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Presciliano
SUA VIDA

Marta Simões


Presciliano Silva (anos 40)
Foto: Voltaire Fraga

Presciliano Athanagildo Izidoro Rodrigues da Silva, nasceu em Salvador, na Rua das Mercês nº 162, em 17 de maio de 1883. Primeiro filho do segundo casamento de Possidônio Izidoro da Silva e Clotilde Rodrigues da Silva. Do primeiro casamento de seu pai Presciliano teve quatro irmãos: Lídia, Possidônio, Francelina (França), e Floriano (Nô); e do segundo, três que foram: Emídio, Salustiano (Salu) e Lucila. França, apesar de ser mais velha uns dez anos, acompanhou Presciliano até o seu falecimento. Nô foi um conhecido restaurador e dourador de igrejas. Entretanto, foi Clotilde, a mãe, sua maior admiradora e incentivadora.

Desde a infância Presciliano demonstrou facilidade para o desenho o que se efetivou através de sua vida como verdadeira vocação e grande talento. Ainda menino costumava “decorar” as calçadas da rua e o adro da Igreja da Piedade com caricaturas e “rabiscos” em carvão. Embora isto provocasse aborrecimento para alguns, para outros era motivo de alegria reconhecer o talento que se evidenciava naquela criança. O fato jamais foi contrariado por sua mãe, Coló, que não escondia a admiração e um certo orgulho pelo filho, tão pequeno e já “artista”.

Não apenas na rua, mas também na escola os trabalhos de Presciliano provocavam comentários de reconhecimento pelo seu talento para desenho e pintura. Quando completou 13 anos sua mãe o matriculou na Escola de Belas Artes; e foi por esta mesma época que ele começou a freqüentar o Liceu de Artes e Ofícios como aluno particular do professor Manoel Lopes Rodrigues, que se tornou não apenas seu mestre, mas um grande amigo.

O desempenho de Presciliano como aluno foi brilhante, sempre. Já no curso superior da Escola de Belas Artes, foi distinguido com medalhas de ouro e de prata e ainda, premiado com bolsa de estudos no estrangeiro (1902) – Prêmio Caminhoá.


Presciliano em Concarneau
Foto: Charles

Enquanto aguardava a efetivação da bolsa, Presciliano viveu uma experiência de caráter jornalístico colaborando no Papão – primeiro jornal de Ernesto Simões Filho, onde elaborava ilustrações e caricaturas sob o pseudônimo de Bailon.

Em 1905, com apoio, incentivo e recomendações de seu mestre e amigo Lopes Rodrigues, o jovem Presciliano partiu para Paris onde foi estudar na renomada Academia Julien, por onde haviam passado grandes mestres da pintura como: Van Gogh e Toulouse-Lautrec. Teve como professores Adolphe Dechenand, Jules Lefebore e Robert Fleury.

Em Paris, Presciliano teve momentos gloriosos, mas, também viveu momentos dolorosos. O preconceito que havia em relação a brasileiros e latino americanos de um modo geral, fez com que fosse chamado de “o selvagem brasileiro”; também o início de uma surdez que o atormentaria pelo resto da vida, foram dificuldades que precisou enfrentar em seu período parisiense. A surdez de Presciliano era uma surdez nada silenciosa: resultante de uma esclerose do tímpano ela era responsável pelo surgimento de ruídos quase intoleráveis que o acometiam constantemente, dificultando sua audição de forma expressiva.

Durante sua permanência na França visitou muitas vezes a Bretanha, principalmente Concarneau, local de maior inspiração, por suas luzes e cores. De seu encantamento por Concarneau resultaram fabulosos óleos: marinhas, paisagens e seus primeiros interiores.

Presciliano volta à Bahia três anos depois onde expõe seus trabalhos e vende muitos deles. Este sucesso o encoraja a partir para o Rio de Janeiro, capital federal, capital do romantismo e da boemia. Nesta época Olegário Mariano, e outros amigos, escritores, poetas e boêmios ajudaram-no na promoção de sua exposição naquela cidade. Foi nesta oportunidade que o governo federal adquiriu o quadro intitulado Interior Bretão doando-o para a Escola Nacional de Belas Artes.


Interior Bretão – 1905
Foto: Acervo família

Entre Rio de Janeiro e Salvador, entre exposições e vendas, Presciliano decide voltar à Paris no intuito de aperfeiçoar mais ainda a sua arte. E assim, no ano de 1912, tem a satisfação de ver um trabalho seu aceito pelo Salão Oficial de Artistas Franceses: o retrato de Madame Lê Clinche.


Presciliano em Paris – Salão Oficial de Artistas Franceses –1912
Foto: Acervo família

Foi então que os rumores da Primeira Guerra o forçaram a voltar definitivamente para Salvador, no ano de 1913.

Começa Presciliano uma nova fase de sua vida. Monta o seu próprio atelier, na rua do Bângala e põe-se a pintar... Pintando livremente, pintando sob encomenda, pintando pelos simples prazer de pintar; a pintura era a sua vida e sua própria essência. Também, vamos encontrá-lo, nesta época, ministrando aulas particulares de pintura.

Datam deste período: o teto da Igreja da Piedade (estupidamente caiada alguns meses após a sua morte), o mural do salão nobre do Palácio da Aclamação, dos salões do Quartel General na Mouraria, da Prefeitura Municipal e dos afrescos no teto e nas paredes das residências de Góes Calmon e Fernandes Dias.

Como bom artista que era, Presciliano freqüentava rodas de arte e boemia, como a Nova Cruzada, o Arco e Flecha e a Ala das Letras e das Artes.

Em 1916 torna-se professor da Escola de Aprendizes e Artífices (Escola Técnica de Salvador) tendo prestado concurso público. Duas das suas mais belas obras a Oração da Tarde e a Última Porta o consagraram definitiva e publicamente merecendo do grande jurista baiano Ruy Barbosa o seguinte comentário:

“Não sei se me engana a minha incompetência geral e, especialmente, a minha incompetência em materiais de arte. Mas como quer que seja, o meu instinto, minha intuição, algum gosto que terei, talvez, e o meu hábito de ver obras de mestres, me indicam em Presciliano Silva um talento das mais finas qualidades, um pintor de extraordinário merecimento e futuro”.
25 de janeiro de 1920
Ruy Barbosa


Entrada do Exército Libertador (1930) - (detalhe) Foto: Voltaire Fraga

Nesta nova década, Presciliano expõe em Recife – Pernambuco e, mais uma vez em Salvador com reconhecido sucesso em seus interiores: Confidências, Manhã no Carmo e Ex-voto de Bandeirantes.

Consolidando sua carreira magistral, torna-se professor da Escola de Belas Artes da Bahia, em 1928, onde, posteriormente foi catedrático, diretor e professor emérito.


A Última Porta –1920

Já em 1930, Presciliano conclui o seu maior trabalho: Entrada do Exército Libertador; tela monumental de 3,0m x 1,5m localizada no Paço Municipal de Salvador. Estudos desta obra, feitos em carvão encontram-se hoje no Museu Carlos Costa Pinto.

A década de 30 também será marcada por três grandes acontecimentos na vida de Presciliano: a aqui sição de sua casa, o seu casamento e o nascimento de sua filha.

A casa, localizada no Boulevard Suisso nº11 foi planejada e construída em função do seu atelier, um cômodo de 6,0m x 8,0m com 6,0m de pé direito, belíssima construção, engenhosamente iluminada e ventilada, teve a supervisão direta de Presciliano e a responsabilidade profissional do arquiteto e amigo Licélio Schreiner.

O casamento realizou-se com Alice Moniz, filha de Gonçalo Moniz, professor da Faculdade de Medicina da Bahia e de Maria da Purificação Moniz (Lilli). Alice que passou a chamar-se Alice Moniz Silva, com o casamento, era irmã dos Torres, colegas e amigos de Presciliano. Ela foi sua aluna de desenho e pintura por volta de 1915. Apaixonada, esperou pacientemente o consentimento de sua família para casar-se. Bela, inteligente, culta e sensível, Alice devotou a Prisciliano 31 anos de sua vida complementando a atmosfera artística da casa cantando com sua voz afinada, tocando piano com emoção. Alegre e ativa, ela demonstrava sua grande capacidade para realizar, com sucesso, agradáveis encontros e saraus.


Alice Moniz Siva, esposa – 1930

A paternidade de Presciliano realizou-se com o nascimento de Maria da Conceição, sua única filha e também sua mais bela e perfeita obra, que ele jamais retratou.


Maria da Conceição Moniz Silva – 1947
Foto: T. Dias

A década de 40 foi aberta com chave de ouro, ou melhor, com medalha de ouro, por sua tela Abstração, exposta no Salão Nacional de Belas Artes em 1941.

Um ano depois Presciliano brindou seus admiradores com uma exposição de estrondoso sucesso no salão do Clube Fantoches da Euterpe – 71 óleos e 7 desenhos.

Em 1945, na Biblioteca do Estado, expôs uma única tela: Interior da Igreja de São Francisco que foi visitada por 12 mil pessoas, conforme assinaturas no livro de presenças.

Ainda no Salão Nacional de Belas Artes conquistou medalha de honra com o Romeiro (1947) e medalha de ouro no Salão Paulista de Belas Artes com a tela Interior de São Francisco (1948). Outras medalhas lhe foram concedidas como a da Universidade Federal da Bahia em 1963, por ocasião dos seus 80, anos quando uma exposição retrospectiva foi montada no Museu de Arte Sacra.

Na década de 50, já aposentado, porém ainda pintando em seu atelier, Presciliano foi tomado de grande alegria e entusiasmo renovado com o nascimento de seus 3 netos. A luminosidade, característica de seus quadros, transformara-se, adquirindo novos tons, comentava Anísio Teixeira, seu grande amigo. Presciliano voltou a sair para pintar ao ar livre, voltou a atender antigas encomendas e a aceitar novas; foi quando pintou magníficos retratos como os de Simões Filho e Clemente Marianni.


Presciliano e seus netos : Mônica, Maurício e Marta – 1958

Segundo Alice, sua esposa, Presciliano pintou até os últimos dias de sua existência. A última pincelada foi no retrato da própria mãe que foi pintado aos poucos durante anos e sempre considerado inacabado pelo artista.

Em 1965, na inauguração da Galeria Convivium houve uma pequena retrospectiva de sua obra.

Em 7 de agosto do mesmo ano falecia o mestre Presciliano, no Rio de Janeiro, para onde se deslocara em busca de um tratamento especializado para um câncer do pulmão.

No ano seguinte, foi inaugurado no Jardim Suspenso, em frente ao Palácio da Aclamação o seu busto, em bronze, obra de Emídio Magalhães. Infelizmente esta peça foi roubada poucos anos depois e jamais foi substituída.

Outras homenagens que foram prestadas a Presciliano: inauguração de uma escola estadual com o seu nome em 1969; uma biografia e estudo crítico de sua obra por Clarival Valadares – Fundação Conquista em 1974; exposição de obras inéditas na Maria Augusta Galeria de Artes no Rio de Janeiro, 1980; homenagens diversas em seu centenário feitas pelo Governo do Estado, Universidade Federal, Academia de Letras e jornal A Tarde.

A vida de Presciliano encontra-se perpetuada em sua arte.

No pedestal do seu busto, a seguinte inscrição:

“O dom de perdurar é apanágio dos santos e dos artistas”.


Presciliano em seu atelier – 1965
Foto:Oliveirinha

PRESCILIANO – sua arte

As raízes da arte de Presciliano Silva nasceram com ele. Quando ainda criança, desenhava caricaturas no passeio de sua casa e no adro da Igreja da Piedade. As raízes da arte de Presciliano apareceram quando na Escola de Belas Artes da Bahia seus trabalhos eram apreciados e reconhecidos pelos professores e amigos.

Contudo, foi na Academia Julien, em Paris que as raízes da arte de Presciliano se fincaram tornando-se fortes e definitivas, graças à qualidade do ensino que ali recebeu de excelentes professores (pintores, escultores e desenhistas), alcançando, assim, prestígio e reputação mundial.

A Academia Julien recebia alunos de toda a parte do mundo e os habilitava para os processos de desenho, pintura e escultura, enriquecendo-os de técnica e discernimento, sem impor caráter estilístico ou de época.

Observando a obra de Presciliano percebe-se que ele não foi um pintor de temática exclusivista, mas esteve sempre variando em suas experiências, enfrentando desafios, jamais se acomodando às superficialidades de época.

“Presciliano seguiu um rumo especial escolhido pelo seu talento. Filiou-se à escola nova e voltou impressionista a valer. Seus estudos mostram a preferência pelo ar livre, mas os seus interiores mostram-no ousado dos segredos das paletas ricas em recursos. Seu desenho é vigoroso e certo; as duas qualidades principais do artista” (Lopes Rodrigues, 1908). Declaração de seu mestre e amigo, raiz mais profunda de sua arte!

Tanto Lopes Rodrigues como Presciliano Silva foram pintores do realismo, do ecletismo-acadêmico, sob o rigor de uma formação difícil, prolongada e altamente disciplinada, porém tolerantes com o modernismo ou com qualquer conduta estética ou estilística, desde que embasada no desenho, alicerce para a construção da pintura.

A obra de Presciliano é caracterizada pela maestria do desenho e perfeição da perspectiva, realçando densidade e formas. Sua pintura possui imensa riqueza nos detalhes, minúcia delicadíssima, luminosidade ideal.

Sendo, por muitos, definido como impressionista, Presciliano era especificamente pontilhista.

Em seus quase 60 anos de trabalho Presciliano abrangeu vários temas, desde paisagens, marinhas até retratos e interiores passando, também, pela pintura histórica e religiosa.

Cada obra de Presciliano era, invariavelmente, iniciada a lápis, elaborando um “croqui” onde cada detalhe era estudado e os desenhos feitos com traços fortes, vigorosos e perfeitos. A segunda etapa era feita a carvão, criando esboços, que se estivessem a gosto do mestre tornar-se-iam telas. Contudo, antes de se tornarem telas sofriam um longo e cuidadoso processo de trabalho artesanal feito, por ele mesmo, e constando de etapas: a colocação da tela, de linho especial, em um quadro de madeira, utilizando-se de cunhas para esticá-la muito bem; o tratamento da tela com cola, gelatina, óxido de zinco e secante (verdadeira alquimia); a quadriculação perfeita da tela a carvão; armação das teias de fios das perspectivas (fundamental para interiores); a execução a carvão do desenho já esboçado. Por fim, tintas na tela! Pontilhando cores, primeiro em tons claros e gradativamente, “esquentando os tons sem deixar queimar” como ele costumava dizer. Sua paleta continha 13 cores básicas; combinando-as, temperando-as, Presciliano produzia milagres em luz!

“Deus fez a luz mas deu ao artista o poder de discipliná-la” afirmava Presciliano. E ele foi, realmente, um disciplinador da luz, fazendo-a refletir, incidir, dispersar ou sombrear.


O Romeiro – 1948
Foto: Ribeiro

As cores utilizadas por Presciliano eram preta, verde esmeralda, azul ultramar, azul cobalto, rouge de veneza, vermelhão, laca garoude, branco de zinco, ocre amarelo, amarelo limão, amarelo laranja, “marronzinho” e “marronzão”.

Com intensas e bem sucedidas experiências o mestre brincava com suas cores, o mestre amava suas cores.

“Eu acho que Presciliano também teria dado um grande escultor. O seu professor de escultura Gabriel Scutis, inclusive, lutou com Lopes Rodrigues por causa disto. Mas eu sei porque Presciliano preferiu a pintura: foi por causa da cor. Ele adorava as cores diversas, como elas ficavam bonitas juntas!” (Alice Moniz Silva - 1983)


Presciliano e Família: Alice, Maria, Marta, Maurício, Mônica, Diana e Mosca – 1958
Foto: João Batista

PRESCILIANO – meu avô

Presciliano Athanagildo Izidoro Rodrigues da Silva!

Um nome tão grande! Um nome tão antigo! O nome de meu avô.
Quando eu era criança gostava de ficar repetindo na memória: Presciliano Athanagildo Izidoro... Achava interessante, diferente, único. Só mesmo o meu avô para ter este nome: e ficava a repetir: Presciliano, Presciliano, Presciliano...

No meu aniversário de 8 anos não houve festa como era de costume. Estávamos todos tristes. Nunca mais iríamos ver o meu avô Presciliano. Este foi o meu primeiro contato com a morte, esta viagem que não tem volta. De fato, ele havia viajado para o Rio de Janeiro; estava muito doente e talvez fosse operado.

Lembro um pouco de tudo isto. Meu avô não retornou da viagem. Também lembro que ao saber que ele não mais voltaria, que eu não poderia vê-lo nunca mais, chorei muito.
Hoje, lembrar de meu avô Presciliano é ser invadida por uma paz imensa, por uma onda de ternura e serenidade.

Hoje vem até mim a lembrança de muita suavidade, paciência, bom humor e doçura
Lembro, com nitidez, seu jeito de sentar em frente ao cavalete, espigado, braço estendido, pincel na mão, sandálias Franciscano, aparelho no ouvido, óculos, cabelos grisalhos, cheios e gostosos de pentear. A bengala ficava ao seu lado.

Lembro de muitos gestos e olhares ternos, cúmplices, cheios de amor.

Lembro de como me sentia segura e protegida estando ao seu lado e de quanto ele me amava. E como me amava...

Meu avô amava a família, os amigos, a natureza, os animais! Meu avô amava a vida, amava intensamente a sua arte.

Quando eu era ainda muito criança já percebia o amor como um sentimento muito forte em vovô: intenso e extenso.

Seu amor pelos animais tornou-se herança adquirida pela filha, transmitida aos netos e bisnetos. Cachorros, gatos, macaco, papagaio, galinhas, pavão, soltos no quintal ou dentro de casa, no sofá, no colo, na cama!

Outra lembrança nítida: a do seu atelier, cheio de coisas lindas, misteriosas, de tintas que se transformavam em pinturas maravilhosas! Ali, brinquei de esconde-esconde, ali muitas vezes dava asas à imaginação, soltava as rédeas da fantasia... Quem seriam os personagens retratados? Como seria possível de simples tubos de tintas surgirem coisas tão lindas? Quantas fantasias vivi naquele atelier de meu avô. Jamais poderia descrevê-las.

Minha lembrança estende-se, também, à casa, repleta de arte: tapetes, cortinas, móveis, pinturas, esculturas, porcelanas... Tudo ali tão perto, tão simples e tão encantador. Peças e mais peças de arte da mais rara beleza!

Lembro ainda de como eu gostava de deitar no sofá da sala de visitas e de admirar aquele quadro: Farol Bretão com sua luminosidade cheia de mistérios.

No gabinete de minha avó havia outro quadro de que eu gostava muito: o Jarro Azul com Rosas Vermelhas aliás, gostava mais ainda da história do quadro. Ele foi um presente de amor do meu avô para minha avó: sete rosas vermelhas num vaso, representando os sete irmãos Torres e uma rosa caída, murcha que seria ele, Presciliano.

Humildade, bom humor, simplicidade, generosidade são outros atributos da sua personalidade que marcaram, profundamente, minha infância.

Marta Simões – Bacharel em Geologia pela UFBa e neta do mestre Presciliano Silva. Atualmente é coordenadora de escola comunitária, fundamentada na Pedagogia Libertadora, na Chapada Diamantina, Bahia.


Simões, Ruy. Presciliano Silva: cronologia, estudo, esboço. Salvador: Centro Editorial e Didático da UFBa, 1983.
Valadares, Clarival. Presciliano Silva. Rio de Janeiro: Fundação Conquista, 1972.

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