| Comunidade
define gestor do Cine-Teatro Plataforma
Cerca de 100 artistas,
moradores e representantes de 32 entidades
do subúrbio ferroviário (entre
associações, escolas e grupos
comunitários) se reuniram com o secretário
de Cultura, Márcio Meirelles, a diretora
geral da Fundação Cultural
do Estado da Bahia, Gica Nussbaumer, e a
diretora do Teatro Gregório de Mattos,
Fátima Fróes, no I Seminário
do Centro Cultural de Plataforma. Realizado
no próprio Cine-Teatro, fechado há
cerca de 20 anos, o evento proporcionou
a indicação democrática
do novo coordenador do espaço e iniciou
a articulação entre o poder
público municipal e estadual pela
promoção da cultura local.
A parceria entre as duas
fundações promete alinhar
as iniciativas do governo do Estado e do
município na área cultural.
Além de abrir, ocupar e dinamizar
o equipamento com uma programação
que atenda às necessidades da comunidade,
o mais importante é criar a possibilidade
de estimular a produção cultural
local. “É preciso investir
na cultura digital, que permite que todo
mundo seja produtor. É preciso, também,
subverter esta relação, entre
o que é periferia e o que é
centro. Com a tecnologia digital, todo local
pode ser um centro produtor. Esperamos que
em Plataforma, além de assistir a
espetáculos, shows e filmes, os grupos
e jovens possam começar a gravar
e difundir a sua própria música,
a produzir vídeos”, disse o
secretário, que acredita em um novo
momento na política do estado.
“Não é
hora mais de ficar apenas na reivindicação.
A idéia agora é colaborar,
é entrar na utopia de construir um
espaço coletivo de produção
de arte, cultura, conhecimento. E isso só
será possível se trabalharmos
todos juntos: as três esferas de poder
e a comunidade local”, disse, entusiasmado,
o secretário de Cultura. Além
dos equipamentos culturais do Estado, o
subúrbio reúne sedes do Ponto
de Cultura e da Casa Brasil, projetos federais
de promoção à inclusão
social, cultural e digital, e é alvo
do edital público para o desenvolvimento
de planos locais de cultura da Fundação
Gregório de Matos.
Durante o seminário,
foram apresentados os oito técnicos
que farão parte da equipe do Cine-Teatro.
Muitos deles, moradores da comunidade. Um
amplo debate também foi realizado,
resgatando a importância do Cine-Teatro
como espaço de articulação
e fomento à cultura no Subúrbio.
“Pela importância que este espaço
teve e ainda tem para esta comunidade, é
essencial que ela própria defina
a melhor forma de utilização
dos espaços do Cine-Teatro, a política
de cessão de pautas, a presença,
ou não, de grupos residentes, o valor
dos ingressos... e que proponha projetos”,
afirmou a diretora da Fundação
Cultural do Estado, que destacou também
a importância dos novos gestores dos
equipamentos culturais na interlocução
com as comunidades. “Serão
eles quem farão a articulação
entre a Fundação e a população
local”, completou Gica Nussbaumer.
Após uma tarde de discussões
sobre o perfil deste profissional, foi indicado
o nome de Ana Vaneska Almeida para a coordenação
do Cine-Teatro de Plataforma.
Para o próximo encontro
com a comunidade de Plataforma, ainda sem
data marcada, Gica Nussbaumer garantiu a
presença dos diretores das quatro
áreas sob a responsabilidade da FUNCEB
(artes visuais, dança, música
e teatro), de um representante da DIMAS
(responsável pela área de
audiovisual da Secretaria), da Fundação
Pedro Calmon (para atender à solicitação
de bibliotecas comunitárias levantada
pelos participantes) e novamente da Fundação
Gregório de Matos. Nesta reunião,
será discutido o modelo de gestão
do espaço.
História
e resistência
O Cine-Teatro Plataforma
é um símbolo da força
do movimento popular do subúrbio,
como lembrou a socióloga Antônia
Garcia, fundadora da Associação
de Moradores de Plataforma (AMPLA), no relato
sobre a história do espaço,
durante o Seminário. “O Cine-Teatro
foi construído entre as décadas
de 1930 e 1940 pelo círculo operário,
com apoio da Igreja Católica. Em
1970, foi comprado pelo governo do Estado.
Funcionavam aqui, mesmo precariamente, as
atividades da associação de
mulheres, exibição de filmes,
etc”.
A comunidade, através
de lideranças culturais e populares,
iniciou uma mobilização permanente,
com manifestos, projetos e articulações
políticas, para recuperar o espaço.
Foram mais de 30 anos até este momento,
no qual a Fundação Cultural
se articula com a comunidade para iniciar
o seu pleno funcionamento. Para Antonia
Garcia, é preciso consolidar este
espaço, assim como outros, a exemplo
da Casa Brasil, para superar problemas sociais
crônicos da região, como desigualdades
raciais, segregação urbana
e racismo.
Segundo Sílvio Ribeiro,
representante da Associação
Amigos do Parque São Bartolomeu,
a perspectiva é de fazer as pessoas
perceberem a importância da diversidade
cultural do subúrbio para então
valorizá-la e inseri-la em um plano
de desenvolvimento da região. O I
Seminário do Centro Cultural de Plataforma,
na sua visão, é uma forma
de divulgar e unificar esse conhecimento,
além de identificar os espaços
disponíveis para atuações
e parcerias. “Várias manifestações
culturais estão desaparecidas, mas
podem ser resgatadas. É o caso do
Reisado e da Marujada, que aconteciam no
bairro de Escada, e da orquestra sinfônica
do bairro de Coutos, que resiste até
hoje. Ninguém sabe disso”,
lamenta. Para Sílvio, é preciso
resgatar a história dos movimentos
sociais e culturais dos bairros, para se
criar a identidade cultural do subúrbio
ferroviário de Salvador.
ASCOM – Fundação
Cultural do Estado da Bahia
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