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14/11/2017 16:30

Funceb exibe filme “Merê” em Comemoração ao mês da Consciência Negra

“Merê” de Urânia Munzanzu -- Foto Leo de Azevedo
“Merê” de Urânia Munzanzu (Foto Leo de Azevedo)


Em continuidade as comemorações ao Projeto Novembro das Artes Negras, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/Secult), através da Diretoria de Audiovisual (Dimas), apresentará o filme “Merê”, de Urânia Munzanzu. A exibição do longa-metragem acontecerá no próximo dia 30 de novembro, na Dimas, às 19h, nos Barris. O evento é aberto ao Público.

O filme Merê une religiosas da Bahia e de Benin (África) em torno da tradição de Jeje Mahi. A Nação Jeje compreende as culturas de diversos povos, como: os Fons, Ewes, Minas, Gans, entre outros. A maioria dessas comunidades são semelhantes, pois fazem culto ao Vodun.

Urânia Munzanzu conta que foi devido ao silenciamento de anos em relação às mulheres, ao machismo e misoginia, que surgiu a ideia da realização do projeto: “A ponte – diálogo entre dois mundos”, que tem como objetivo, “ouvir narrativas que foram silenciadas por séculos, promovendo a resistência e estando a disposição com meu trabalho para que a nossa história permaneça viva”, relata.

“Esse projeto nasce como um registro dessa força feminina na tradição, tudo gira em torno de nós mulheres e a preocupação porque as casas de Jeje não funcionavam mais, uma tradição de matriarcado que estava desaparecendo, e tornou-se um compromisso preservar e mantê-la. Inicialmente era fazer esse registro lá na África para mostrar a força da mulher”, completa Urânia.

A continuidade desse projeto: “A Ponte-Diálogo entre dois mundos” teve como consequência a ideia do filme “Merê”, que significa “Mulher”. Na tela, Urânia tem como intenção trazer à vida, o encontro destes povos, a reaproximação das poucas casas existentes na Bahia e reconectá-las com a origem de tudo no Benin, na África.

Cineasta, poeta e militante do movimento negro desde os anos 80, Urânia Munzanzu também é Mestranda em Antropologia na Universidade Federal da Bahia, além de Dabosi, no Terreiro do Bogum, de tradição Jeje, localizado no Engenho Velho da Federação, em Salvador. A idéia dela era realizar conexões entre sujeitos na diáspora e o continente africano, especificamente na região Oeste da África.

Esses diferentes povos e com distintas línguas e costumes estabeleceram seu culto no Brasil, sob o nome de Nação Jeje, baseando-se no culto aos Voduns e formando várias ramificações, dentre as quais se destacam: Jeje Dahomey, Jeje Mina, Jeje Modubi, Jeje Savalu e jeje Mahi- Camponeses que tinham seu culto direcionado principalmente a Dan Gbé Sén (Bessém), este termo significa “adorar a vida”. Além disso, possuem influências nagôs e posteriormente adotaram alguns Orixás, formando a família Nagô-Vodun, que possui formação principal por Ogun, Oyá, e Yemanjá.

O culto trazido pela africana conhecida como Ludovina Pessoa, que foi escolhida pelos voduns para fundar três templos na Bahia, introduziram o Jeje Mahi em: Cachoeira, São Félix e Salvador, e posteriormente, em outros estados do Brasil.

“O Jeje ainda luta a duras penas para manter sua relação com o tempo e não impondo exigências a ele, é sobre nós, é para nós e por nós mulheres.” finaliza a diretora do filme ‘Merê’, Urânia Muzanzu.


Serviço:
Exibição do filme Merê, de Urânia Munzanzu
Data: 30 de Novembro
Horário: 19h
Local: DIMAS, Rua General Labatut, nº 27, subsolo, Barris
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