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CONSIDERAÇÕES SOBRE A ARTE MODERNA
NA BAHIA E ARTE CONCEITUAL

Aldo Trípodi

 

A instalação da arte moderna na Bahia consistiu uma árdua batalha para seus pioneiros. A atitude da modernidade, espelhada nas vanguardas artísticas do século XIX promovidas na Europa e que estabeleceram rupturas com o passado classicizante e possibilitando, quando do seu aparecimento, novas investigações no campo da pintura, não teve nenhuma repercussão na Bahia. O ensino de arte seguia o padrão europeu neoclássico, modelo inspirador da Academia de Belas Artes, fundada por Miguel Navarro y Cañizares, em 17 de dezembro de 1877, que viria a se tornar Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.

Na época, para manutenção dos propósitos do ensino clássico, a Escola ainda promovia concursos para bolsas de estudos no exterior, particularmente em Paris, meta dos alunos e professores.

Embora Paris já centralizasse os movimentos da modernidade, a grande maioria dos artistas e escolas de arte seguia o que determinava o neoclassicismo, ou ainda a pintura de ateliê. Na Escola de Belas Artes “os métodos de ensino eram tradicionais e só iriam sofrer modificações, quando a escola passa a fazer parte da Universidade Federal da Bahia”. (SCALDAFERRI, 1994, p. 4).

Desde a sua fundação até meados da década de 40 o ensino e a prática da pintura, assim como da escultura eram acadêmicos. A professora Ceres Coelho em sua monografia destaca: “Aos modelos acadêmicos herdados, somou-se a campanha de europeização promovida por Manoel Vitorino, nos fins do século passado, pelo qual entraram, sem cessar, os chamados gessos artísticos e originais das obras clássicas. Estes, durante muito tempo, serviram como modelos para os alunos das diversas instituições oficiais ou particulares de ensino, ou como peças ornamentais de edifícios”. (COELHO, 1973, p. 6).

Deste período destacam-se Óseas dos Santos, discípulo de Cañizares, Agripiniano Barros, Pasquale de Chirico, Manoel Ignácio de Mendonça Filho, Emídio Magalhães, e ainda, “Francisco Lopes Rodrigues, Alberto Valença e Presciliano Silva, que fora pensionista na Europa, absorvem superficialmente o impressionismo, especialmente este último criando um estilo pessoal que seria seguido por alguns discípulos”. (FLEXOR, 1994, p. 3).

Apesar de vários artistas deste período beneficiados com a bolsa de estudos terem viajado a Paris para completar seus estudos, e freqüentarem os ateliês de mestres acadêmicos: Roberto Fleury e Jules Lefebvre, da Academia Julién, “justo no período das grandes inovações, nada perceberam do que acontecia a sua volta e ao regressarem seriam considerados pintores impressionistas”. (SCALDAFERRI, op. cit. p. 7).

Precisamente em 14 de maio de 1932, José Tertuliano Guimarães dá os primeiros passos para a modernidade inaugurando uma mostra individual após o seu retorno de Paris (SCALDAFERRI, op. cit. p. 8). Vencedor do Prêmio Caminhoá, o concurso anual da Escola de Belas Artes, e obtendo pensão do Estado, José Guimarães viajara a Paris, para cumprir o então já conhecido roteiro dos artistas premiados pela Escola.


José Guimarães - Dorso de Mulher - 1930/31
Foto - Acervo Família Guimarães


A exposição de José Guimarães sofreu reação imediata, apesar de, segundo o crítico José do Prado Valadares, não consistir em nenhum trabalho da Escola de Paris da época “(...) Longe disso: não era nem cubista, nem dadaísta, nem surrealista, apenas se afastara dos moldes em voga na Bahia”. (VALADARES, apud SCALDAFERRI, op. cit. p. 20).

Num estudo sobre a obra de José Guimarães, intitulado “Os primórdios da Arte Moderna na Bahia, publicado pelo Museu de Arte Moderna – MAM-BA, Sante Scaldaferri, fazendo uma análise das obras apresentadas nesta exposição, diz: “Na sua obra vista hoje, vê-se claramente que o avanço não foi muito grande. Porém para a época na Bahia, foi um avanço significativo, tanto que ele pagou caro por introduzir uma nova forma de pintar da cidade acostumada a somente ver e aplaudir um tipo de arte acadêmica”. (SCALDAFERRI, op. cit. p. 18).

José Guimarães mostrava, nesta exposição, pinturas de influências pós-impressionistas. A crítica da época lhe confere autenticidade, mas o público não aceita, o que torna a sua convivência difícil na Bahia.

A Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, em 22, pouca ou quase nenhuma repercussão teve na Bahia. Ao contrário, a crítica ao modernismo era acentuada nos meios acadêmicos, sobretudo entre os mestres ligados a Escola de Belas Artes, raros alguns intelectuais da época, como Carlos Chiacchio, Eugênio Gomes e Souza Aguiar, críticos de arte, que se mostravam favoráveis ao aparecimento do “novo”.

Sozinho e “sendo quase a única voz a defender a arte de vanguarda no meio ainda adverso, José Guimarães não levaria à frente sua pintura. Muda-se para o Rio de Janeiro”. (FLEXOR, op. cit. p. 6). No Rio de Janeiro, Guimarães foi ser empreiteiro de pinturas em paredes, e morre em 19 de outubro de 1969, como professor de Desenho no Colégio Dom Pedro II.
As restrições ao aparecimento do “novo” permaneciam na província. Os Salões de ALA (Ala das Letras e das Artes) promovidos pela Escola de Belas Artes, que ocorrem entre 1937 e 1948, são organizados pelos artistas acadêmicos (SCALDAFERRI, op. cit. p. 42).

Destes Salões participam Mário Cravo Júnior, Genaro de Carvalho, Carlos Bastos, Carls Brussel, Zulmira Moscoso Barreto, Olga de Carvalho Pereira e Maria Célia Amado, “que assume grande importância por ter sido, como Livre Docente, a primeira a introduzir a arte moderna na Escola de Belas Artes”. (SCALDAFERRI, op. cit. p. 42).

O ano de 1944 é revelador para a arte moderna da Bahia. Acontece na Biblioteca Pública a exposição de arte moderna, promovida pela Secção da Bahia da Associação Brasileira de Escritores, organizada pelo escritor Jorge Amado, Odorico Tavares e o gravador e pintor paulista Manoel Martins que causou um grande “choque”, “quase ninguém ouvira falar da existência de semelhante arte, quanto mais visto uma exposição coletiva de arte moderna”. (SCALDAFERRI, op. cit. p. 72).

A exposição reunia trabalhos de Lazar Segall, Manoel Martins, Noemia, Bonadei, Di Cavalcanti, Santa Rosa, Osvaldo Goeldi, Hélio Ferjó, Flávio de Carvalho, Augusto Rodrigues, Pancetti, Scliar, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade Filho, Volpi, Djanira, Valter Lewy e Takaoka.
Diferente das artes visuais, a literatura mantinha uma posição avançada em relação à modernidade. A este propósito e da exposição, Jorge Amado, um dos organizadores da mostra em seu livro “Bahia de Todos os Santos”, diz o seguinte: “A essa revolução literária não correspondeu na época, idêntica renovação do plano das artes visuais. Nos anos entre as duas guerras anos do” modernismo “e do” romance de 30 “, a literatura sofre na Bahia total transformação, mas as artes visuais continuaram na mais completa estagnação”. (AMADO, apud SCALDAFERRI, op. cit. p. 74).

A exposição promovida pelos escritores gerou várias reportagens patrocinadas pela imprensa local com o fim de tornar o fato o mais ridículo possível. Em seu artigo Jorge Amado ainda denuncia a reação dos intelectuais: “Uma das repercussões dessa pequena mostra é extremamente significativa do atraso das artes plásticas, em relação á literatura na Bahia. Estamos em 1944, mais de vinte e cinco anos após a exposição de Anita Malfati em São Paulo. Pois bem: os escritores literariamente avançados, figuras de proa da renovação literária, à frente Wilson Lins e Lafayete Spinola, organizaram no hall do Palace Hotel uma exposição caricatural de revida àquela primeira visão de arte moderna, ridicularizando-a.”. (Idem).

Desta exposição revanchista, participaram vários homens das letras e da medicina, que pintaram obras com diversos materiais e sem sentido, comprovando a rejeição pelo modernismo.

Neste mesmo ano, contudo, destaca-se a primeira geração dos artistas plásticos modernistas. Mário Cravo Júnior participa dos Salões da ALA e, a partir de 1944, “apresentou trabalhos de esculturas, que assombraram a quietude espiritual dos acadêmicos da terra”. (SILVA, apud FLEXOR, op. cit. p. 10). Carlos Bastos e Genaro de Carvalho realizam mostra coletiva em 1944. Neste mesmo ano Mário Cravo e Carlos Bastos viajam para os Estados Unidos e Genaro segue para o Rio de Janeiro. Durante e até os finais da década de 40, estes três artistas realizam mostras individuais.

Outro grande fato de suma importância ao relato da arte moderna na Bahia foi a exposição, em 1948, de Arte Contemporânea, promovida pela Secretaria de Educação e Saúde comandada pelo educador Anísio Teixeira.

O educador convidou o escritor Marques Rebelo e reuniu os trabalhos de Pronsato, Pettoruti, Axel de Leskoschek, Bonnard, Vlamink, Marie Laurencin, Augusto Renoir, Mauricio Utrillo, Georges Roault, Joaquim Terneiro, Karel Sigmund, Guinard, José Pancetti, Portinari, Di Cavalcanti, Oscar Meira, Djanira, Milton da Costa, Roberto Burle Marx, Lasar Segal, Teruz, e Iberé Camargo.

Paralelamente à exposição foi realizada uma série de palestras sobre as vanguardas, mas apesar de alguns artistas já estarem fazendo arte moderna, o ambiente ainda era hostil. De igual sorte foi montada outra exposição, a título de revanche. Esta porém, teve o apoio dos professores da Escola de Belas Artes.

Ao retornar dos Estados Unidos, em 1949, Mário Cravo definitivamente inicia o processo renovador da Arte Moderna. Antes, Genaro de Carvalho realiza exposição individual. Ainda em 1949 Carlos Bastos realiza, na Biblioteca Pública, uma mostra do seu surrealismo, a esta altura já exaurida na Europa, criando mais um realismo fantástico e utilizando as figuras do barroco.

Mesmo não se consistindo propriamente em inovação, mas por não se conformar ao gosto da época, suas obras são rasgadas à gilete. Apesar dos artistas da primeira geração admitirem uma temática contemporânea, o público ainda reage, numa manutenção do conservadorismo.
Ingressam no grupo de Mário Cravo, os artistas Jenner Augusto, vindo de Aracaju, Rubem Valentim, Carybé e Lygia Sampaio.

Outro destaque também no ano de 1949 foi I Salão Baiano de Belas-Artes, que se repetiu até 1955, com duas divisões: a Divisão Geral e a Divisão de Arte Moderna, que causava protestos dos artistas modernos que desejam um só júri.

Estes Salões incentivaram o desenvolvimento e o aparecimento de outros artistas que se vincularam à Arte Moderna, pois propiciavam o contato com obras vindas de outros estados. Neles destacavam-se, além da primeira geração de modernistas, os artistas Lygia Sampaio e Rubem Valentim. Posteriormente, Calasans Neto, Henrique e Jacira Oswald, Pasqualino Magnavita, João Alves, Juarez Paraíso, Carlos Bandeira, Maria Célia Calmom, Sante Scaldaferri, Hansen Bahia, Agnaldo dos Santos, Mirabeau Sampaio, João Qauglia, Raimundo de Oliveira, que irão compor a segunda geração.

Na década de 50 é realizado o “Salão Universitário Baiano de Belas Artes”, patrocinado pela União dos Estudantes da Bahia, e, em 1957, com o mesmo patrocínio, o I Salão Universitário de Arte Moderna, do qual participam os artistas Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos, Jenner Augusto, Lígia Sampaio, Rubem Valentim, Carybé, José Pancetti, João Garbogghini, Genaro de Carvalho, Maria Célia Calmom, Sante Scaldaferri, Calazans Neto, Juarez Paraíso, Riolan Coutinho, Sônia Maria Castro, Adele Goes, Lygia Milton da Silveira, Diógenes Rebouças, Rescala, Lênio Braga e Ana Maria Villar.

“Alguns destes nomes ainda eram estudantes mais já davam demonstrações de talento que mais tarde se confirmou na vida profissional”. (SCALDAFERRI, op. cit. p. 51).

“Na sua obra vista hoje, vê-se claramente que o avanço não foi muito grande. Porém para a época na Bahia, foi um avanço significativo, Tanto que ele pagou caro por introduzir uma nova forma de pintar da cidade acostumada a somente ver e aplaudir um tipo de arte acadêmica”
(SCALDAFERRI, op. cit., p. 18).

Além dos Salões que incentivam a produção “moderna”, destaca-se na década de 50 a Galeria Oxumaré, que desempenhou relevante papel no modernismo baiano, como também o apoio emprestado por Clarival do Prado Valadares, Junot Silveira, Nelson Araújo, Odorico Tavares, Carlos Vasconcelos Maia, Wilson Rocha, Mota e Silva, Jair Gramacho, Mário Barata, que escreviam artigos em jornais e revistas defendendo a Arte Moderna.

A partir deste momento evidencia-se a segunda geração dos modernistas, que ao se instalar, ainda encontra um ambiente hostil. A Academia era um ponto de referência para aqueles que desejassem alcançar o reconhecimento público.

Tais reparos históricos que aqui se encerram, são apenas para lembrar o pioneirismo e enfrentamento destes artistas para impor uma linguagem moderna. Esta determinação em avançar nas pesquisas da Arte Moderna possibilitou, após este período, o aparecimento de outras tantas gerações que a seu modo e tempo contribuíram para o avanço da modernidade em nosso estado. Não nos cabe analisar tais gerações, pelo menos no momento. O que nos importa diante destes fatos é argüir a nossa contemporaneidade.

A modernidade buscou rupturas amparadas numa coerência, que consagrou estas gerações. A Arte Conceitual reclama rupturas, negando e proclamando a morte da arte ou a sua desestetização. Hoje na Bahia a Arte Conceitual parece que tomou fôlego promovendo mudanças. Devemos lembrar que Marcel Duchamp em 1914, cria o seu primeiro readymade que foi um Suporte para garrafas. Entretanto, o boom de Duchamp ocorre anos mais tarde, precisamente em 1917, com a sua Fonte. Ele comprou um urinol e o submeteu como escultura a um Salão de arte. A obra foi rejeitada pelo júri e não foi exibida.

Entretanto, tais aspectos do desenvolvimento da Arte Conceitual se dá por volta da década de 50. Nos Estados Unidos por Jasper Johns e Robert Rauchenberg. Paralelamente na Europa, em Londres por Asger Jorn, e em Paris por Yves Klein. Já em 1956 o grupo Gutai no Japão dá início a uma série de atividades performáticas. Na Itália Piero Manzoni, ainda em 1956, comenta “Expressão, imaginação, abstração, não seriam elas próprias invenções vazias?” (WOOD, 2002, p. 21). Na Alemanha Joseph Beuys, percebendo influência do grupo Fluxus, que apareceu por volta da década de 60 nos EUA, realiza sua obra conceitual.

No Brasil Cildo Meireles refez a tradição do reaydmade, com sua série iniciada em 1969, das Inserções em circuito ideológicos. Hélio Oiticica, chamado neoconcretista, ainda na década de 60, produz algumas obras conceituais. Se compararmos historicamente, veremos grande defasagem entre a Arte Conceitual que se faz na Bahia e o seu aparecimento. Alguns que hoje fazem Arte Conceitual dizem que estão fazendo Arte Contemporânea, quando, da sua invenção até hoje, já se passaram mais de 50 anos. Muito pior são os que reclamam uma posição de conceitualistas, reafirmando a morte da Arte.

Esta relação entre Arte Conceitual e a tradicional figurativa, ou ainda pintura de cavalete, mereceu do arquiteto e teórico da arte Giulio Argan, em seu livro Arte e Crítica de Arte (Editorial Estampa, 1988), um capítulo intitulado A crise da representabilidade da arte, onde o autor, numa análise penetrante, revela as causas históricas da conseqüência da Arte Conceitual. Por outro lado, aqui no Brasil Ferreira Gullar aborda esta mesma questão com o seu livro Argumentação contra a morte da arte (Revan, 1992).

Evidente que se faz pertinente uma discussão em torno da Arte Conceitual, mas o que não se pode entender é esta corrente invocar para si a definição do objeto da arte a partir do seu conceito, desconsiderando outra formas de expressões.

O processo da criação artística perpassa pelas experiências estéticas do artista. É uma relação como nos coloca Pareyson “Criação e descoberta, liberdade e obediência, tentativa e organização, escolha e cooperação, construção e desenvolvimento, composição e crescimento, fabricação e maturação” deste modo ao executar sua poética o artista tem interiormente uma pré-determinada intenção. No processo da execução estabelece o diálogo entre o criador e o criado. E ao final, a obra pronta já não pertence mais ao seu criador. Neste momento a obra deve intuir a discussão em torno do confronto de ser ou não obra de arte. E é neste exato momento que a crítica deve exercer seu papel, para um juízo e consagração da obra.

Óbvio que a Arte Conceitual perpassa por esta discussão. Não se discute aqui suas considerações teóricas, mas sim sua imposição, enquanto linguagem artística, em detrimento das demais. Diferente da instalação da Arte Moderna, que consistiu em uma abertura e postulação das próprias idéias dos artistas, com um espírito renovador e inventivo, pluralizando todas as possíveis manifestações, a Arte Conceitual restringe as considerações em torno da obra de arte, evocando a desconstrução e a desestetização na sua concepção, restringindo as outras manifestações mais tradicionais.

Por outro lado ainda há que se investigar os aspectos mediáticos que envolve a sua realização e propagação. Há um excesso em cima de fatos questionáveis em relação à sua operacionalidade. Na Europa no entanto, a convivência entre as linguagens contemporâneas e tradicionais é pacífica. Por exemplo, no Exhibition of Summer da Royal Academy of Art em Londres, no verão passado, havia desde instalações que conviviam perfeitamente com pinturas tradicionais, quase beirando os impressionistas. Oportunas foram às palavras de Sante Scaldaferri, um dos mais importantes artistas brasileiros, em recente entrevista: “O que eu tenho dito já há algum tempo, baseado em leituras e recentes visitas a exposições no exterior, é que existe em todo o mundo uma pintura pós-conceitual e que agora, neste ano, se torna muito mais evidente, não sendo especulação da minha parte”.

Continuando ele afirma “O declínio, segundo textos de especialistas, vem desde a última Bienal de Veneza que foi duramente criticada, principalmente por Alison Gingeras, crítica inglesa que na ocasião era curadora no Centro Pompidou, e hoje é do Museu de Arte Moderna, ambos em Paris. Ela publicou um artigo em Flash-Art, Agosto/Setembro, 2001, cujo título é ‘BIENAL DE VENEZA – O supermercado da Arte’. Outra grande notícia é a nomeação de Francesco Bonami como curador da próxima Bienal de Veneza e a reserva de espaços para a pintura figurativa Pós-Conceitual”, conclui.

Como se pode perceber, o cenário já está mudando e seria bom que alguns, agarrados ao supostamente renovador, se dessem conta do que acontece a sua volta e não esperassem 50 anos para perceberem as mudanças que já estão ocorrendo. A pintura, entretanto, jamais saiu de cena. E continuará, apesar das resistências. Aproveito a oportunidade deste artigo para fazer uma referência aos novos valores que surgem. O ceramista Paraguassu, a pintora Bergamasque e André Barbosa que considero grandes potenciais e que ainda não encontraram o espaço necessário neste tão concorrido campo das artes plásticas.

Tais reflexões propõem pensar o aparecimento da Arte Moderna e suas consequências como, por exemplo, a Arte Conceitual, e como estas consequências viraram-se contra sua própria origem. É necessário ampliar as discussões e espaços, pois a arte pertence ao campo fenomenológico e como tal sofre a sua mutabilidade e não se esgota, porque este ou aquele movimento reclama para si, as devidas e necessárias mudanças. Esquecem que a própria Arte Moderna nos legou estas possibilidades, e agora os supostos inovadores com pensamentos restritivos e obsoletos, negam a natureza da arte.


André Barbosa - s\ título - 2003

Aldo Trípodi – Crítico de arte, com curso de mestrado em Teoria e História da Arte pela UFBa, é professor de História da Arte, Cultura e Sociedade na UNIFACS e Arte-Educação na UNEB.


André Barbosa - s\ título - 2003

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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