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03/12/2018 15:30

#NovembroDasArtesNegras – Show do cantor Dão no Presídio Feminino traz intervenções artísticas de grafiteiros

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A rotina das detentas do Pavilhão Feminino da Penitenciária Lemos de Brito, no bairro da Mata Escura, em Salvador, será modificada nesta quarta feira (5/12), às 10h, com apresentação de show do cantor baiano Dão canta Roberto Carlos, projeto que integra e finaliza a programação do Novembro das Artes Negras da Fundação Cultural do Estado (Funceb/Secultba).

Para receber o show “o pavilhão está sendo transformado em uma galeria de arte, para que assim tenhamos um ar mais humano”, relata a diretora da instituição Luz Marina. Para isso, Dão reuniu grafiteiros e grafiteiras da cidade, a exemplo de Marcos Costa, Sarah, Bonono e o artista francês Hughes que farão uma intervenção artística com as imagens dos rostos das detentas impressos de uma forma em que esses rostos se fundam, dando ideia de diversidade.

“Esse show será um encontro de fortalecimento e reinserção porque no decorrer do evento algumas detentas trabalharão nos equipamentos de som, outras montarão toda a ornamentação do espaço. Ou seja, a intenção real do show é levar um pouco de amor ao próximo, e nesse caso, trata-se de mulheres que vivem num universo de esquecimento” revela o cantor Dão.

Com isso, Dão acredita que outros artistas assumirão a mesma postura, em levar sua arte para um lugar tido como sombrio, “onde na verdade a vela da luz só precisa de alguém para reacender a esperança de quem precisa voltar a ter uma vida digna para poder recomeçar”, finaliza o artista.


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Inspiração – A leitura do livro “As prisioneiras”, do escritor e médico Dráuzio Varella, deixou Dão muito chocado: “principalmente no descaso dos parentes das mulheres encarceradas, dos maridos, filhos e ex-amigos, daí resolvi preparar o show com músicas do Rei Roberto”.

O cantor se lembrou também que é durante o mês de dezembro que as pessoas costumam ficar tomadas pelo sentimento natalino e daí ele pensou: “por que não levar esse show para o Sistema Penitenciário Feminino de Salvador?”.

E foi a partir daí que juntou sua equipe, banda, roadie, alguns apoiadores e foi em busca de apoio da diretora geral da Funceb, Renata Dias, que junto a Luz Marina, diretora do Presídio, aceitaram a proposta do artista, que também foi apoiado pela escritora do livro “A terceira pessoa depois de ninguém” Emanuela Carvalho, que conta várias histórias das detentas do complexo da Penitenciária Lemos de Brito de Salvador.

Fotos: Carol Garcia
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