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MUSEU RODIN BAHIA
Um complexo cultural de estímulo às artes plásticas
Eulâmpia Reiber

Até março de 2006, a Bahia contará com mais um espaço de estímulo criativo, intercâmbio e de difusão artístico-cultural, com a inauguração do Museu Rodin Bahia. Integrando-se à política governamental de dinamização e fortalecimento dos museus, o Rodin Bahia tem como objetivo básico ampliar as possibilidades de incentivo e desenvolvimento das artes plásticas na Bahia, muito especialmente da escultura, embora esteja também aberto a outros segmentos e formas de expressões no plano das artes moderna e contemporânea.


Em pleno processo de implementação da terceira etapa – a mais longa das cinco que integram o processo de desenvolvimento do seu macro projeto de implantação – o Museu Rodin Bahia pautará sua atuação a partir de uma relação interativa com outros museus, com os diversos segmentos do universo artístico e cultural e com a comunidade baiana em geral. Ao lado do Museu de Arte da Bahia e do Museu de Arte Moderna da Bahia, ele será um dos grandes vetores das artes plásticas na Bahia.


Escultura O Pensador


Objetivos estratégicos

O Rodin será um agente de promoção artística e cultural e de apoio a iniciativas que contribuam para a afirmação de novos valores e talentos, atuando como pólo de irradiação para a escultura, tendo como referência o pensamento e a arte de Auguste Rodin, contribuindo na conquista de novos públicos para os museus. O Rodin também irá contribuir para o fortalecimento dos elos artísticos e culturais que historicamente sempre distinguiram as relações entre a França e Bahia.

Entre os objetivos estratégicos do Museu está o de estimular o desenvolvimento das artes plásticas, apoiando iniciativas que contribuam para o fortalecimento da manifestação criativa no plano da escultura, com a promoção de meios de aprendizado e formação da arte e das técnicas da escultura, a partir de um programa inovador de educação e inclusão social.
O Rodin Bahia vai criar vínculos de cooperação e parceira com as universidades, com outras instituições científicas e de ensino, bem como com entidades sócio-culturais-comunitárias e organizações do terceiro setor, em função de um programa de desenvolvimento artístico e pedagógico de interesse comum. Outro propósito é colaborar nos processos de consolidação da vocação da Bahia como pólo de turismo cultural, promovendo novas possibilidades que contribuam para o aumento do fluxo de visitantes, nacionais e estrangeiros.


O Projeto

As exposições Rodin, realizadas no Brasil entre 1995 a 2001, mostraram a empatia do público brasileiro pela obra de Auguste Rodin, grande escultor francês mundialmente prestigiado. Cerca de um milhão de pessoas visitaram as obras de Rodin durante as exposições realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Fortaleza e Salvador. Na capital baiana, por exemplo, a exposição Rodin, realizada no início de 2001 no Museu de Arte da Bahia, atraiu cerca de 52 mil visitantes, público esse formado por pessoas de todos os extratos sociais e faixas etárias, constituindo um verdadeiro fenômeno ainda hoje não superado por qualquer outra exposição de arte.


Fachada do Palacete Comendador Bernardo Martins Catharino

Pela força da sua dinâmica e diversidade culturais, a Bahia foi escolhida para sediar o Rodin, numa proposta conjunta, idealizada pelo artista plástico baiano Emanoel Araújo, coordenador das exposições Rodin e então diretor da Pinacoteca de São Paulo, e por Jacques Vilain, Diretor do Museu Rodin Paris, a qual foi acatada pelo Governo do Estado da Bahia com o propósito de ampliar as condições de desenvolvimento das artes plásticas e reforçar a vocação de Salvador, transformando-a num pólo referencial da escultura no País.


Um convênio de cooperação bilateral França-Bahia foi firmado em 24 de maio de 2002 pelo Ministério da Cultura e da Comunicação da França e pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Cultura e Turismo. Para gerir o Museu foi criada a Associação Cultural Auguste Rodin – Rodin Bahia – entidade civil, sem fins lucrativos, parte integrante do acordo bilateral França-Bahia. Esse acordo foi considerado excepcional na política de cooperação internacional da França, constituindo um fato inédito, como o primeiro comodato dessa natureza em favor de um museu fora do país face seu patrimônio cultural, ao ceder ao Museu Rodin Bahia sessenta e duas obras originais do escultor Auguste Rodin, em regime de comodato, renovável, no seu todo ou em parte, a cada três anos, a contar da data de inauguração.

Segundo Jacques Vilain, esses originais de Rodin, em gesso, pertencentes ao patrimônio nacional francês, estão inscritos nos inventários das coleções públicas da França como peças inalienáveis do Estado francês e sua cessão ao Rodin Bahia dá-se em função do conhecimento, da apreciação e da satisfação por parte dos diversos públicos na América do Sul. Além dessa coleção de obras originais de Rodin, em gesso, constituem ainda contrapartidas por parte da França: assessoria, restauro de obras, difusão e intercâmbio, e cooperação técnica permanente nos processos de desenvolvimento dos programas pedagógicos do Museu. De parte do Estado da Bahia, são as seguintes contrapartidas: infra-estrutura básica, com a cessão do Palacete Martins Catharino e os suportes necessários à sua implantação, como serviços especializados e contratação serviços técnicos para elaboração de projetos básicos e complementares.

Por ser patrimônio do Estado e apresentar características arquitetônicas e ambientais mais adequadas a um museu dessa categoria, o Palacete Comendador Bernardo Martins Catharino foi escolhido para sediar o Museu. Situado na Graça, um dos bairros mais tradicionais de Salvador, essa mansão residencial, de estilo eclético, de autoria do arquiteto italiano Baptista Rossi, construída em 1912, já tendo sido objeto de várias reformas ao longo dos anos, é uma das mais representativas edificações do início do século XX, testemunho e objeto do grande processo de transformação urbana porque passou a cidade do Salvador.

O Palacete foi adquirido em 1983 pelo governo do Estado, de modo a evitar que fosse demolido para ceder espaço à construção de edifícios residenciais, como acontecera com tantas outras mansões do bairro. O edifício e seu jardim foram tombados em 1986 pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), por indicação do Conselho Estadual de Cultura. Atualmente, o Palacete está sendo submetido a um rigoroso trabalho de restauração e de adequação ao novo uso, sob a responsabilidade do IPAC, devendo resgatar o esplendor dos seus elementos artísticos matriciais e se capacitar a abrigar com segurança a coleção de originais de Rodin e as demais atividades do programa de desenvolvimento do Museu em prol do usufruto público.

Arquitetura e Museografia

O projeto de arquitetura do Rodin Bahia, de autoria dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, promove um diálogo entre o secular e o contemporâneo, buscando uma relação de equilíbrio entre eles na configuração dos três grandes ambientes: o palacete, o edifício anexo e o parque das esculturas.


O Palacete Comendador Bernardo Martins Catharino, com seus múltiplos espaços distribuídos pelos três pavimentos, vai abrigar um centro de referência, o memorial do palacete, um auditório; a butique do Museu, espaços destinados às atividades sócio-culturais-educativas e à administração e as salas expositivas.

O Edifício-Anexo, construção moderna em concreto armado aparente, com 1.400 m2 de área construída, será o grande suporte no processo de dinamização do Museu. Com três pavimentos, terá um mezanino que abrigará as exposições temporárias de arte contemporânea; um pavimento térreo para o café/bar, com acesso ao Parque das Esculturas; e um sub-solo, que abrigará os espaços destinados aos setores técnicos e logísticos do Museu.


O Parque das Esculturas, no jardim do Palacete, a partir de projeto paisagístico de Raul Pereira, será um espaço de convivência social e de fruição a céu aberto, contando com um acervo permanente de esculturas monumentais, em bronze, de Auguste Rodin: L’homme qui marche sur colonne, Jean de Fiènnes nu, La Martyre e Torse de l’Ombre, adquiridas pelo Governo da Bahia e pela iniciativa privada.


A Passarela de 18 metros de comprimento, à altura do mezanino com o 1º pavimento do Palacete, integra o circuito de circulação do Museu e forma o elo de ligação entre os dois imóveis, compondo assim um diálogo permanente de convivência harmônica entre todos os ambientes desse Complexo Cultural.

Ação pedagógica

A ação pedagógica é a grande âncora dos processos educativos do Museu Rodin Bahia. Entre as ações, destaca-se a programação especial de visitas monitoradas para grupos escolares e para grupos especiais de inclusão social; programação sistemática de cursos e de oficinas pedagógicas de expressão e técnicas artísticas, muito especialmente no plano da escultura, voltada para estudantes e jovens carentes de oportunidade; palestras, conferências, encontros, seminários e workshops, incluindo-se teleconferências com o Museu Rodin Paris e outros centros de arte.


O Rodin Bahia também vai realizar ações cooperadas com as universidades e instituições afins para estudos e pesquisas, promover atividades artísticas e socioculturais de extensão com grupos comunitários de Salvador e com entidades do terceiro setor, assegurando troca de conhecimentos, de idéias e de experiências, bem como uma relação de proximidade e participação com diferentes segmentos da população baiana nesse processo.


A exposição do acervo de originais Rodin e as mostras temporárias de arte serão objetos de um programa curatorial sob a coordenação de Lílian Tone, especialista com larga experiência na área, atuando há dezessete anos como curadora no Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma). As exposições das obras de Rodin, de longa duração, serão realizadas no Palacete; as exposições temporárias de arte contemporânea, de média e curta duração, estarão no Edifício-Anexo; no Parque das Esculturas ficará, em exposição permanente, o acervo de obras monumentais de Rodin, em bronze.


O Rodin Bahia abrirá novas possibilidades de participação, de intercâmbio e de informação para artistas brasileiros e do exterior e de ampliação das condições de participação da Bahia no circuito mundial das grandes exposições de arte. Ações articuladas e agendas de interesses comuns com outros museus deverão promover condições de integração com base num trabalho conjunto que possa oferecer à cidade do Salvador e aos seus visitantes uma programação cultural articulada e diversificada de museus, de natureza complementar e integrada.


Na linha do intercâmbio, uma programação de encontros e de workshops com artistas expositores, curadores e críticos convidados buscará expandir o leque de oportunidades que os museus baianos já oferecem, contribuindo assim para que jovens talentos e artistas consagrados possam dispor de maiores condições em seus processos de criação, de troca de idéias e de experiências, bem como à difusão de suas obras, assegurando também assim ao público interessado novas possibilidades de leitura e de fruição da produção artística local.
Concursos e premiações relacionados com Rodin e sua obra, bem como outros mecanismos de comunicação, intercâmbio e difusão, serão implementados, a exemplo do programa bolsa-residência, que buscará ampliar o universo de possibilidades de formação e de intercâmbio para artistas, da Bahia e de fora do Estado.


Rodin trabalha no busto do pai, 1863
Foto: Charles Aubrey

Ainda nessa linha de difusão, incorpora-se o programa editorial do Rodin Bahia, através do Selo Editorial Coleções Rodin Bahia, criado em setembro de 2002 como mecanismo e estratégia de incentivo e divulgação das artes plásticas na Bahia. Já foram editados o folheto Celebração, poema de tradução livre do Prof. Waldir Freitas Oliveira, em homenagem ao bi-centenário de Victor Hugo, o livro Mário Cravo – O Desafio da Escultura na Bahia – A arte moderna na Bahia 1940 a 1980, e o livro Gordas, da escultora Eliana Kerstèsz.


O Artista

Um dos maiores expoentes da arte mundial, René- François-Auguste Rodin, nasceu em Paris em 12 de novembro de 1840. Estudou desenho e modelado a partir dos 13 anos. Aos 18, passou a trabalhar como moldador, confeccionando objetos ornamentais.


Escultura O Beijo

Admirador de Carpeaux, Rude e Michelângelo, um de seus maiores inspiradores, Rodin está para a escultura, assim como Van Gogh, Gauguin e Cèzanne estão para a pintura.

Considerado pai da escultura moderna, ele introduziu dois conceitos formais, relativos a aspectos espaciais e ambientais, que exerceram uma influência duradoura na escultura moderna: a estética do fragmento e a estética do bloco.


O Beijo, A Porta do Inferno e O Pensador são algumas das obras de Rodin que estão entre as mais famosas da escultura européia e universal. Uma série de bustos, como o de Victor Hugo (1909), Octave Mirbeau (1889), Puvis de Chavannes (1891) e Clemenceau (1911) contribuíram para situar Rodin como mestre na arte do retrato em relevo pleno. O Monumento à Balzac, de corpo inteiro, gerou polêmica, a partir de 1898, por já apontar para o ideário da arte moderna. Admirado pela elite européia e considerado uma glória para a França, Auguste Rodin morreu em Meudon em 17 de novembro de 1917.


Eulâmpia Reiber – Vice-presidente da Associação Cultural Auguste Rodin – Rodin Bahia

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