| A
literatura popular e o acervo de folhetos
de cordel da fundação cultural
do estado da bahia
Por ser a Bahia
um celeiro de poetas e cantadores, a administração
estadual, através da Fundação
Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB,
cria, em 19 de junho de 1980, o Núcleo
de Pesquisa de Literatura de Cordel (idéia
luminosa da pesquisadora e Profª Edilene
Matos), gerenciado pelo Departamento de
Bibliotecas, com todas as características
de um Centro de Documentação
e Memória – CDM.
Ao NPLC cabia a tarefa de coordenar, preservar
e difundir a literatura popular em verso
em todo o Estado da Bahia. Em 1984, passa
a ser denominado Divisão de Literatura
de Cordel do Departamento de Literatura
com maior autonomia administrativa.
Assumiu, também, as funções
de editoração e de fomento
das publicações de Folhetos
de Cordel, realizando concursos literários
(publicou na época 30 folhetos inéditos);
de conscientização e divulgação
através da promoção
de seminários, encontros, palestras,
cursos e exposições, cujo
objetivo era congregar os poetas do interior
e da Capital; de delimitação
do mapeamento cultural das atividades de
Cordel no interior e de intercâmbios
com as mais diversas instituições
ligadas à cultura popular brasileira.
É oportuno destacar a criação
da Banca de Trovadores e Repentistas, instalada
na Praça Cairu, em Salvador, em parceria
com a Prefeitura Municipal. Da história
do Núcleo participaram ativamente,
como funcionários dedicados, os poetas,
Rodolfo Coelho Cavalcante (1919/1986) e
Bule Bule.
O Núcleo iniciou com um acervo de,
aproximadamente, 5.000 folhetos de 280 autores,
60 matrizes de xilogravuras, 60 discos vinil
de cantadores de viola, 30 exemplares avulsos
de periódicos e três pastas
de recortes de jornais referentes à
literatura popular, considerado extremamente
valioso por todos os pesquisadores e cidadãos
que para ali se dirigiam em busca de informações
relativas à fundamentação
de pesquisa acadêmica e escolar, bem
como pelo simples e salutar prazer da leitura
de Cordel.
Autores nacionais consagrados, como: Leandro
Gomes de Barros, João Martins de
Athayde, Francisco das Chagas Batista, Rodolfo
Coelho Cavalcante, João Bernardo
da Silva, José Camelo Melo Rezende,
Manoel d'Almeida Filho, Patativa de Assaré,
os baianos Cuíca de Santo Amaro,
Minelvino Francisco Silva, Franklin Machado,
Bule Bule, Ana Maria Santana, Jotacêfreitas,
o santamarense Antonio Vieira e outros fazem
parte do acervo.
Em 1991, a Divisão de Literatura
de Cordel é extinta e o acervo de
folhetos passa a fazer parte da Biblioteca
da Diretoria de Literatura e Edição.
No Brasil, além da Fundação
Cultural do Estado da Bahia, a Fundação
José Américo (João
Pessoa/Pb.); o Museu do Homem do Nordeste
(Fundação Joaquim Nabuco –
Recife/Pe.); Museu do Sertão (Feira
de Santana/Ba) e a Fundação
Casa Rui Barbosa (Rio de Janeiro) são
instituições que também
possuem folhetos de cordel no seu acervo,
disponíveis para consulta.
Atualmente, no âmbito do sistema baiano
de cultura, a Superintendência de
Cultura da Secretaria da Cultura e Turismo,
mantém, desde 1997, a Linha Editorial
Cordel, já com seis títulos
publicados: Antologia Baiana de Literatura
de Cordel (1997); Ele, o Tal Cuíca
de Santo Amaro (Edilene Matos.1998); Cordel:
arte e poesia (José Crispim Ramos
e João Crispim Ramos. 2001); O cordel
remoçado (Antônio Vieira. 2003.
2 v.); Teatro de cordel na Bahia e em Lisboa
(Armindo Bião. 2005); Evangelho de
Matheus (Landsperge Alves. 2006).
Em 2004, a FUNCEB cria o Núcleo de
Referência Cultural – NRC, com
o objetivo de salvaguardar os seus acervos
bibliográficos, arquivísticos
e documentais. A partir dessa data, o valioso
acervo de folhetos de cordel é transferido
para o NRC.
A biblioteca especializada que acondiciona
o acervo de folhetos de cordel foi criada
em 1984. É originária do antigo
Departamento de Literatura, hoje Diretoria
de Literatura – DIREL. A partir de
2006, a biblioteca ficou sob a responsabilidade
do NRC, recém implantado. O acervo
de folhetos de cordel, oriundo do extinto
Núcleo de Pesquisa e Cultura da Literatura
de Cordel é considerado um dos mais
importantes do País. Estão
catalogadas obras valiosas dos mais reconhecidos
poetas contemporâneos da literatura
popular que fazem parte da história
da produção editorial dos
folhetos – origem de diversos estudos;
teses acadêmicas e publicações.
Também reúne livros, periódicos,
xilogravuras, Lps, fotografias, posters,
recortes de jornais e a memória de
todas as publicações editadas
pela SCT / FUNCEB, a partir do ano de 1976
(livros, revistas e material de divulgação).
Os folhetos de cordel estão instalados,
fisicamente, em uma área pequena
para o tamanho da coleção,
porém ordenados de acordo com as
técnicas biblioteconômicas.
A coleção está acessível
ao público e, recentemente, foi informatizada.
O acervo conta com 3.114 títulos
e 5.095 exemplares de folhetos de cordel
inseridos no sistema Personal Home Library
– PHL, localizado no sítio
da FUNCEB: http://www.funceb.ba.gov.br
Ana Lúcia
Reis Fônseca
Biblioteca do NRC
|