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27/11/2018 17:13

#NovembroDasNegras - "Diálogos Possíveis" tratou sobre a influência da Diáspora Africana nas danças na América Latina

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A Sala King da Funceb, que homenageia o precursor da dança afro-brasileira no Brasil, recebeu na tarde desta terça-feira (27) a segunda edição do projeto Diálogos Possíveis. Neste ano, o tema inserido dentro da programação do Novembro das Artes Negras foi “As influências da Diáspora Africana na perspectiva estética e poética da dança nos países da América Latina”.

Dezenas de pessoas assistiram e participam do debate que propôs a visibilização dos artistas e pesquisadores negros da dança. O debate foi mediado pelo do bailarino formado pelo Curso Profissional da Funceb e licenciado em Dança pela UFBA, Leonardo Luz.

renataA diretora-geral da Funceb, Renata Dias, abriu a mesa de debate destacando que "é muito importante visibilizar esses atores e esses discursos negros, uma vez que esses discursos representam nossas perspectivas de futuro. Os artistas foi a classe inicialmente massacrada pela política, mas vai ser justamente a arte que vai tirar essas dores, lamber as feridas abertas. São as insurgências negras que vão mudar o rumo das coisas".

A coordenadora de Dança da Funceb, Janahina Cavalcante, falou que "esse diálogo, que já está em sua segunda edição, serve justamente para influir, pensar e conversar sobre esses deslocamentos da áfrica para o Brasil, e deslocamentos outros, que pertencem a outros lugares, mas que podem ser contemplados aqui também.

Em seguida a convidada Edeise Gomes, especialista em Arte-educação e professora da UESB, iniciou o debate com um poema do ator e diretor baiano Thiago Romero chamado "Era". Edeise falou principalmente sobe os significados do termo "Diáspora Africana": "tem a ver com trânsitos, com a dispersão, com o mover, com uma mudança escravagista. A Diáspora também está colocada como um local de desterritorialidade, um rompimento de laços".

Vindo de Pernambuco, Orun Santana, bailarino, pesquisador e arte-educador, falou principalmente sobre a sua história de vida e nas artes: "Meus pais fundaram um espaço-cultural em Pernambuco. Meu pai é Mestre de Capoeira e Bailarino, e a minha mãe é indígena. Então eu me sinto num lugar privilegiado por ter nascido dentro dessa diversidade e ser uma das poucas pessoas de Pernambuco que pesquisa a Dança por essas perspectivas".

mesa

Na mesa de debate, Orun falou que boa parte da história dos negros foram "cortadas" em Recife: "existe 40 anos de história apagada, sem registros. Houve uma repressão muito grande nos Terreiros. Meu pai ajudou a reconstruir essa história", ele finalizou.

A mestre em Artes Teatrais, doutora em Educação e professora da Unicamp, Inaicyra Falcão, foi a última a falar no debate. Ela revelou: "descobri que muitos desses coreógrafos que são referência para a gente na academia, compõem a partir das mitologias. Em muitos momentos da dança negra é possível captar as referências de vida cotidiana dos escravos. Intitularam meu trabalho como 'dança negra', 'dança afro', mas eu considero a minha dança contemporânea a partir da mitologia iorubá, é negra por que sou eu quem faço".

O Novembro das Artes Negras da Funceb segue com programações diversas e gratuitas até sexta-feira. Confira!

Fotos: Tomaz Neto
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