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OS DEZ ANOS EM CENA DO NOVO

TEATRO CASTRO ALVES

O complexo cultural é um dos mais prestigiados do Brasil

Agnes Cardoso


O ano de 2003 é muito especial para o Teatro Castro Alves porque nele se comemoram os 10 anos de reabertura, após a grande reforma, feita a um custo de 10 milhões de dólares, pelo então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. A obra, realizada sob aprimorado padrão técnico e fiel ao projeto original modernista, permitiu que a maior casa de espetáculos do Estado se transformasse, nos últimos 10 anos, em um dos mais concorridos complexos culturais do Brasil, por onde já passaram as mais importantes companhias de dança e teatro, astros e estrelas da música erudita e popular.

No TCA, o público aplaudiu mitos internacionais como o bailarino Mikhail Barishnikov, os balés Bolshoi e Kirov, a cantora Monserrat Caballé, o maestro Zubin Metha e a Orquestra Filarmônica de Israel. Entre os ícones nacionais, não faltaram João Gilberto, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Marília Pêra, Bibi Ferreira e Paulo Autran, entre tantos outros. Até o final deste ano mais de 3 milhões de espectadores terão passado pelos espaços do TCA e assistido a mais de 3 mil espetáculos. O TCA é vinculado ao governo do Estado, através da Secretaria da Cultura e Turismo e Fundação Cultural.


Balé Teatro Castro Alves - Coreografia Uaikuru
Foto: Isabel Gouvêa

“O complexo cultural TCA compreende a Sala Principal, Concha Acústica e Sala do Coro, espaços modernos e bem equipados, com propostas bem definidas, que permitem apresentar espetáculos para públicos bem diversificados”, explica o diretor do teatro, Theodomiro Queiroz. Além dos espaços físicos, o TCA conta também com dois corpos artísticos estáveis: a Orquestra Sinfônica da Bahia , fundada em 1982, formada por 65 músicos - incluindo as cameratas Quadro Solar, Quinteto de Sopros, Quinteto de Metais e Bahia Sopros - e o Balé Teatro Castro Alves, criado em 1981.


11 Mil Figurinos


Nos bastidores, uma surpresa para os menos avisados: o Centro Técnico do Teatro Castro Alves é uma verdadeira força-tarefa, e considerado um dos melhores do País, primando pela qualidade do trabalho que realiza na cenografia, guarda-roupa, adereços e maquiagem (um laboratório para testes de efeito de maquiagem nos atores), já tendo criado cerca de 11 mil figurinos para os espetáculos do Núcleo de Teatro e produções de fora, incluindo o desfile “Brasil 500 anos”. O centro funciona como apoio logístico e é muito requisitado pelas produções. “Procuramos satisfazer a todas as solicitações e somos rigorosos no prazo de entrega das peças e na qualidade do acabamento”, explica o coordenador do Centro Técnico, Agamenon de Abreu. Os figurinos, por exemplo, são reforçados com detalhes que atendam à necessidade dos artistas em cena.


Ballet Kirov - Coreografia Dom Quixote
Foto: Isabel Gouvêa

Ainda nos bastidores, outro destaque é o setor de Multimeios, responsável por toda a programação visual do teatro, com o registro dos espetáculos e demais eventos do TCA, além da produção de material gráfico, como cartazes, folders, banners, informativos e programas, atendendo ao mesmo tempo às solicitações internas e externas. “Realizamos um trabalho em sintonia com o setor de Documentação e Pesquisa e o Memorial do Teatro, aos quais fornecemos amplo material”, explica o coordenador do Multimeios, o designer gráfico Antônio Figueiredo. O Multimeios funciona desde 1988, e o banco de dados tem hoje fotos recuperadas e originais, com mais de 5 mil negativos, além de cerca de 200 vídeos. Na equipe estão os fotógrafos Isabel Gouvêa e Adenor Gondim.


Banco de Textos Teatrais


Por sua vez , o Setor de Documentação e Pesquisa tem um arquivo que data desde 1967 e conta hoje com 45 mil documentos, entre recortes de jornais, revistas e periódicos locais e nacionais, além de cartazes, fotografias e programas. “Não é somente um setor que organiza todo o material publicado sobre os eventos do TCA , Concha Acústica e Sala do Coro, mas que também procura atender às solicitações do público externo, tanto que ampliamos as nossas pesquisas”, informa a coordenadora Sandra Reis, acrescentando que na pasta “destaques”, por exemplo, estão reportagens e entrevistas do Brasil e de outros países, sobre atores, diretores teatrais, dramaturgos, coreógrafos, grupos de dança, bailarinos clássicos e populares , cantores, artistas plásticos etc. Outro destaque é o “banco de textos teatrais”, com mais de 100 peças de autores nacionais e estrangeiros, dos clássicos aos contemporâneos. Todos os textos são traduzidos. O atendimento ao público é gratuito, de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas.


Pontualidade nos Horários

Um dos mais importantes patrimônios culturais da Bahia, o TCA lançou a sua marca própria, hoje totalmente assimilada pelo público local: a pontualidade dos espetáculos. É o que comemora o diretor Theodomiro Queiroz, ao afirmar que “criamos um hábito que é copiado por outras casas de espetáculo e é um referencial de qualidade e respeito ao público e aos artistas”. Outra marca é a descentralização na venda dos ingressos. Além das bilheterias do teatro, eles são vendidos também nos SACs dos Shoppings Barra e Iguatemi.


Monteserrat Caballé e Osba
Foto: Adenor Gondim

Calendário Movimentado


Independentemente da pauta de espetáculos trazidos durante todo o ano, o Teatro Castro Alves também promove projetos como a “Série TCA”, de música erudita, jazz e dança para o público assinante; o Panorama Teatral, que procura mostrar o que há de mais significativo nas produções de fora e locais, e as montagens do Núcleo de Teatro, com espetáculos próprios - nove, até agora: Otelo, O Sonho, Medéia, Roberto Zucco, Lábaro Estrelado, A Vida de Galileu, Volpone, Os Iks. A deste ano, com texto de Samuel Beckett, será dirigido por Luiz Marfuz. Também fazem parte do calendário permanente os eventos Panorama Percussivo Mundial (Percpan), Mercado Cultural e Ateliê de Novos Coreógrafos.


Caetano Veloso - Show Livro Vivo
Foto: Isabel Gouvêa


“Como não poderia deixar de ser”, acrescenta Theodomiro, “o complexo cultural também se dedica à formação de platéia, com um trabalho que tem levado a arte às comunidades, através de concertos com os quatro grupos de câmara da Osba, realizados em escolas, ongs, igrejas, instituições culturais e cidades do interior”. O TCA promove ainda o programa de visitação pública, recebendo grupos de estudantes, turistas e outros interessados, em grupos de até 30 pessoas por vez. Ao mesmo tempo, contempla estudante e ongs com convites para concertos e espetáculos de dança e teatro, na Sala Principal e Sala do Coro.

Início nos Anos 50


A história do Teatro Castro Alves remonta à década de 50, quando começou a ser construído. Em julho de 1958, a uma semana da inauguração, um incêndio até hoje inexplicado destruiu completamente a sala principal. Após uma lenta reconstrução, o teatro foi finalmente inaugurado em março de 1967. Após ser fechada em 1989, foi reinaugurado em 22 de julho de 1993, com grande espetáculo que reuniu João Gilberto, Gal Costa, Maria Bethânia e a Orquestra Sinfônica da Bahia.

Detalhes do complexo


A Sala Principal abriga confortavelmente 1.554 espectadores, beneficiados por um sofisticado projeto acústico, cujo detalhamento incluiu até mesmo o material usado na fabricação das poltronas e do carpete. A platéia não tem “ponto morto”, isto é, a visibilidade do palco é perfeita de qualquer ponto. Ali, o público já viu espetáculos inesquecíveis, como os balés russos Bolshoi e Kirov, o concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, sob a regência do maestro Zubin Metha, e shows de Chico Buarque e dos Doces Bárbaros.


Gilberto Gil - VI PERCPAN
Foto Isabel Gouvêa


Já a Sala do Coro era um espaço inaproveitado e originalmente destinado aos ensaios do coro dos grandes espetáculos operísticos, até 1978, quando se transformou num improvisado teatro em semi-arena. Dessa época até 1989, quando o TCA foi fechado, o local abrigou os mais importantes trabalhos da emergente produção teatral baiana. Após a reforma, o espaço foi ampliado e totalmente reaparelhado em 1995. Dando ênfase à produção teatral local, a Sala do Coro tem capacidade para 201 espectadores. As atrações vão das peças infantis aos shows musicais locais e às produções do Núcleo de Teatro do TCA.


Espetáculo “A Prova” - Panorama Teatral 2003
Foto: Isabel Gouvêa

 


Nana Caymmi, Dino Brasil e Osba
Foto: Isabel Gouvêa

O Brilho das Estrelas


A popular Concha Acústica complementa o conjunto arquitetônico, em formato de semi-arena ao ar livre. O palco e a parte plana superior da platéia são cobertos por uma lona especial tensionada, fixada numa estrutura metálica. O equipamento permite a realização de shows mesmo em período chuvoso e possibilita que, pelo menos, mil pessoas fiquem abrigadas. Na parte superior, seis camarotes, com capacidade para 25 pessoas cada, são servidos por bar e uma estrutura de apoio que inclui dois sanitários. Sua concepção permite aos espectadores audição e visão perfeitas da grande arquibancada, com capacidade para receber 5.500 pessoas.


Maria Bethânia, João Gilberto, Gal Costa
Foto: Divulgação


Do rock ao samba, do reggae ao baião, o público da Concha já viu de tudo um pouco e do melhor. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Emílio Santiago, Rita Lee, Cássia Eller, Nana Caymmi, Elba Ramalho, Os Titãs, Paralamas do Sucesso, Cidade Negra, Kid Abelha... São quase incontáveis as estrelas da nossa música popular que já brilharam e ainda vão brilhar nas noites da Concha.

Datas

1948 - O deputado Antônio Balbino envia à Assembléia Legislativa o projeto de lei 432, propondo a construção do complexo artístico Teatro Castro Alves.
1957 - A construção começou no governo Antônio Balbino, em 2 de julho.
1958 - A obra foi entregue no dia 2 de julho.
1958 - A inauguração estava prevista para o dia 14 de julho.
1958 - Na madrugada do dia 9 de julho o TCA pegou fogo, num incêndio de causas desconhecidas até hoje, mas atribuídas a um curto-circuito na instalação elétrica.
1967 - Após nove anos fechado, o TCA foi reinaugurado pelo Governador Lomanto Júnior em 4 de março.
1978 - Inauguração da Sala do Coro em sua primeira versão, no dia 5 de julho.
1981 - Criação do Balé Teatro Castro Alves, em 1º de abril.
1982 - Criação da Orquestra Sinfônica da Bahia, em 30 de setembro.
1989 - O TCA fecha em 28 de junho, após um espetáculo da OSBA e Afoxé Filhos de Gandhy.
1991 - Reinauguração da Concha Acústica, em 29 de novembro.
1992 - O Governador Antônio Carlos Magalhães assina a ordem de serviço para reconstruir o TCA, em 4 de setembro.
1993 - O TCA reabre em grande estilo no dia 22 de julho de 1993.
1995 - Inauguração da nova Sala do Coro, em 4 de agosto.
1997 – A Concha Acústica fecha para reforma em dezembro.
1999 - Concha reabre em 26 de março com show de Caetano Veloso.
2003 - Comemoração em julho dos 10 anos de reinauguração do TCA com a inauguração. da Galeria dos Diretores.

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