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08/06/2017 14:50

"A oração do Carrasco", de itamar Vieira, ganha lançamento

Livro contemplado pelo Edital de Literatura da Funceb será lançado nesta sexta, dia 9 de junho, no ICBA


Livro contemplado pelo Edital de Literatura da Funceb será lançado dia 9 de junho, no ICBA

"Abrir o livro de Itamar Vieira Junior é sentir um arrepio, uma estranheza, uma impressão de que se está diante de uma obra diferente e perturbadora". Com estas palavras, a jornalista e escritora Rosângela Vieira descreve, no prefácio, "A Oração do Carrasco", segundo livro de contos do baiano Itamar Vieira Junior que será lançado no dia 9 de junho, às 18h, no Haus Kaffee, Instituto Goethe - ICBA. O livro foi um dos selecionados pelo Edital de Literatura da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) 2016 e recebeu menção honrosa no Edital de Criação Literária de São Bernardo do Campo, São Paulo.

"A Oração do Carrasco" é a reunião de sete contos, em sua maioria, narrados em primeira pessoa e por personagens femininas. Porém, as vidas ali contadas trazem, além da história de mulheres, visões de personagens às margens dos olhos da sociedade, como bem descreve o escritor paulista, Marcelo Maluf, que assina a orelha da publicação. "Pense nos seres invisíveis da sociedade, naqueles que estão à margem, que tiveram os seus anseios e esperanças rasgados, suas heranças culturais abafadas, diminuídos os seus valores éticos, étnicos e estéticos".

O autor conta que a personagem "Alma", que dá nome ao primeiro conto do livro, é uma resposta à sua ancestralidade - índios, negros e portugueses - em conjunto com sua experiência com trabalhos em comunidades quilombolas. Alma conta a história de uma escrava fugida que anda sem destina certo, mas acompanhada de suas memórias, perdas, dores e conquistas até encontrar uma terra que lhe acolha. "Alma caminha por um longo tempo, do litoral ao sertão da Bahia. Ao encontrar esse “lugar” onde será livre, narra que muitos foram chegando e ficando e ali formaram um povoado como os muitos que existem no Brasil", revela Itamar, lembrando que a Fundação Cultural Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura, estima que haja mais de três mil comunidades quilombolas em todo o país.

Doutor em Estudos Étnicos na Universidade Federal da Bahia, Itamar aponta uma forte influência de seu trabalho como pesquisador no próprio estilo que marca a narrativa. "A referência mais imediata do conto “Alma” é a própria oralidade em que mergulhei no meu trabalho com comunidades quilombolas, nos últimos anos, e na minha pesquisa de doutorado. A oralidade é rítmica e musical. É o sotaque", explica, mas não deixa de lembrar fortes influências literárias em seu processo de criação como os autores clássicos Machado de Assis, Virginia Woolf e James Joyce e os contemporâneos Toni Morrison, Chinua Achebe, Raduan Nassar, Ana Miranda e Ana Maria Gonçalves. "Raduan me ensinou a não temer os adjetivos, um temor dos novos escritores e dos cursos de escrita criativa que abundam no país".

Essa tendência aos adjetivos e às figuras de linguagem aflora-se ainda mais no conto "A Floresta do Adeus", onde Itamar revela-se um amante e praticante da poesia. "Eu escrevo poesia, embora não publique. Sou um leitor compulsivo de poesia. Acho que na minha escrita os gêneros literários se diluem e tomam essa forma", diz, lembrando que não se trata de um poema narrativo, "mas talvez seja um desejo inconsciente de trazer à vida uma literatura com influências múltiplas".

No conto que intitula o livro, o autor dá vida a um personagem que representa uma das faces humanas: a do carrasco. Nesse texto ele também traz a sua visão de como a literatura é a linguagem que dá voz ao indizível, ao que, talvez, esteja entre a oralidade e outras formas de comunicação. Ao entrar em contato com a história - real - de um funcionário público em um país de normas rígidas, Itamar sentiu falta de fatos não narrados ali, então nasceu o enredo do personagem de "A Oração do Carrasco" que, por trazer traços humanos, vivifica carrascos que marcaram os tempos e outros, vivos em qualquer pessoa, "... todos nós, de certa forma ou de outra, nos travestimos de carrasco para sobreviver ao próprio mundo".

Crítica ao status - A construção de seus personagens nasce de uma crítica ao status quo do Brasil. Segundo o autor, a literatura contemporânea brasileira tem um aspecto que incomoda por ser uma atividade de uma classe privilegiada, abordando, portanto, em sua grande maioria, temas que são majoritariamente afeitos aos dramas da classe média branca. "Faltam personagens que se identifiquem com a maioria que está na base da pirâmide de nossa sociedade". Assim, no livro "A Oração do Carrasco", o leitor aproxima-se de identidades indígena, negra, incompreendida. A voz feminina está presente até quando o personagem principal é um homem. Em "Manto da Apresentação", a voz narrativa é a de uma mulher ouvida pelo artista Bispo do Rosário, em uma licença poética do autor quanto à história do artista.

Sobre o autor - Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador, Bahia, em 1979. É doutorando em Estudos Étnicos e Africanos (UFBA), etnógrafo com pesquisa sobre a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste Brasileiro. É escritor, autor dos contos reunidos no volume “Dias” (Caramurê, 2012), vencedor do XI Prêmio Arte e Cultura (Literatura – 2012) julgado por comissão composta por membros da Academia de Letras da Bahia. Escreveu também um ensaio sobre canções de Caetano Veloso “Do canto ao "canto": cidade e poesia em Caetano Veloso” publicado em “Imagens da Cidade da Bahia: um diálogo entre a geografia e a arte” (EDUFBA, 2006). Dois de seus contos foram traduzidos para o francês e publicados em revista especializada na França. É autor do livro de contos “A Oração do Carrasco” (Mondrongo, 2017), obra selecionada pelo Edital Setorial de Literatura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e que recebeu menção honrosa no edital de criação literária de São Bernardo do Campo - São Paulo - 2016.

Serviço
Lançamento – “A Oração do Carrasco”
Tarde de autógrafos no Haus Kaffee, Instituto Goethe – ICBA
Data: 9 de junho de 2017
Horário: 18h
End.: Av. Sete de Setembro, 1809, Corredor da Vitória
Vendas também na internet: www.mondrongo.com.br

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