Toma dinheiro dos matutos da aldeia e quando um corajoso nega pagamento, decepa-lhe os dedos. Zé também é agente funerário e nas horas vagas, sonha em ter um filho que perpetue seu sangue. A esposa não engravida. A mulher que não pode ter filhos não precisa de cuidados, em seguida, ele a mata. À meia-noite... é um filme para poucos. Em 1964, quando foi lançado, Mojica não foi tomado como cineasta, mas como um homem seriamente doente. 81 minutos.

Dia 23Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver (1966). Inventivo e surreal, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver é uma continuação da saga de Zé do Caixão, que mesmo tendo morrido no filme anterior ressurgia para se vingar de seus perseguidores que, por sinal, o caçavam também fora das telas. Com cenas prá lá de antológicas, o filme nos leva por uma viagem aos delirios de Mojica, que vai ao inferno, volta e vem, em meio a efeitos especiais artesanais, até hoje admiráveis. 107 minutos.

Dia 24 O Estranho Mundo De Zé Do Caixão (1968). Filme que reúne três histórias macabras: em O Fabricante de Bonecas, marginais invadem a casa de um velhinho e descobrem o segredo da confecção de suas bonecas; em Tara, um vendedor de balões fantasia uma paixão doentia por uma garota que ele segue obsessivamente pelas ruas; em Ideologia, o excêntrico Professor Oãxiac Odéz, Zé do Caixão ao contrário, tenta provar a um rival que o instinto prevalece sobre a razão, usando métodos nada ortodoxos. Os três episódios foram roteirizados por Rubens Francisco Lucchetti, que se tornaria parceiro freqüente de Mojica. 80 minutos.

Dia 25Ritual dos Sádicos - O Despertar da Besta (1969). Simplesmente o melhor exemplo para romper com o estigma de primitivo, significando primário, pobre em linguagem e trash (que deriva do primeiro estigma). Nem tanto pela temática pretensamente intelectual: um psiquiatra discute com seus colegas de profissão uma experiência feita com pessoas de diversos extratos sociais que acreditaram ter se injetado LSD e que, unicamente por auto-sugestão, deram vazão às mais loucas alucinações a partir da figura do Zé do Caixão. Dessa discussão, partem inúmeros flashbacks, que servem para ilustrar a tese do psiquiatra, com cenas fortes, delirantes e absurdas. 91 minutos.

Dia 26Finis Hominis - O Fim Do Homem (1970). Um homem nu surge do mar e passa a caminhar, tranqüilamente, pelas ruas da cidade, interferindo de maneira diferente em episódios do cotidiano, sempre em busca de justiça. O estranho homem vira uma espécie de Messias moderno ao realizar milagres e conquistar a adoração dos moradores da região. Entre seus eventuais seguidores estão uma mulher adúltera, um marido traído e um bando de hippies. 79 minutos.

Dia 27 - Delírios De Um Anormal (1978). José Mojica e Zé do Caixão. Criador e criatura se juntam em uma trama macabra sobre psiquiatra delirante. Em Delírios de um Anormal, o personagem principal é o Dr Hamilton (Jorge Peres, de Inferno Carnal, 1977), um famoso psiquiatra que é atormentado por pesadelos nos quais Zé do Caixão toma a sua esposa, Tânia (Magna Miller, que só fez este filme) para ser a mulher que irá gerar o filho perfeito para o coveiro. Os colegas médicos de Hamilton decidem buscar ajuda para esses pesadelos sem fim do amigo e entram em contato com o cineasta José Mojica, que tenta fazer com que Hamilton acredite que Zé do Caixão é apenas um personagem fictício. 86 minutos.

 

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