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15/03/2019 16:03

Núcleo de Estudos em Dança Afro-Brasileira – Agô passa a integrar o Curso Profissional da Escola de Dança da Funceb

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A manhã desta sexta-feira (15) foi de verdadeiras surpresas e boas notícias para os alunos do Curso Profissional da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBa). A partir deste semestre, o Núcleo de Estudos em Danças Afro-Brasileiras - Agô, lançado em 2017, passa a integrar a programação do Curso Profissional Técnico de Nível Médio em Dança.

O anúncio da mudança foi feito durante o projeto Sexta em Movimento, quando também foi anunciada a conquista do benefício da meia passagem estudantil para os alunos matriculados no Curso Profissional da Escola, clique aqui para saber mais!

O Núcleo Agô será vinculado às disciplinas Danças Populares, ministrada pelo professor Márcio Fidelis, e Danças Afro-Brasileiras, sob o comando de Matheus Ambrozi, portanto, todos os alunos do Curso estão automaticamente vinculados ao Agô. Juntos, os componentes concederão pontuação ao aluno a partir de avaliações.

Os encontros vão acontecer de 15 em 15 dias com objetivo de estimular a participação dos alunos nas ações teórico-práticas das pesquisas, debates e seminários. A programação central deste ano objetiva a troca de saberes, a criação de redes e a ampliação das experiências (educacionais, artísticas, estéticas, poéticas, educacionais, sociais e políticas) que emergem do diálogo contínuo entre educadores, artistas, educandos, pesquisadores, gestores e afins.

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Retroalimentação de conhecimentos

De acordo com o diretor do Centro de Formação em Artes da Funceb, Jacson do Espírito Santo, “a vinculação do Agô ao Curso Profissional trás a importância do protagonismo na forma de se relacionar a formação em dança em matrizes afro-brasileiras no âmbito da Escola. As pesquisas, os saberes, os conhecimentos e as metodologias discutidas no Núcleo Agô vão retroalimentar o processo formativo desses estudantes. Ele vai ser co-produtor, co-compartilhador e co-mediador desses processos de aprendizagem e pesquisa”.

Denilson Olwafemi, pesquisador colaborador do Núcleo Agô, além de professor de Estudos e Fundamentos da Dança Afro-Brasileira nos Cursos Livres da Escola de Dança, ressalta que a “ideia é trazer os alunos para compartilhar esse estudo que já existe, no sentido de construir um aporte teórico para a dança afro, já que estamos num ambiente acadêmico”.

No ano passado diversos profissionais de dança como Tatiana Campelo, Julieta Rodrigues, Vânia Oliveira, Denis Silva e Paco Gomes, que ministraram oficinas no âmbito do Núcleo. “Aqui filtrávamos toda a metodologia e discussão para depois produzir um material de estudo para que isso possa reverberar reverberar no ensino e aprendizado da Escola como um todo”, diz Denilson.

“Não é só oferecer ao mercado um profissional que sabe apenas mover o corpo, mas que não tenha um conteúdo teórico embasado, o estudo cinesiológico, o estudo da biomecânica, de como funciona o corpo para a dança afro-brasileira. A dança afro-brasileira possibilita um profundo conhecimento de si mesmo, ela é o produto acadêmico do negro”, destaca e finaliza o pesquisador e coreógrafo Denilson Olwafemi.

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O professor de Danças Afro-Brasileiras do Curso Profissional, Matheus Ambrozi, ressalta que “essa inserção do Núcleo no Curso Profissional vai ampliar o olhar dos alunos para a questão da ancestralidade e identidade. Não é só a questão pedagógica, mas nomes, lugares e situações. No Agô a gente vai poder estimular a conhecer mais um pouco isso que é nosso”.

Atualmente a Escola de Dança oferece diversas modalidades de danças de matrizes africanas. A coordenadora do Núcleo Agô, Rose Bárbara, destaca outro ponto importante na mudança: “trazer os professores de dança afro da Escola para mais perto da pesquisa, da teoria e do embasamento. Para que a partir daí eles também possam repassar para os alunos deles”.

“Fortalecer os nomes e referenciar os nossos mestres e ancestrais. É a nossa história que precisa ser passada e repetida. Porque as pessoas que vão chegar depois precisam saber que esses passos foram deixados, registrados, e eles precisam ser cada vez mais marcados. Esse é o objetivo que acredito que seja o maior do Agô”, finaliza Rose Bárbara.

Fotos: Tomaz Neto
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