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17/05/2019 13:07

#GrafiasEletrônicas - Questões de gêneros marcam presença na segunda edição do projeto fruto da parceria entre Funceb e Irdeb

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Cores de roupas e comportamentos pré-estabelecidos para meninos e meninas, cada vez mais tem gerado discussões que repensam a diversidade de masculinidades e feminilidades possíveis. Estrategicamente, a poesia tem sido um instrumento útil para sensibilizar o olhar para estas inquietações. Com respeito às identidades, a parceria do Irdeb e Funceb, traz na segunda edição do Grafias Eletrônicas autores preocupados com os aspectos dos gêneros.  

Erika Ribeiro é professora e realizou projetos como “[DI]Versos” e a “Cia Árvores que dá versos”, que buscava o respeito à diversidade e identidades plurais. Além disso, é coordenadora do Coletivo “Vozes-Mulheres: além das margens” e pesquisadora da Poética de mulheres do Vale do São Francisco. “Minha existência está alicerçada na defesa da palavra e dos corpos livres, no ser em cada letra posta, de cada verso dito e sentido. Eu sou porque a escrita é em mim”, ressalta.

A professora reside em Juazeiro e conta que a cidade ainda carece de ações que legitimem a cena literária, no entanto, ela acredita que o Grafias é um importante instrumento nesta perspectiva. “É um espaço de fomento e valorização da produção literária da Bahia, principalmente por reunir produções dos vários territórios baianos, em diversos estilos”, afirma. Erika ainda pensa na poesia como uma estratégia para sensibilizar. “A poesia se faz, principalmente, nesse toque da sensibilidade do outro”, diz.

Com a escrita voltada para a feminilidade, “Inadequo-me” confronta a imposição de padrões de comportamento às mulheres por meio da linguagem poética. “Não só nesse poema, mas em toda a minha produção, a minha pretensão é instigar, provocar o sentir do leitor, aguçar a sensibilidade para questões existenciais e sociais importantes, a exemplo do respeito às mulheres”, revela.

xNão tão distante, o jornalista Breno Fernandes faz a poesia aliada para reconstruir o imaginário sobre as masculinidades.

Após escutar o relato de uma amiga que temia cortar os cabelos longos com medo de perder a feminilidade, Breno buscou algo que se assemelhasse aos padrões sociais estabelecidos para homens. “Me veio à mente aquela frase clássica: ‘Homem não chora!’ e me dei conta de que a lágrima era o ponto frágil no corpo do homem tradicional”, conta. Breno define “Chorar em Via Pública” como “um vislumbre no interior de um sujeito que não lida muito bem com o ímpeto de chorar no meio da rua”.

Além de jornalista, Breno é acadêmico e se diz “poeta bissexto”, tendo sua produção majoritariamente de texto em prosa. Um dos poucos textos em poesia é “Chorar em Via Pública”. O soteropolitano já publicou quatro romances infanto-juvenis, tendo um deles conquistado o segundo lugar do Prêmio Biblioteca Nacional em 2018. “A escrita é a melhor forma de transmitir o que está na minha cabeça para outras cabeças, esse trânsito é uma aprendizagem!”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal
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