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29/11/2018 14:55

Funceb encerrou o Novembro Negro com Workshop, Oficina e Seminário LGBTQI+

afrontosas - mesa
Workshop Afrontosas (Foto: Jacson do Espírito Santo)

Workshop sobre invisibilização LGBTQI+, Oficina Danças Urbanas, Oficina de maquiagem Drag Monster Queen, e Seminário sobre a História da Dança Afro-Brasileira, marcaram o dia de celebrações do Novembro das Artes Negras promovido pelo Centro de Formação em Artes da Funceb nesta quarta-feira (28).

oficina com ElivanO dia começou com a Oficina de Danças Urbanas ministrada pelo bailarino Elivan Nascimento. "Eu sempre optei por vozes femininas para embalar as minhas aula, e hoje reforço isso com a sonoridade das drags cantoras que inspiram e sensualizam a dança", comentou Elivan, que continuou: " é muito importante esse encontro para que os corpos invisíveis passem a ter uma notoriedade comercial no mercado de trabalho. Esses corpos gritam espaço, gritam conquistas e precisamos debater como visibilizá-los".

Em seguida houve o Workshop Afrontosas: Corpos Invisibilizados. Na mesa, debatendo corpos fora dos padrões hegemônicos no âmbito artístico da cena cultural baiana, estiveram presentes pessoas que transitam pelo campo da dança, das artes performáticas e culturas LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer/Questionando, Intersexo e mais): Paulett Furacão, Valerie O´rarah, Hilda Furacão e Priscila Nepomoceno.

Para a drag queen Valerie O´rarah, "esse encontro é importante para legitimar a arte transformista e dar espaço de fala para quem de fato vive a arte e suas dificuldades. Os palcos por onde eu passei foram responsáveis pela minha formação". Já para a dançarina Priscila Nepomuceno: "é preciso entender que as mulheres negras estão falando sempre e precisam ter visibilidade. Muitas vezes a gente produz sem recurso, então é necessário que os eventos tragam essas mulheres para falarem do seu ponto de vista".

Hilda Furação, homem negro e gay, começou a sua fala explicando como é difícil ser preto, gay, afeminado, morar na favela e ser artista: "quando eu dançava, as pessoas não me olhavam como olhavam outros artistas, eu sentia que havia uma diferença, mas nunca me deixei abater e sempre lutei e luto pelo close certo".

Já a Educadora, negra e transsexual, Paullet Furação, encerrou a mesa comentando: "é importante a militância das mulheres negras trans para esse momento em que estamos vivenciando. Pessoas trans ocupando espaços institucionais ainda é uma dificuldade, mas é preciso agir para essa mudança. Momentos como este nos proporcionam debater como começar essa mudança".
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Oficina de Monxtração (Foto: Amanda Moreno)

Drag Monster Queen - A Oficina de Monxtração iniciou com um aquecimento corporal para ativar o corpo. Em seguida, os oficineiros Malaika SN e Mamba Negra compartilharam seus cadernos pessoaiss de inspiração para as montagens drags monster queen.

"O objetivo da Oficina é entender o corpo como a própria plataforma e saber como usar isso sempre partindo da ideia do indivíduo, do pessoal. É a partir desse olhar do íntimo que surge a inspiração. Acredito que cada um tem seus mitos, e os mitos sempre se tocam, se reconhecem", disse Mamba Negra.

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Foto: Larissa Machado

Após as apresentações de cada um, os alunos tiveram que expressar os seus sentimentos sobre a montagem drag numa folha de papel em branco. "É como o nosso rosto, uma superfície em branco que vai receber um outro significado. A oficina abarca todo o trajeto, desde o desenho, a poesia que se quer mostrar, até a maquiagem, figurino e montagem final com performance", disse Mamba.

Malaika SN destacou que "todo mundo é um pouco estranho, tem um lado oculto. E quando a gente monta a make e vai pra rua, mostramos esse lado que as pessoas costumam esconder. Há o fator político também, ser Monxtro é denúncia, é usar o seu corpo como escárnio e colocar para fora essa visibilidade monxtra e oculta em todos nós".

denilsonHistória da Dança Afro-Brasileira - Finalizando as ações do Novembro Negro promovidas pelo Centro de Formação em Artes da Funceb, às 18h30 teve início o Seminário História da Dança Afro-Brasileira: Os desafios da contemporaneidade, com o dançarino, professor e pesquisador Denilson Oluwafemi.

"A dança afro-brasileira se constituiu como um produto acadêmico do povo negro do Brasil. Nossos mestres foram todos pessoas que partiram dessa academia e aí temos uma modalidade de dança que atua nesse campo na contemporaneidade, que se relaciona com o tempo, diferente da vanguarda e do modernismo. Então ser contemporâneo é encontrar subsídios para negociar com esse que vem antes de você, assim você pode transformar mas sempre vai ter a sua identidade", disse o pesquisador.

Denilson ainda destacou que a dança afro tem se modificado, mas ela sempre se permite ser identificada como é afro-brasileira: "esse elemento afro-brasileiro dá um local para a gente se entender enquanto ser humano no mundo. A dança afro-brasileira tem a peculiaridade da preparação técnica, todo o estudo biomecânico da coluna e dos membros, que funcionam de uma maneira diferenciada da dança africana. A dança afro-brasileira se empenha no sentido de poder organizar tecnicamente esse corpo para a dança", finalizou Denilson Oluwafemi.

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Foto: Jacson do Espírito Santo

A historiadora e aluna da Escola de Dança, Manuela Nascimento, disse: "muito legal conhecer um pouco da profundidade que é a dança afro-brasileira. Muito bacana porque isso reflete o que é uma escola mesmo, e não uma academia". 

O diretor do Centro de Formação em Artes da Funceb, Jacson do Espírito Santo, destacou as ações da instituição no Novembro Negro e a importância de se debater a temática dentro da Escola de Dança de Funceb. "Esse é o momento que a gente se une para experienciar e absorver outros conteúdos e conceitos que atravessam, de qualquer forma, toda a nossa rotina formativa aqui na instituição".

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