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15/05/2018 16:47

​#KitDifusãoDeTeatro - Releitura de William Shakespeare leva Ofélia para o centro do palco em: “Ofélia: sete saltos para se afogar”

Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)
Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)

Março foi o mês do teatro, mas a difusão da linguagem cênica continua presente. A Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBA) selecionou 30 espetáculos com temática livre e em diversos formatos para compor o Kit Difusão do Teatro da Bahia 2018, que visa o fortalecimento e difusão do teatro baiano. O espetáculo Ofélia: sete saltos para se afogar está entre os selecionados para receber o kit.

Desde o século XVII, conta-se a história de uma mulher apaixonada e que ficou transtornada pela morte de seu pai, encerrou sua vida numa morte cercada de mistério, engolida pelas águas de um rio. O suicídio, para muitos, parece ser a resposta mais clara. Essa é Ofélia, personagem do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, na peça: “A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca” e que inspira peça “Ofélia: sete saltos para se afogar”.

O espetáculo é tecido numa escritura autoral inspirada pelos signos, crises e metáforas abarcados na figura da afogada, trazendo uma releitura da personagem Ofélia. A criadora da peça, Raiça Bomfim, conta um pouco do trabalho de criação do espetáculo: “comecei a desdobrar em 2012. Minha vontade era explorar um pouco mais cenicamente os níveis, associar a ideia do afogamento com a passagem por níveis diferentes de profundidade e que passavam por subjetividade, essa loucura, solidão, pulsão de morte”.

Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)
Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)

A releitura faz um processo de interpretação dos elementos da obra original. “O arrastamento pras águas, imersão do corpo, existe uma interpretação das águas como voz que tomam o espetáculonuma experiência vocal e sonora, sob direção de André Oliveira, permitindo o desdobramento das sensações”, contou Raiça.

Com o cruzamento de diferentes linguagens artísticas a peça investe na  criação  de  um  espaço imersivo, onde o espectador é convidado a mergulhar no universo de Ofélia, visitando a personagem numa perspectiva feminista. Segundo a atriz, o público se sente imerso e dá feedback dessa sensação: “eu sinto do público o reconhecimento de uma circunstância ritualística, possibilidade de vislumbrar outros modos de expressão, alguns modos loucos são possíveis de se expressar através de memórias”, disse Raiça Bomfim.

A peça é uma realização da Gameleira Artes Integradas, território de articulação de criações artísticas conduzido pelas artistas e produtoras Olga Lamas e Raiça Bomfim. Sobre o apoio do Kit Difusão, Raiça demonstra estar animada: “estou esperançosa pelo que se propõe. É ótimo contar com essa ferramenta para ganhar novos espaços, novos públicos, fazer parcerias”.

O Kit integra o Programa de Difusão das Artes Cênicas do Estado e promove diretamente a difusão, circulação e memória do Teatro da Bahia, além de estimular a criação, produção e pesquisa, por meio dos intercâmbios de conhecimentos e experiências.

Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)
Ofélia: sete saltos para se afogar (Foto: Carol Garcia)
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