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30/11/2018 17:12

#NovembroDasArtesNegras - Sala King da Funceb recebeu dezenas de espectadores para o espetáculo Medeia Negra

medeia


Alunos do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, mulheres negras do Quilombo Rio dos Macacos convidadas pelo Coletivo Panteras Pretas, colaboradores da Funceb e jovens aprendizes do Senac lotaram a Sala King da Funceb para assistirem ao espetáculo solo da atriz Márcia Limma, Medeia Negra. A apresentação aconteceu gratuitamente nesta sexta-feira (30) dentro da programação do Novembro das Artes Negras da Funceb.

Na plateia, a expressão dos espectadores era de emoção, identificação e encantamento, e ao final todos se emocionaram, inclusive a atriz, que agradeceu ao público com a voz ainda embargada.

Uma das idealizadoras do Coletivo Panteras Pretas, Paula Nascimento destacou que "trouxemos para o espetáculo mulheres que vêm de um recorte que muito se encaixa nas coisas que a Márcia traz na peça. Mulheres quilombolas que vêm passando por um momento de batalha árduo. A nossa ideia é ocupar para transformar pois acreditamos no poder transformador da arte.

Após a apresentação, houve o bate-papo Diáspora: Mulheres que romperam prisões com a participação do Coordenador de Teatro da Funceb, Wanderley Meira, da Diretora das Artes Lia Silveira, e da atriz Márcia Limma.

publico

Márcia iniciou o bate-papo falando sobre a sua trajetória com o mito de Medeia: "o processo de montagem do espetáculo vem justamente dessa troca de mulheres. Fiz o mito de Medeia pela primeira vez ainda na Escola de Teatro, em 2009. Fui percebendo algo estranho naquela versão que tínhamos acesso porque a gente vai fazendo as conexões com o passado e com a história. E nós na Escola de Teatro da Ufba não tínhamos acesso às outras versões de Medeia que existem. A versão que ficou imortalizada é aquela onde ela aparece como infanticida, estando nesse lugar de criminosa, louca, estérica, que não se coloca em seu lugar".

Márcia conta que após isso foi descobrindo outras versões, estudando sobre elas até chegar de fato a Medeia Negra: "esse mito vem para a gente entender a importância desse não silenciamento, foi um processo de empoderamento meu enquanto artista. É o meu corpo colocado em cena para trazer essa sensação de que a nossa voz é mais importante, o nosso corpo é mais importante. Senão a gente nunca sai desse lugar de silenciamento que nossos colocadas".

Fotos: Tomaz Neto
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