- Editorial

- Políticos demagogos e homens sem palavra.

- Cuíca da Bahia

- Outro Olhar

- A chegada de Lampeão no céu

- Setenta anos depois

- A literatura popular e o acervo de folhetos de cordel da fundação cultural do estado da bahia

- Quem tudo quer, tudo perde

- O cordel estradeiro

- Até fizeram um A.B.C.!

- Saudade

- Trechos do folheto História de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, de Minervino Francisco Silva

- Interagindo com o leitor

- Era o que me faltava!...

- Bibliografia Consultada

 

 

 

 

Início > Boletim Literário

Quem tudo quer, tudo perde

 

Quando Nosso Senhor andava no mundo chegou a uma casinha de gente muito pobre e pediu de-comer e de-beber. Os velhos que moravam aí deram o que possuíam e agradaram muito Nosso Senhor. Quando este ia embora, abençoou-os e disse:

– Pelo que fizeram por mim, e como são pobres e tementes a Deus, podem pedir três coisas que serão realizadas imediatamente.

O velho e a velha ficaram saltando de contentes. À noite, foram jantar e conversaram sobre o sucedido, meio desconfiados daquelas promessas. A velha, vendo a pobreza da janta, disse alto:

– O que eu queria agora era uma roda de lingüiças assando naquele fogo! Palavras não eram ditas e apareceu uma roda de lingüiças assando em cima das brasas.

O velho ficou tão zangado com o pedido da mulher que não se conteve e gritou:
– E a minha vontade é que essa lingüiça fique na ponta de sua venta para você não ser maluca!

A lingüiça voou do fogo e grudou-se na ponta do nariz da velhota que começou a chorar e lastimar-se pela desgraça.

– Acuda-me, maridinho de minh'alma! Acuda-me maridinho!

Tanto chorou e se lastimou que o velho marido teve pena do caso e pediu que a lingüiça saísse do nariz de sua mulher.

A lingüiça desapareceu.

Os três pedidos não serviram de nada.


Francisco Cascudo 6
Natal – Rio Grande do Norte


Início
   
Secretaria de Cultura
Fundação Cultural do Estado da Bahia
Praça Tomé de Souza, Palácio Rio Branco - Salvador - Bahia
CEP 40.020-010 Telefone: 3103-4000