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12/04/2019 17:20

#PrataDaCasa - Roque Araújo é a lenda do cinema baiano que cuida dos equipamentos da Dimas

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Com 82 anos de idade; 61 deles fazendo cinema e 25 anos na subgerência da Diretoria de Audiovisual (Dimas) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), o carismático Roque Araújo é uma lenda do cinema baiano, nacional e internacional! 

Nascido de frente para o antigo cinema Itapagipe, na Ribeira, Roque não fazia ideia que cinema era seu forte quando formou-se eletromecânico. Convocado para trabalhar na antiga Secretaria de Vias Obras Públicas, ele foi responsável por colocar o primeiro ponto de energia para a construção do Teatro Castro Alves.  “A febre que é hoje a internet, na minha época de jovem era a eletricidade”, contou sorridente.

Interessado em filmar o primeiro longa-metragem baiano, “Redenção”, o cineasta baiano Roberto Pires buscou apoio da secretaria para usar o espaço da construção como locação. Foi assim que começou a história de Roque com o cinema: “o secretário só liberaria as filmagens com um funcionário do estado, e eu fui”, disse Roque que não fazia ideia do que era cinema. 

Roque fez a iluminação e recebeu  uma recompensa generosa. “Fazer cinema é bom, estou até hoje!”, conta lembrando que tirou a sorte grande. O subgerente dali em diante participou de inúmeras produções brasileiras, até conhecer o seu grande amigo Glauber Rocha.

Amigo de Glauber

c“Nas minhas primeiras experiências eu ia como encarregado do estado”, revelou. Roque tinha sido recomendado para a equipe técnica do filme “Barravento”, que teve a substituição de direção por Glauber Rocha. “Eu já o conhecia de vista, e sabia da loja do pai dele que ficava na rua Chile”, relembrou Roque.

Com a recomendação do trabalho de Roque, Glauber atrasou em uma semana as gravações de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” para ter o conhecimento na equipe. Roque ainda estava finalizando o filme “O Caipora”. “Glauber chegou para mim e perguntou: estou indo gravar no Rio, você quer mesmo fazer cinema?”, sem pensar duas vezes, Roque foi com o amigo.

Assim, Roque passou trinta anos morando no Rio de Janeiro e tendo experiências diversas. Gravou todos os filmes de Glauber, além de cuidar da iluminação e dos equipamentos. Em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, inclusive, Roque interpreta um dos cangaceiros.

Em homenaem aos 33 anos após o falecimento do amigo, Roque Araújo fez o filme “Glauber Rocha em Defesa do Cinema Brasileiro”.


De um tudo!

rRoque foi o presidente-fundador do sindicato de cinema em São Paulo e co-fundador do sindicato no Rio. “Eu dei minha contribuição a categoria”, realçou. Ao lado de figuras famosas como Cacá Diegues, Jorge Lafond e Grande Otelo, Roque conseguiu elaborar a Lei 6.533/98 que regula o exercício das profissões de artistas e técnicos em espetáculos de diversão. 

Morou dois anos na Itália, um ano na França, oito meses na Alemanha e seis na Suíça fazendo cinema. Trabalhou em televisão e filmes na Itália e lançou seu primeiro filme em Portugal. Por ser considerado uma lenda do cinema, Roque obteve três títulos de doutor honoris causa, sendo dois internacionais e um nacional.

Em 1994, Roque foi convidado para assumir os equipamentos da Dimas. “Lembro como se fosse hoje, era 4 de fevereiro de 1994”, disse. Com muito zelo e conhecimento, Roque divide seu tempo cuidando dos equipamentos da instituição e o seus que estão guardados no espaço.

“Aqui temos 3.800 peças que farão parte do primeiro Museu de Cinema da Bahia”, conta com alegria do espaço que ainda está em negociação com o Ipac. O Instituto já conseguiu garantir um espaço em Cachoeira que abriga quase 2 mil equipamentos. “Ainda tenho 1.800 peças para trazer do Rio e muito mais que quero deixar exposto para que os jovens que nunca virão possam ver o que há por trás do cinema”, conta entusiasmado.

Fotos: Marcelo Ricardo
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