- Editorial

- Políticos demagogos e homens sem palavra.

- Cuíca da Bahia

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- A chegada de Lampeão no céu

- Setenta anos depois

- A literatura popular e o acervo de folhetos de cordel da fundação cultural do estado da bahia

- Quem tudo quer, tudo perde

- O cordel estradeiro

- Até fizeram um A.B.C.!

- Saudade

- Trechos do folheto História de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, de Minervino Francisco Silva

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A literatura popular e o acervo de folhetos
de cordel da fundação cultural do estado da bahia

 

Por ser a Bahia um celeiro de poetas e cantadores, a administração estadual, através da Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, cria, em 19 de junho de 1980, o Núcleo de Pesquisa de Literatura de Cordel (idéia luminosa da pesquisadora e Profª Edilene Matos), gerenciado pelo Departamento de Bibliotecas, com todas as características de um Centro de Documentação e Memória – CDM.

Ao NPLC cabia a tarefa de coordenar, preservar e difundir a literatura popular em verso em todo o Estado da Bahia. Em 1984, passa a ser denominado Divisão de Literatura de Cordel do Departamento de Literatura com maior autonomia administrativa.

Assumiu, também, as funções de editoração e de fomento das publicações de Folhetos de Cordel, realizando concursos literários (publicou na época 30 folhetos inéditos); de conscientização e divulgação através da promoção de seminários, encontros, palestras, cursos e exposições, cujo objetivo era congregar os poetas do interior e da Capital; de delimitação do mapeamento cultural das atividades de Cordel no interior e de intercâmbios com as mais diversas instituições ligadas à cultura popular brasileira.

É oportuno destacar a criação da Banca de Trovadores e Repentistas, instalada na Praça Cairu, em Salvador, em parceria com a Prefeitura Municipal. Da história do Núcleo participaram ativamente, como funcionários dedicados, os poetas, Rodolfo Coelho Cavalcante (1919/1986) e Bule Bule.

O Núcleo iniciou com um acervo de, aproximadamente, 5.000 folhetos de 280 autores, 60 matrizes de xilogravuras, 60 discos vinil de cantadores de viola, 30 exemplares avulsos de periódicos e três pastas de recortes de jornais referentes à literatura popular, considerado extremamente valioso por todos os pesquisadores e cidadãos que para ali se dirigiam em busca de informações relativas à fundamentação de pesquisa acadêmica e escolar, bem como pelo simples e salutar prazer da leitura de Cordel.

Autores nacionais consagrados, como: Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, Francisco das Chagas Batista, Rodolfo Coelho Cavalcante, João Bernardo da Silva, José Camelo Melo Rezende, Manoel d'Almeida Filho, Patativa de Assaré, os baianos Cuíca de Santo Amaro, Minelvino Francisco Silva, Franklin Machado, Bule Bule, Ana Maria Santana, Jotacêfreitas, o santamarense Antonio Vieira e outros fazem parte do acervo.

Em 1991, a Divisão de Literatura de Cordel é extinta e o acervo de folhetos passa a fazer parte da Biblioteca da Diretoria de Literatura e Edição.

No Brasil, além da Fundação Cultural do Estado da Bahia, a Fundação José Américo (João Pessoa/Pb.); o Museu do Homem do Nordeste (Fundação Joaquim Nabuco – Recife/Pe.); Museu do Sertão (Feira de Santana/Ba) e a Fundação Casa Rui Barbosa (Rio de Janeiro) são instituições que também possuem folhetos de cordel no seu acervo, disponíveis para consulta.

Atualmente, no âmbito do sistema baiano de cultura, a Superintendência de Cultura da Secretaria da Cultura e Turismo, mantém, desde 1997, a Linha Editorial Cordel, já com seis títulos publicados: Antologia Baiana de Literatura de Cordel (1997); Ele, o Tal Cuíca de Santo Amaro (Edilene Matos.1998); Cordel: arte e poesia (José Crispim Ramos e João Crispim Ramos. 2001); O cordel remoçado (Antônio Vieira. 2003. 2 v.); Teatro de cordel na Bahia e em Lisboa (Armindo Bião. 2005); Evangelho de Matheus (Landsperge Alves. 2006).

Em 2004, a FUNCEB cria o Núcleo de Referência Cultural – NRC, com o objetivo de salvaguardar os seus acervos bibliográficos, arquivísticos e documentais. A partir dessa data, o valioso acervo de folhetos de cordel é transferido para o NRC.

A biblioteca especializada que acondiciona o acervo de folhetos de cordel foi criada em 1984. É originária do antigo Departamento de Literatura, hoje Diretoria de Literatura – DIREL. A partir de 2006, a biblioteca ficou sob a responsabilidade do NRC, recém implantado. O acervo de folhetos de cordel, oriundo do extinto Núcleo de Pesquisa e Cultura da Literatura de Cordel é considerado um dos mais importantes do País. Estão catalogadas obras valiosas dos mais reconhecidos poetas contemporâneos da literatura popular que fazem parte da história da produção editorial dos folhetos – origem de diversos estudos; teses acadêmicas e publicações. Também reúne livros, periódicos, xilogravuras, Lps, fotografias, posters, recortes de jornais e a memória de todas as publicações editadas pela SCT / FUNCEB, a partir do ano de 1976 (livros, revistas e material de divulgação).

Os folhetos de cordel estão instalados, fisicamente, em uma área pequena para o tamanho da coleção, porém ordenados de acordo com as técnicas biblioteconômicas. A coleção está acessível ao público e, recentemente, foi informatizada.

O acervo conta com 3.114 títulos e 5.095 exemplares de folhetos de cordel inseridos no sistema Personal Home Library – PHL, localizado no sítio da FUNCEB: http://www.funceb.ba.gov.br

Ana Lúcia Reis Fônseca
Biblioteca do NRC

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