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30/11/2018 11:55

#NovembroDasArtesNegras - Exibição de filme e oficina de vídeo sobre a marcaram encerramento do Novembro Negro

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Mariana Gabriel (Foto: Nila Carneiro)

Estudantes, artistas de circo e curiosos encheram a Sala Walter da Silveira, localizada nos Barris, na noite de quinta-feira (29) para assistir ao documentário “Minha Avó Era Palhaço”, de Ana Paula Minehira e Mariana Gabriel. A exibição gratuita aconteceu no âmbito da segunda edição do Novembro das Artes Negras da Funceb. Esta foi a 111ª exibição do documentário. Após a exibição, houve um bate-papo empolgante sobre o “Circo Guarany – Memórias de uma das primeiras famílias circenses negras do Brasil" com a diretora Mariana Gabriel.

Na ocasião, Mariana como surgiu a ideia de documentar em audiovisual a memória circense da sua família, e como ela se descobriu nesse processo: “Meu bisavô foi um grande dono de circo do século XX, eu sabia que minha avó era palhaço e que minha mãe trabalhou no circo até os 15 anos, ela fazia ‘força de cabelo’, acrobacia. Mas minha mãe sempre falou muito pouco sobre isso porque ela viveu a época de decadência do circo do meu bisavô”.

Por outro lado, Mariana contou que cresceu com a avó dela, que viveu uma época áurea do Circo Guarany, e contava todas as lembranças e encantamentos que ela tinha com esse universo circense. Há alguns anos Mariana, que jornalista, cineasta e palhaça, começou a trabalhar na produção do filme Circo Paraki, e por acaso, numa das entrevistas para a documentário, descobriu um livro cujo um capítulo inteiro versava sobre a sua avó.

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Foto: Nila Carneiro

“Chorei muito. Era um capítulo que se chamava ‘Palhaço’, que se referia à minha avó, e era tudo que eu sabia sobre a minha família circense até ali. Percebi a importância de ter esse registro audiovisual pela questão de ser a memória do circo brasileiro, de ser uma família de negros, e por minha avó ter sido uma pioneira, coisa que vim descobrir depois. A palhaçaria feminina no Brasil começa em 1980, quando começam as escolas de circo no Brasil, e já em 1940 ela era palhaço, pois ainda não existia a mulher palhaça”, compartilhou Mariana.

A coordenadora do Núcleo de Artes Circenses da Funceb, Vika Mennezes, destacou as ações do Novembro das Artes Negras da Funceb promovidas nas sete linguagens artísticas abarcadas pela instituição. "É muita satisfação fazer parte disso, coordenar e promover esse momento, pois são nessas ocasiões que a gente se reconhece como artista.

Cremilda Borges foi assistir ao documentário e se emocionou bastante: "Meu marido era de circo, trapezista e professor no Circo Picolino. Formou gerações de trapezistas na cidade. Ele faleceu há dois anos mas eu ajudava muito ele. É sempre bom aprender mais e estar em contato com o circo. A gente que se atualizar, pois o circo de ontem, não é o circo de hoje".

maOficina - No dia seguinte, nesta sexta-feira (30) pela manhã teve início a oficina de vídeo "Do roteiro à produção: Registro Audiovisual da Memória do Circo", ministrada por Mariana Gabriel, também na Sala Walter da Silveira. No início da oficina, Mariana apresentou o seu currículo e de que forma se encontrou como cineasta: "eu não posso deixar de citar meu pai, que é jornalista esportivo. Ele buscava em suas matérias uma forma de falar além do esporte, envolver outras falas mostradas em vídeo, e eu aprendi isso com ele. Sinto um pouco disso em cada trabalho meu", comentou.

No decorrer da atividade, foi a cineasta deu espaço para que os participantes  expusessem suas dúvidas ou desejos quanto à linguagem audiovisual. Em outro momento Mariana propôs que alguém desse um depoimento que tenha marcado a sua vida, e que outra pessoa filmasse com total liberdade. Ao fim, o experimento foi apresentado na TV. "Essa é a visão que o outro tinha naquela captação de imagem para construção do plano e narrativa de cinema", afirmou a cineasta.

A participante da oficina, Hanna Jacobsen, que conviveu e trabalhou num circo no Pará, comento que "é importante esse processo apresentado na oficina para que a gente transmita para o vídeo todas as emoções que o circo nos proporciona. Estar também assistindo aos documentários de Mariana e ouvindo os seus relatos sobre o processo criativo é de uma bagagem imensurável".
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