Aí é que o pobre nota
O erro que cometeu
Porque o candidato
Aquele que ele o elegeu
Das suas velhas promessas
O mesmo as esqueceu

No meio da pobreza
Uma grande luta se trava
É que nesta terra
A qual nunca fora escrava
Nós topamos sempre
Com muito político sem palavra

Na unha de muita gente
O pobre como fogo
Porque antigamente
Dizia-nos São Diogo
É raro hoje o político
Que não seja Demagogo

Principalmente aquele
Que gasta um dinheirão
Quando consegue o poder
E galga a posição
É capaz de deixar o pobre
Sem camisa! ... de calção

Cessada as eleições
A Lei sempre é do mais forte
O pobre fica entregue
A sua própria sorte
Principalmente aquele
Que reside cá no Norte

Existe político hoje em dia
Quando está no poder
Como está constatado
Não deixa o pobre viver
Somente! Somente ele
É quem pode comer

Existe político hoje em dia
Que é uma decepção
Porque quando ele
Assume a gestão
Sem esta nem aquela
Apela para a perseguição

Tem políticos hoje em dia
Com o seu imperialismo
Com a sua presunção
Com o seu egoísmo
Começa a perseguir
O nosso Funcionalismo

Também existe político
Que se alvora a arrogante
Que se põe a perseguir
O pequeno negociante
Sem o dar tréguas
Toda hora ... todo instante

Existem políticos
Quando conseguem ganhar
Em vez de ajudar
O pobre a trabalhar
Com a sua usura
Só procura o seu bem estar

Existem políticos
Como disse Santa Emília
Que nunca tiveram nada
Hoje vão para Brasília
E só visam o bem
Estar da sua família

Existe muito político
Seja velho, ou seja novo
Que só enriquece
Com o suor do povo
Muitos até explodidos
Ficam cheios como um ovo

Existe muito político
Antes da gestão terminar
Já tem tanto dinheiro
Que não pode carregar
No caso de não ser reeleito
Não precisa mais trabalhar

Em todo caso ... política?
Como disse a minha vó
É como se diz na gíria
Uma coisa que veio do pó
Política, e falta de vergonha?
É uma coisa só

Eu que sempre estou
Metido no meio dos críticos
Com as minhas sátiras
E versos humorísticos
Como Trovador
Sou vítima de políticos

(...)

Se fosse por certos políticos
Ninguém falava em meu nome
Mesmo os meus cinco filhos
Já tinham morrido de fome
Pensar em tanta miséria
Às vezes até me consome

Todo e qualquer político
Que massacra o Baiano
Feroz! ... tenazmente
Com o seu espírito tirano
Acontece como a muitos
Tem que entrar pelo cano

Cuíca de Santo Amaro 27


 
 

 

- Editorial

- Políticos demagogos e homens sem palavra.

- Cuíca da Bahia

- Outro Olhar

- A chegada de Lampeão no céu

- Setenta anos depois

- A literatura popular e o acervo de folhetos de cordel da fundação cultural do estado da bahia

- Quem tudo quer, tudo perde

- O cordel estradeiro

- Até fizeram um A.B.C.!

- Saudade

- Trechos do folheto História de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, de Minervino Francisco Silva

- Interagindo com o leitor

- Era o que me faltava!...

- Bibliografia Consultada

 

 

 

 

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Políticos demagogos e homens sem palavra


 

Disse um grande Profeta
Com o seu grande saber
Que o pobre veio ao Mundo
Somente para sofrer
E este seu sofrimento
Só acaba quando morrer

Todo sujeito pobre?
Diz ele ... o estudioso
Aos trancos e aos barrancos?
Vive de teimoso
Sempre esfomeado
Neste Mundo mentiroso

Diz ele que o pobre?
Só nasceu para votar
Nasceu para fazer filhos
Nasceu para trabalhar
Nasceu para padecer
Até o bom Deus o chamar

O pobre só é procurado
Em todas as ocasiões
Em todos os Bairros
Em todas as direções
Somente caro leitor
Em vésperas de eleições

Depois do pleito passado
Como é fato sabido
O pobre é massacrado
O pobre é oprimido
O pobre é espoliado
O pobre é esquecido

Quem a troco do dinheiro
Consegue se eleger
Só leva no pensamento
Quando galga o poder
E em pouco tempo
O seu dinheiro reaver

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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