O Conselheiro que viu
Que a coisa estava feia
Pois se não fosse se embora
Ia parar na cadeia
E além de ir pra chave
Entrava também na peia

Abandonou Bom Conselho
E dali se retirou
Seguiu direto a Canudos
Chegando lá começou
Sua mesma penitência
Que o povo admirou

(...)

O povo foi se juntando
Ao lado do Conselheiro
Achava que ele fosse
De Jesus um mensageiro
Que veio salvar o povo
Por um poder verdadeiro

Pra conhecer Conselheiro
Abalou todo sertão
Cada vez mais aderindo
À sua religião
E fazendo penitência
Pra ganhar a salvação

(...)
O Conselheiro mandou
Em Juazeiro comparar
As madeiras necessárias
Para a igreja terminar
A precisão era urgente
Por isso mandou pagar

Foi comprada essa madeira
Também pago adiantado
Pra despachar pra Canudos
Ninguém mais tomou cuidado
E o trabalho da igreja
Já quase todo parado

O Conselheiro esperou
Até faltou a paciência
E disse aos seus seguidores:
Só tomando providência
Pra ver se a madeira vem
Sem precisar violência

(...)

Mas antes deles chegarem
O povo de Juazeiro
Que vendeu toda a madeira
Para o velho Conselheiro
Soube que iam os jagunços
Cada qual mais desordeiros


 
 

 

- Editorial

- Políticos demagogos e homens sem palavra.

- Cuíca da Bahia

- Outro Olhar

- A chegada de Lampeão no céu

- Setenta anos depois

- A literatura popular e o acervo de folhetos de cordel da fundação cultural do estado da bahia

- Quem tudo quer, tudo perde

- O cordel estradeiro

- Até fizeram um A.B.C.!

- Saudade

- Trechos do folheto História de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, de Minervino Francisco Silva

- Interagindo com o leitor

- Era o que me faltava!...

- Bibliografia Consultada

 

 

 

 

Início > Boletim Literário

Trechos do folheto História de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, de Minelvino Francisco Silva 17

 

(...)

Foi assim que aconteceu
Com Antônio Conselheiro
Que desejava seguir
Pra nosso Deus verdadeiro
Por se meter na política
Se virou num carniceiro

No ano 96 (1896)
Seu Conselheiro vivia
Nas zonas do Bom Conselho
No estado da Bahia
Pregando e curando gente
Cada vez se prosseguia

O dr. Artur Leone
Juiz daquela cidade
Achou que seu Conselheiro
Não estava com a verdade
Apenas levava o povo
Pra uma infelicidade

Deu ordem pra o Conselheiro
Do município ir embora
E deixasse o povo em paz
Sozinho caísse fora
Com 48 horas
Era somente a demora

 

 

 

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