PÚBLICOS
E MERCADOS CULTURAIS
PARA O TEATRO BAIANO
Sérgio
Sobreira
Analisar o teatro baiano
a partir de um enfoque mercadológico
demanda, a priori, a compreensão
dos elementos que configuram e dão
forma a este mercado e seus atributos. Portanto
faz-se necessário também desvendar,
ainda que de maneira elementar, os mecanismos
e instrumentos que regem a produção
de cultura a partir do advento do marketing
cultural.
A revolução
industrial seguida do surgimento dos meios
de comunicação de massa inaugurou
uma era de produção e difusão
de bens, inclusive no campo da cultura,
numa amplitude nunca vista. Ao mesmo tempo,
o estabelecimento de um mercado de consumo
de bens produzidos em larga escala, introduziu
atributos econômicos como a concorrência
e os estudos de comportamento - pesquisas
de mercado - para determinação
de hábitos de consumo.
No esteio desse quadro surgem novos paradigmas.
O termo indústria cultural foi empregado
pela primeira vez em 1947, com o objetivo
de identificar um tipo de cultura que integra
e trata os seus consumidores como algo homogêneo.
Não se refere a um tipo de cultura
que surge das massas, mas a um tipo que
se dirige às massas, especulando
sobre o estado de consciência e inconsciência
de milhões de pessoas, estabelecendo
padrões de comportamento, incentivando
modismos, determinando o que é certo
e errado, o que está e o que não
está na moda.
No curso dessa era midiática os comportamentos
devem ser homogeneizados. Para o mercado,
a racionalidade da mais valia econômica
estabelece novos conceitos de produção,
veiculação e circulação.
A premissa de alcançar custos baixos
e lucros máximos defende o enquadramento
das pessoas em modelos padronizados.
Os oponentes a esse processo de homoge-neização
do comportamento defendem a tese de que,
com isso, os indivíduos, aos poucos,
perdem sua identidade, passando a se identificar
com aquilo que é “global”.
Este embate vem a culminar com a afirmação
dominante da globalização
e seus paradigmas, notadamente a partir
dos anos 90. Por outro lado, em vários
agrupamentos sociais tem recrudescido com
força a afirmação dos
valores da cultura popular e da cultura
tradicional, em contraposição
e enfrentamento à homogeneização
do comportamento.
Em meio a este embate e todas as derivações
que contaminam o campo da cultura em seus
mais distintos estados de representação,
temos toda sorte de conflitos e contraditórios,
que se por um lado sustentam a polarização
das discussões, por outro lado não
conseguem transcender ao fato de que as
imposições mercadológicas
estão aí como fato consumado,
e que acima do viés ideológico
que subsidiam as discussões, o fator
econômico da cultura é inexorável
e como tal deve ser abordado e compreendido.
No caso do teatro baiano, temos um episódio
emblemático. No dia 24 de novembro
de 1989, estréia na Sala do Coro
do Teatro Castro Alves, o espetáculo
“A Bofetada”, uma realização
da Companhia Baiana de Patifaria, que viria
a se tornar um marco na história
recente do teatro baiano.
Até então - notadamente no
período compreendido entre os anos
70 e 80, os grupos teatrais e elencos ficavam
meses ensaiando para permanecerem alguns
dias ou, no máximo, poucas semanas
em cartaz. Contrapondo-se a essa realidade,
“A Bofetada” vem a atingir sucesso
de público em temporada continuada,
e vai alcançar índices de
público e de permanência em
cartaz nunca antes experimentados.
“A Bofetada” obtem, paulatinamente,
o reconhecimento da crítica e da
mídia, tornando-se também
um espetáculo cultuado e, ao mesmo
tempo, bem sucedido comercialmente. Na esteira
deste sucesso, outras produções
passam a conhecer o êxito de permanecer
em cartaz por longas temporadas e a atrair
para a platéia um público
estimulado a se identificar com a nova cena
baiana, pautada, sobretudo, pela comicidade,
pelo humor e pelo histrionismo. Vários
sucessos deram segmento a esse novo perfil
de criação/produção
como “Los Catedrásticos”,
“Os Cafajestes” e “Noviças
Rebeldes”.
Este salto quantitativo e qualitativo atraiu
o interesse geral do público e da
mídia para o teatro produzido aqui.
Em decorrência disto, outros gêneros
teatrais, como dramas e tragédias,
alcançaram um sucesso até
então inédito para espetáculos
mais densos e de assimilação
mais complexa, como “O Sonho”
(1996/1997), “Medeia” (1997/1998)
e “Divinas Palavras” (1997/1998).
Ocorre um verdadeiro “boom”
cultural, com a construção
de novas salas de espetáculos, recuperação
e/ou reforma de teatros já existentes,
além do advento de novos meios de
fomento à produção
como os prêmios de montagem e circulação
(através de editais), as leis de
incentivo e os troféus. Os investimentos
dispendidos pelo governo estadual têm
sido vultosos, e a política cultural
exarada pelo governo vai estabelecendo progressivamente
novos mecanismos de interlocução
entre os segmentos que compoem a cena cultural
baiana. A guisa de exemplo, o aporte de
recursos públicos para manter projetos
como os do Teatro Vila Velha e Teatro XVIII
se insere nessa pluralidade de mecanismos
criados pelo governo na sua interface com
os artistas e produtores, e tem possibilitado
a existência de programas que contemplam
ações diversificadas e dão
sustentação ao projeto étnico-antropológico
do “Vila” e a popularização
da formação de platéia
do “XVIII”. Além disso,
práticas gerenciais, antes impensadas,
passam a ser essenciais à realização
do espetáculo teatral, enquanto que,
ao mesmo tempo, determinados instrumentos
promocionais são incorporados, progressivamente,
ao processo de produção cultural.
Diversos fatores contribuem para o estabelecimento
deste sucesso, e não queremos negar
ou diminuir a clara determinação
que aspectos artísticos e cênicos
têm tido, mas nossa especulação
é que a incorporação
pelos meios de produção de
estratégias de comunicação
melhor estruturadas, também veio
a ter influência decisiva na determinação
deste sucesso. O teatro baiano estava aprendendo
a dialogar com os seus públicos e
mercados, seja como arte, seja como negócio.
É por essas razões que “A
Bofetada” se torna emblemática.
Até o final dos anos 80 os recursos
promocionais utilizados pela produção
dos espetáculos teatrais eram absolutamente
modestos quanto ao alcance da divulgação.
Faziam-se, no mais das vezes, apenas impressos
gráficos – cartazes, programas
e panfletos – e, eventualmente, investia-se
algum dinheiro em faixas e/ou “big-hands”
(também conhecidos como lambe-lambes).
É necessário destacar que
naquele contexto, o entendimento de cultura
como mercado/negócio era precário.
Os próprios artistas, em sua grande
maioria, dependiam de outra atividade profissional
para sobreviver. Este era um dos resultados
visíveis da política que os
governos subjacentes ao golpe militar empreenderam
na perspectiva da desarticulação
e desmobilização dos esforços
de criação/produção
teatral baiana, e os grupos sobreviviam
como focos de resistência, mas realizando
com e para poucos.
Como bem recorda Albino Rubim em seu ensaio
Comunicação, mídia
e cultura na Bahia contemporânea,
“...De um modo geral, quem ainda ficou
na Bahia e persiste em fazer cultura tem
que enfrentar a dura repressão da
polícia, atenta a cada possível
foco de insurreição contra
o novo regime. Como no caso do teatro: na
ocasião da estréia de As Senhoritas
— que havia sido proibida em todo
o País e foi montada pelo diretor
Alvinho Guimarães — o Teatro
Castro Alves foi invadido por policiais
e os atores foram espancados e humilhados.
Proibiram-se então, a todos os grupos
baianos, ensaiar nas dependências
do TCA, e houve um corte geral de verba
para o teatro.1 A Bahia que figurava como
estrela da cultura nacional e até
mesmo internacional era, cada vez mais,
uma lembrança distante.”
Ainda que produzindo e realizando em condições
adversas, os anos 70 e 80 conheceram espetáculos
e processos criativos de grande qualidade,
ainda que alijados de uma maior aproximação
com o grande público. De maneira
episódica, algumas produções
alcançaram uma efetividade de realização,
mas ainda circunscrita a uma dimensão
modesta no porte e o alcance.
A partir de “A Bofetada”, investir
em mídia passou a integrar gradativamente
o cardápio de toda receita de produção
que se pretendia bem sucedida. Como já
destacado anteriormente, a evolução
do mercado de produção possibilitou
o aporte de recursos para novos investimentos,
inclusive em divulgação.
Nesta mesma época, e por uma coincidência
que merece ser melhor investigada por pesquisador
mais afeito ao tema, a Prefeitura de Salvador
proibiu as faixas e os big-hands, mídias
caseiras, até certo ponto artesanais,
feitas em Oficinas de “fundo de quintal”,
muitas delas não constituídas
formalmente como empresas. Para a Prefeitura,
estas peças promocionais “poluíam”
a cidade, em parte por serem colocadas na
rua desordenadamente. Progressivamente,
houve um direcionamento para mídias
de largo alcance, como spots de rádio,
veiculação de chamadas de
TV e exibição de out-doors.
Assim, numa trajetória de pouco mais
de 10 anos, tivemos uma mudança substantiva
no perfil da produção teatral,
que está portanto co-relacionada
com a mudança no tipo de recursos
promocionais utilizados na estratégia
de comunicação dos espetáculos
teatrais.
Por outro lado, somente visibilidade não
faz o sucesso. A conjugação
de todos os fatores, principais e coadjuvantes,
determina o alcance do binômio que
é preciso tornar visível da
maneira certa e para o público certo.
As ferramentas advindas do marketing são
capazes de orientar como e para quem falar.
Isto posto, ao correlacionar os atributos
e conceitos fundamentais do marketing e
da comunicação contemporânea
com a produção do teatro baiano
nos anos 90, o que temos a interpretar é
de que modo essa incorporação
se deu. Assim sendo, o horizonte a ser desvendado
é em que medida a produção
teatral baiana têm sido eficaz na
utilização de estratégias
promocionais.
Em que pese a diferença significativa
entre os meios efetivamente colocados à
disposição de outras linguagens
presentes na cultura baiana, como a música,
e àqueles conquistados pelo teatro
aqui produzido, é fundamental reconhecer
que na última década, guardadas
as devidas proporções, o teatro
na Bahia atingiu resultados e realizou feitos
da mais alta relevância, conforme
já citado anteriormente.
Os fatores contributivos à obtenção
do êxito têm sido os mais diversos:
a escolha oportuna dos textos, a alta qualidade
interpretativa dos atores baianos, a pluralidade
estética de nossos encenadores aliado
ao talento dos diretores proporem dramaturgias
renovadas, a identidade facilmente estabelecida
entre a cena e os anseios e necessidades
do público; passando por outras variáveis
como o aprimoramento de todos os detalhes
da carpintaria teatral, a acessibilidade
da linguagem e a introdução
de novos elementos na relação
palco x platéia, atingindo-se um
grau de interatividade jamais vista antes.
Ainda assim, tudo isso não responde
isoladamente pela construção
do sucesso. Como afirma John B. Thompson,
“A produção e a circulação
de formas simbólicas nas sociedades
modernas é inseparável das
atividades das indústrias da mídia.
O papel das instituições da
mídia é tão fundamental,
e seus produtos se constituem em traços
tão onipresentes da vida cotidiana,
que é difícil, hoje, imaginar
um o que seria viver num mundo sem livros
e jornais, sem rádio e televisão,
e sem os inúmeros outros meios através
dos quais as formas simbólicas são
rotineiras e continuamente apresentadas
a nós”. 2
Assim, ao considerarmos o quão recente
é a existência da produção
teatral como negócio, veremos que
houve um crescimento significativo nos procedimentos
e nos instrumentos utilizados por estes
articuladores. Os meios de pressão
utilizados na relação com
os poderes políticos, pautados sobretudo
pelo estabelecimento de canais de mediação
e entendimento, têm assegurado ao
teatro baiano tanto reconhecimento quanto
mais participação nos insumos
são alocados pela ação
governamental de investimento na cultura.
Além disso, as novas formas de atuação
profissional para os trabalhadores de teatro
ampliaram as condições de
sobrevivência da categoria. A disseminação
e assimilação do teatro como
instrumento de ação pedagógica
no trabalho e na escola fez surgir um expoente
segmento de mercado de trabalho. O ramo
de eventos e outros tipos de efemérides
também abriu novos horizontes. A
apresentação de espetáculos,
a realização de oficinas,
como o Chapéu de Palha, integradas
a eventos comemorativos ou à programação
da pauta dos Centros de Cultura do interior
do Estado, dentro do programa de Circulação
Cultural, por exemplo, se articulam com
essa perspectiva. O mercado publicitário
tem vencido seus próprios preconceitos,
absorvendo cada vez mais o talento de nossos
intérpretes para protagonizarem peças
publicitárias daqui e de clientes
de outros Estados. Por fim, o surgimento
do Pólo de Teledramaturgia que, sem
dúvida, será mais um importante
meio de afirmação profissional
de nossos talentos advindos do teatro.
Existem ainda muitas batalhas a serem vencidas.
Para isso, urge cada vez mais o domínio
e a compreensão de como se dão
as relações no campo da produção
cultural e quem são os atores e os
canais de interlocução desse
processo produtivo. Neste sentido, as universidades
baianas precisam desenvolver pesquisas de
estudo e análise do contexto onde
a cultura se insere.
Algumas iniciativas já começam
a tomar forma. Como Professor, substituto,
da Faculdade de Comunicação
da UFBA, tivemos a oportunidade de ministrar
a disciplina “Com134 - Oficina de
Análise de Públicos e Mercados
Culturais” nos semestres 2001.2, 2002.1
e 2002.2. No desenvolvimento daquela atividade
didático-pedagógica, realizamos
com os alunos três pesquisas sobre
o perfil de consumo cultural de alguns segmentos
sociais.
Com os alunos do semestre 2001.2 nos debruçamos
sobre a comunidade da própria UFBA,
aplicando questionários e formando
um banco de dados sobre os hábitos
culturais dos estudantes e dos professores
daquela Universidade (estes em menor número
e peso dentro da pesquisa). A turma do semestre
seguinte (2002.1) escolheu pesquisar os
alunos das Universidades e Faculdades privadas,
com a perspectiva de alcançarmos
um estudo comparativo sobre os dois segmentos
semelhantes de público. No semestre
2002.2 o recorte foi ainda mais limitado
e pesquisamos sobre o grau de recepção
que os públicos que afluem aos espaços
onde as apresentações de eventos,
shows e espetáculos são realizadas
tem sobre as peças promocionais utilizadas.
Nos detendo ao que interessa especificamente
para este artigo, encontramos algumas constatações
curiosas nas pesquisas citadas, que estão
sendo mencionadas aqui sem o rigor devido,
posto que foram elaboradas empiricamente
pelos alunos, sem a pretensão de
estudo científico de profundidade.
A preferência do universitário
baiano, seja ele de faculdade gratuita ou
paga, pelas atividades de entretenimento
e lazer é acima de tudo para música
e cinema, segmentos sabidamente estruturados
com o “peso” da indústria
cultural. O surgimento do teatro numa terceira
posição dentre as opções
preferenciais de consumo cultural não
nos surpreendeu, posto que em nossa experiência
de produtor de vários espetáculos
teatrais realizados nos últimos 10
anos, vínhamos constatando a presença
expressiva e crescente de jovens universitários
nas platéias dos teatros da cidade.
Por outro lado, quando interrogamos sobre
os fatores que dificultam uma maior afluência
do público ao teatro, as respostas
encontradas elucidam de maneira inequívoca
que relação de valor é
feita: para a maioria o preço do
ingresso é “caro”. Comparando-se
o preço médio dos ingressos
de teatro – entre R$ 5,00 e 7,00 (valor
de meia entrada para os estudantes) e o
valor dos ingressos de shows musicais e
de filmes, vemos que não há
uma base efetiva para esta afirmação.
Muitas vezes os ingressos dos teatros são
até mais baratos, o conceito de “caro”
aí colocado expressa na verdade o
quanto os espetáculos teatrais ainda
se constituem uma opção secundária,
menos importante.
Uma outra curiosidade detectada foi o fato
de que por ser Salvador uma cidade de ocupação
demográfica um tanto esgarçada,
a precariedade do sistema de transporte
coletivo torna-se um fator de impedimento
a um maior acesso, e por conseguinte, um
maior consumo dos bens e produtos culturais,
que por sua vez estão concentrados
na área central e nos bairros nobres
da cidade, distantes portanto dos bairros
periféricos.
Parte expressiva dos entrevistados, moradores
dos bairros populares, assinalou que poderia
freqüentar mais os teatros se tivesse
meio de transporte adequado, e como à
noite os ônibus circulam em menor
quantidade e em horários bastante
restritos, este segmento potencial de frequentadores
fica alijado de um dos termos estruturantes
do mercado: a acessibilidade.
Outra fonte de informação
e reflexão veio da campanha “Teatro
Baiano – Emoção ao Vivo”,
realizada entre os dias 08 de maio e 1º
de junho passado pela EP Produções
e pela Da Rin Produções, com
o patrocínio do Governo da Bahia,
através do Fazcultura, e da Embasa
e da Vivo. Foi realizada uma pesquisa3 sobre
o “Perfil dos Frequentadores de Espetáculos
Teatrais em Teatros de Salvador” aplicada
sobre os públicos que compareceram
aos teatros participantes da campanha.
O público pesquisado foi classificado
por sexo e por faixa etária, e esta
segmentação confrontada com
aspectos como “motivação”,
“frequência”, “meio
de comunicação”, “preferência”
e “classificação”.
Dos 3.470 entrevistados 60,1 % eram mulheres
e 39,9 % eram homens, majoritariamente jovens:
30,1 % tinham entre 18 e 25 anos, 27,6 %
entre 26 e 35, enquanto 26,7 % entre 36
e 50 anos. Um dado curioso é que
65,6 % dos entrevistados se declararam solteiros.
Quanto a escolaridade, 43,7 % tem nível
superior e 43,6 % concluiu o segundo grau.
Já 12,8 % são pós graduados,
o que evidencia o quanto o teatro ainda
parece sustentar o equivocado estigma de
manifestação artística
intelectualizada e elitista.
Para estes, o tema do espetáculo
é o maior fator de motivação
de ida aos teatros (40,1 %) seguido da indicação
de amigos e parentes (20,2 %). Cabe aqui
umas especulação singular:
se a quase metade dos entrevistados afirma
se interessar pelo tema/história
do espetáculo, podemos deduzir que
a produção teatral está
sendo competente na veiculação
e na mensagem do que aquele espetáculo
trata, de modo que está atraindo
e alcançando o público que
se identifica com aquela montagem teatral,
logo o uso da mídia em todos os seus
segmentos está se tornando eficaz.
A freqüência mensal é
a que encontra maior número de adeptos
(28,3 %), seguido da ida trimestral (23,8
%). A ida quinzenal ao teatro vem a aparecer
em 4º lugar (16,6%), numa demonstração
evidente que há um potencial de mercado
a ser estimulado. Tornar a ida ao teatro
atividade mais regular é um ganho
mercadológico a ser conquistado.
Para se informar sobre a programação
cultural o meio de comunicação
mais utilizado pelos entrevistados é
o jornal (37,2 %), seguido pela TV (27 %)
e pela internet (17,7 %). Nossa especulação
é de que o formato mais acessível
do jornal faz com que este venha sendo o
meio mais eficaz para informar e divulgar
os espetáculos, enquanto que as campanhas
promocionais na TV como a “Janela
Para o Teatro” veiculada na TV Bahia
e os Vt’s exibidos por algumas produções
teatrais vem tendo uma ação
mais de reforço e ampliação
da difusão. Cumpre ressaltar que
a campanha “Teatro Baiano –
Emoção ao Vivo” dispunha
de mídia televisiva para os espetáculos,
logo este número alcançado
pela TV como meio de comunicação
utilizado pelos entrevistados está,
de alguma forma, “contaminado”
pelo próprio esforço promocional
da campanha.
Em relação ao gênero,
não chega a surpreender a expressiva
preferência pela comédia (45,4%),
seguido pelo drama (24,8%) e pelo musical
(22,0 %). As tragédias ainda têm
público restrito (5,5 %). Quanto
ao conceito que o público tem do
teatro baiano os resultados são animadores:
41,3 % acham muito bom, 38,4 % acham bom,
16,1 % acham excelente. Somente 4,1 % acham
regular, sem menção para ruim
ou péssimo.
Os resultados oferecidos pelas diferentes
pesquisas nos colocam diante da constatação
de que o teatro baiano tem um componente
mercadológico indiscutível.
Contando com diferentes meios de fomento,
nos quais a presença do Estado é
praticamente impossível de ser dissociada,
as produções teatrais avançam
na perspectiva da profissionalização.
Recursos captados através de programas
como o Fazcultura; dos prêmios de
montagem do Edital da Funceb e, eventualmente,
da Funarte; do apoio financeiro direto de
órgãos governamentais; do
patrocínio de empresas; dos nichos
mercadológicos de “teatro-empresa”
e “projeto-escola” e ainda de
outros meios diversificados de fomento,
têm injetado uma soma de valores considerável
que tem permitido que muitos artistas e
técnicos estejam sobrevivendo estritamente
de seu trabalho artístico.
Esta conjuntura certamente corrobora para
que, ao abrirmos os jornais de Salvador,
encontremos num só dia vinte e dois(22)
espetáculos teatrais em cartaz na
cidade. A ampliação do número
de palcos é ilustrativa deste cenário.
Mas certamente ainda estamos aquém
do potencial de crescimento deste mercado.
Como as pesquisas mostram, o teatro não
é a opção preferencial
de entretenimento do público soteropolitano,
que por sua vez, ainda se acha distanciado,
por diferentes fatores, do acesso às
salas de espetáculo.
Mesmo se considerarmos que os jovens constituem
a maior parcela deste público, e
que cabe aos produtores e artistas do teatro
baiano o desafio de manter esta adesão
(o que garantirá longevidade de platéia
se este público for mantido cativo),
ainda assim, existem muitos jovens que também
podem ser motivados e atraídos para
as platéias dos nossos teatros. Uma
interessante alternativa de ampliação
de mercado pode ser identificada na medida
em que soubermos comunicar a estes jovens
que ir ao teatro é uma opção
cultural e de lazer satisfatória,
prazerosa e a um custo acessível.
Aprimorar ainda mais as estratégias
de comunicação, consorciar
mais valor ao conceito que o teatro já
desfruta, ser capaz de desvendar novos mercados
e enfrentar as dificuldades estruturantes
com criatividade são alguns dos desafios
que se colocam como perspectiva e campo
de ação futura para o teatro
baiano. Enfrentar esses novos horizontes
vai requerer uma capacidade cada vez maior
de assimilar os ditames mercadológicos,
notadamente no campo da articulação
dos esforços de produção.
O teatro baiano pode se posicionar cada
vez mais no mercado como algo original,
inovador, criativo, capaz de agregar valor
e servir como instrumento vigoroso e eficaz
de divulgação e visibilidade,
ao mesmo tempo em que precisa ser competente
para preservar sua identidade e vocação
de obra artística única. Na
medida em que for capaz de conciliar arte
e mercado, cultura e negócio, o teatro
baiano crescerá cada vez mais.
BREVE CURRÍCULO
Sérgio Sobreira Araújo
é graduado em Administração
pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR.
Após participar do VI Curso Livre
de Teatro da UFBA, em 1990, passou a atuar
no mercado, notadamente como Produtor na
área das artes cênicas, onde
participou da produção de
espetáculos e projetos bem sucedidos
como “O Sonho” (Dir. Gabriel
Vilela), “Medeia” (Dir. Hans
Ulrich Becker), “A Megera Domada”(Dir.
Tereza Costalima), “A Cobra Morde
o Rabo” (Grupo A Roda Teatro de Bonecos),
“Bispo, O Senhor do Labirinto”
(Dir. Edgar Navarro/João Miguel),
Projeto “Quarta Que Dança”,
dentre outros.
Em paralelo à carreira de produtor
artístico, tem atuado ainda como
gestor cultural, tendo sido Coordenador
de Mobilização Cultural do
Programa de Educação Ambiental
“A Natureza da Paisagem”, realizado
em parceria pela Conder com a ONG Rio Cine
Festival de 1995 a 1997. Anteriormente,
atuou como gestor de projetos e programas
governamentais em diversos órgãos
no Ceará e na Bahia, nas áreas
de recursos humanos, reforma agrária
e previdência parlamentar.
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3 Pesquisa realizada através da TRIUMPH
Consultoria em Turismo Ltda.
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