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08/11/2018 15:28

Funceb participou de mesa redonda sobre cotas racais no Novembro Negro da PGE

renata

"Racismo Institucional e os 30% de reserva para cotas em concurso público no Estado da Bahia" foi o tema da Mesa Redonda que aconteceu nessa quarta-feira (7) na Procuradoria Geral do Estado (PGE). A diretora-geral da Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa), Renata Dias, participou da ocasião ao lado do procurador do Estado, Adriano Silva; da doutora em Sociologia e professora do IFBA, Marcilene Garcia; e da advogada e membro da Comissão Promoção de Igualdade Racial da OAB/Ba, Camila Garcez.

A advogada Camila Garcez iniciou o debate dizendo que "o espaço de poder do Brasil tem uma subparticipação de negros. As estruturas sociais continuam a propiciar as desigualdades. Só agora tivemos a primeira deputada negra eleita para a Assembleia Legislativa da Bahia". Camila também exibiu um vídeo sobre racismo institucional e citou a música do grupo de rap Racionais MC's "A vida é um desafio".

Na ocasião, Renata Dias apresentou a instituição, e destacou pontos importantes para tornar os editais promovidos pela Funceb mais justos. "A cultura é um campo que está extremamente ameaçado, pois é a classe artística que costuma mostrar a diversidade ética e cultural do estado. É importante que os editais setoriais, das linguagens artísticas, reservem também o percentual de 30% para negros", disse a diretora geral.

Durante a mesa ela mostrou dados do Mapa da Palavra, diagnóstico realizado pela Funceb que reúne dados de artistas da palavra no estado: "o Mapa atualmente é composto de 275 artistas de 50 municípios, localizados em 25 territórios de identidade. Ele mostra que a média de livros publicados por artistas negros é de 2 livros, enquanto que entre os que se autodeclararam brancos são de 6 livros", contou Renata, que continuou:

"Quando conseguem publicar, esses artistas negros distribuem suas produções em saraus e ambulantes, ao contrário dos artistas brancos, que costumam vender mais em livrarias e bibliotecas. Esse é um dado que mostra a desigualdade que existe entre artistas negros e brancos no estado", contou a diretora-geral.

publico

Renata destacou a importância da representatividade negra nas artes: "A representatividade se faz necessária no campo das artes. Teremos que nos imbuir de forma muito contundente, e com base em diagnósticos, para que as políticas públicas movam pilares para garantir essa representatividade".

Já Marcilene Garcia, que é de Curitiba (PR) problematizou o silêncio e a omissão de práticas de racismo institucional na Bahia, e tratou principalmente sobre bancas de verificação de autodeclaração racial, expondo suas críticas e soluções para a questão que costuma ser polêmica na maioria dos concursos públicos.

"A Bahia não pode mais desperdiçar os seus talentos negros, há necessidade de ampliação de políticas públicas voltadas para os negros. As bancas de verificação são absolutamente necessárias para evitar fraudes, mas é preciso fazer um treinamento técnico da banca, consolidar critérios específicos de verificação racial para tornar o processo mais justo e igual para todos", disse Marcilene. No final, os participantes puderam comentar sobre a palestra e expor suas dúvidas.

Fotos: Larissa Bosque (PGE)
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