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03/05/2019 14:30

#GrafiasEletrônicas - Criar mundos poéticos para tocar em pessoas reais é a missão de Fabíola Cunha e Denisson Palumbo

cColocando palavras em trânsito, o artista da palavra pode criar mundos poéticos e lugares inimagináveis. É apostando nessa possibilidade que a segunda edição do edital Grafias Eletrônicas, uma parceria da Funceb e do Irdeb, selecionou 20 textos que pretendem expandir a imaginação de ouvintes, leitores e espectadores. 

A historiadora Fabíola Cunha foi introduzida no mundo da leitura por sua bisavó, uma mulher analfabeta. A matriarca falava com poesia e criava mundos para que sua bisneta pudesse habitá-lo. Hoje, Fabíola é professora e atua também como redatora freelancer.

“Antes de aprender a ler, juntando letras e desvendando significados, fui alfabetizada na leitura da natureza e das pessoas”, relembra a historiadora. O conhecimento trouxe para Fabíola o entendimento que poderia transformar o mundo ao seu redor. “Sigo bordando palavras no tecido da vida e sendo poeta em tudo que faço”, realça.

Seu texto “Terra e Água Salgada” fala de um corpo gravado por marcas africanas e suas expressões. “Eu sou uma mulher de água salgada. Neste texto eu falo do meu corpo-terra e a estética que se desenha nele”, explica. “Participar com ele do Grafias irá manter o registro e a circulação, o que deixará minha obra acessível”, ressalta entusiasmada.

cEnquanto Fabíola é uma poeta em suas correntezas, o licenciado em Letras Denisson Palumbo prefere os entrelugares em que o seu texto “Metades” cria. “Meu poema é metade meu, metade do mundo”, brinca com o título. Denisson já publicou livros de poesia de forma independente e está sempre presente em saraus literários.

Além de escritor é músico prático interessado em palavra cantada e já marcou sua presença no disco “Setas Indicam a Direção” (2016), da Banda Diamba. É o dramaturgo do texto “Pavio Curto” (2011), escrito com Clarissa Rebouças e encenado por Fernanda Júlia (Onisajé). Produz conteúdo para Youtube e Instagram.

Para Denisson, ser artista da palavra é se manter em trânsito. “Seja no poema, no cordel, no texto teatral, trata-se, de uma forma ou de outra, de participar da vida pública, uma questão de cidadania”, conta Palumbo. “TV e rádio refletem a realidade de pessoas que não tem acesso a internet, acredito que o Grafias é uma estratégia de expansão”, reitera. 

Fotos: Arquivo Pessoal
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