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29/07/2019 13:30

Comissão de Seleção do Prêmio Pierre Verger se reúne a partir desta segunda-feira (29) no Teatro Castro Alves

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De portas fechadas, cinco dos mais renomados fotógrafos e artistas visuais do Brasil se reúnem de hoje (29) a 2 de agosto, no Teatro Castro Alves, para avaliar as 292 propostas habilitadas na sétima edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger. A Comissão de Seleção, presidida pela fotógrafa e artista visual Célia Aguiar, selecionará os três melhores trabalhos inscritos nas categorias Ancestralidade e Representação, Fotografia Documental e Inovação e Experimentação. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil. Além destes, outros 12 receberão menção honrosa e vão compor o Catálogo e a Exposição Coletiva do Prêmio.

"É uma das poucas premiações nacionais que estão sobrevivendo a esse momento político, onde vários outros prêmios, salões e eventos de fotografia e das artes não conseguiram acontecer até hoje. Então poder realizar o Prêmio Pierre Verger hoje, na Bahia, é de fato um prêmio para a gente. Ele traz uma importância, além de financeira para o premiado, oportunizando projeção nacional e internacional. Esse Prêmio representa o respeito pela comunidade artística e reconhecimento do valor dele", diz a presidenta da Comissão, Célia Aguiar.

Alexandre Sequeira, fotógrafo, artista visual e professor paraense, destacou a relevância do Prêmio a partir do espaço de discussão que ele promove: "A gente está num momento de retração dos espaços de circulação, de discussão de conteúdo simbólico, poético e artístico. Acho que acima de tudo, esse Prêmio promove um território de discussão de conteúdo simbólico a partir da imagem fotográfica e acho que isso enriquece a todos, selecionados ou não, baianos ou não. É uma possibilidade da gente adensar discussões muito interessantes como Ancestralidade e Representação, que a gente ainda vê segmentos de culturas ancestrais que fazem parte do Brasil serem perseguidos e negados; e a própria fotografia em seu papel Documental, onde a gente vê um espaço muito rico de discussão e de afirmação".

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Já a professora da Faculdade de Belas Artes da UFBA e artista visual, Cristina Damasceno, salientou que o Prêmio legitima a fotografia enquanto categoria artística: "me formei em jornalismo mas a fotografia sempre fez parte do meu mundo, primeiro fotografei muito e depois decidi estudar a fotografia. Vejo esse Prêmio como algo histórico, no sentido da fotografia, que sempre foi relegada como categoria artística. Esse Prêmio é um dos poucos ainda existentes na área da cultura nessa atual conjuntura do país. Vejo esse momento como muito importante porque o Prêmio legitima a fotografia em seu lugar, que é no campo artístico".

Paulo Coqueiro é outro integrante da Comissão de Seleção. Ele foi vencedor da última edição Prêmio Pierre Verger 2016-2017 na categoria Trabalhos de Fotografia de Livre Temática e Técnica. "É preciso ratificar o Prêmio como uma política pública estadual que demonstra que há possibilidade sim de que a gente tenha políticas públicas neste país voltadas para a cultura. Demonstra a engenhosidade do povo baiano para com o Brasil como um todo, por ser uma premiação nacional. É reconhecido com um dos maiores prêmios do país e agente não pode esquecer que ele foi criado em 2002 e resgatado a partir de um movimento popular de fotógrafos baianos, com apoio de fotógrafos de todo o país".

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A fotógrafa paulista Nair Benedicto, fundadora de uma das primeiras agências de fotojornalismo do país, vai um pouco além e defende a ampliação de possibilidades dos fotógrafos: "O que  agente precisa mudar também é o próprio fotógrafo, o próprio artista. Numa cidade linda, maravilhosa e grande como Salvador, por que a gente não abre um monte de local de exposições? Está cheio de gente na rua, o clima é bom, a paisagem é linda, vamos inovar. Quando comecei, a gente fazia exposição de varal, há coisa mais barata que isso? Eu acho que o artista precisa de apoderar mesmo de todos os novos meios e ampliar as suas possibilidades. Nós estamos numa época de chegar para as pessoas e dizer: você também é uma arma, teu corpo, teu cabelo, teu olhar, sentimentos e vivências.

O coordenador de Artes Visuais da Funceb e também fotógrafo, Marcelo Reis, não participa da seleção, mas destaca que "além do reconhecimento financeiro ao artista, o grande prêmio é ter sido selecionado por uma comissão tão qualificada como essa, com nomes muito representativos na linguagem fotográfica. O artista vai perceber que pelo filtro conceitual que ele passou, o trabalho dele tem um aprofundamento muito consistente. O Prêmio traz para visibilidade o artista fotógrafo, isso é fundamental e de muito valor, não só para o currículo, mas valor pessoal de realização".

Bate papo

A Fundação Cultural do Estado da Bahia, e parceria com o Museu de Arte da Bahia, a Fundação Pierre Verger e a Galeria Paulo Darzé, realizará a Roda de Conversa: Pensamentos e Sentimentos na Fotografia com a presença de todos os componentes da Comissão de Seleção do Prêmio Pierre Verger. O evento acontecerá na próxima quarta-feira (31), às 18h, no Museu de Arte da Bahia (MAB), na Vitória, em Salvador, com entrada gratuita.

Serviço:
Roda de Conversa: Pensamentos e Sentimentos na Fotografia
Quando: 31 de julho de 2019 (quarta-feira), às 18h
Onde: Museu de Arte da Bahia (av. Sete de Setembro, nº 2240, Corredor da Vitória, Salvador-BA)
Gratuito

Fotos: Amanda Moreno
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