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06/12/2017 16:43

#CalendárioDasArtes – Documentário sobre mulheres indígenas de Pau Brasil é um dos premiados

Calendário das Artes
(Foto: Divulgação)

Em sua 4ª edição, o Calendário das Artes 2017, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), selecionou 35 propostas de produções artísticas nas áreas de Artes Visuais, Circo, Dança, Audiovisual, Música, Literatura, Teatro e artes integradas. Uma das propostas selecionadas foi o documentário intitulado de “Mulheres que Alimentam”, de Olinda Muniz Wanderley, cineasta natural de Pau Brasil, Litoral Sul da Bahia.

Olinda, também conhecida pelo seu nome indígena Yawar (significa Onça em português), é do povo Pataxó Hãhãhãe, da Tribo Caramuru-Paraguaçu do Sul da Bahia. O seu projeto audiovisual busca dar visibilidade às mulheres indígenas e mostra a importância das mesmas perante a comunidade, trazendo vivências diárias como o planejamento da vida na aldeia, conquista de território e o sustento desse grupo.

De acordo com Olinda, a questão da mulher como provedora, em vários sentidos, é o núcleo do documentário: “percebi que depois que conquistamos o território de volta, muitas mulheres voltaram a plantar e produzir parte de seu alimento. Algumas delas começaram a compartilhar sementes de suas plantações com outras, ajudando dessa forma a garantir a subsistência de suas famílias através da agricultura familiar e de pequenas criações de gado”.

Ela continua: “o documentário será um das ferramentas que ajudará a combater o machismo que  permeia a vida de muitas mulheres da comunidade, lhes conferindo mais empoderamento”, explica a cineasta, que também é jornalista e documentarista.

Premiação – As gravações do documentário já começaram. As atividades foram iniciadas com entrevistas de personagens da comunidade indígena, “inclusive com a única Cacica atualmente no poder, Ilza Rodrigues”, destaca Olinda. As gravações seguem até março do ano que vem, quando o filme será enviado para registro e aguardará o certificado de produto brasileiro da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) para que seja lançado.

“Os povos indígenas do nordeste  sempre tiveram sua imagem  estigmatizada pela grande mídia, que desqualifica e estigmatiza. O documentário pretende mostrar o quanto somos resistentes, mostrar para a sociedade nacional um pouco da vida dessas mulheres ajudando a modificar a idéia de que índio é apenas aquele que vive isolado em ‘reservas florestais’, nu e sem acesso a nada de tecnologia eletrônica”, finaliza a premiada.

Sobre o Calendário das Artes, a premiada ressalta que o edital “facilita o acesso a recurso financeiro por grupos sociais que são esquecidos, permitindo que as comunidades e pessoas, principalmente do interior da Bahia, possam promover a cultura valorizando a identidade de cada lugar”.

A Diretora das Artes da Funceb, Lia Silveira, destaca que “a parte mais importante do Calendário das Artes é ele ser um prêmio territorializado em que os projetos de cada Macroterritório concorrem apenas entre si. Isso torna o edital mais equitativo e atende à população que tem menos acesso a bens e produtos culturais”.
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