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01/08/2019 09:06

Roda de Conversa sobre Pensamentos e Sentimentos na Fotografia reuniu profissionais, estudantes e pesquisadores no MAB

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Pensamentos e Sentimentos na Fotografia foi o tema discutido na quarta-feira (31) durante a roda de conversa promovida pela Fundação Cultural, em parceria com a Galeria Paulo Darzé, a Fundação Pierre Verger e o Museu de Arte da Bahia, onde aconteceu o evento.

Com plateia lotada, a roda de conversa foi mediada pelos cinco integrantes da Comissão de Seleção da 7ª edição Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, promovido pela Funceb. Na ocasião, Célia Aguiar, fotógrafa e especialista em Artes Visuais, apresentou os participantes da mesa, e destacou que “esse é um momento para a gente pensar junto sobre essa concepção da fotografia, o que é esta linguagem, o que ela transforma, onde ela nos toca”.

Alexandre Sequeira, fotógrafo, artista visual e professor da Universidade Federal do Pará, destacou a importância das três categorias do Prêmio Pierre Verger: “a categoria Ancestralidade e Representação promove essas matrizes que compõem o universo brasileiro; a Fotografia Documental propõe que a gente pense no que é um documento de fato, considerando o atual momento do país; e Inovação e Experimentação nos traz essa reflexão do que é fotografia, tanto no conceito quanto nas formas de representação. E do Rio Grande do Sul ao Amazonas temos trabalhos espetaculares inscritos nessa premiação”.

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Paulo Coqueiro, fotógrafo vencedor da última edição do Prêmio Pierre Verger, também fez parte da mesa: “É bem generosa a forma que acontece a premiação, um certame estadual de abrangência nacional. A grande maioria das fotografias analisadas nos traz isso de que sentido dar a essas imagens, como tentar dar amplitude a essa quantidade de questões necessárias de ser implantadas no Brasil. O Prêmio acontecia, mas não com essa reflexão, não com diálogo entre quem faz a apreciação dos trabalhos e a comunidade”.

Outra convidada de renome para a roda de conversa foi Nair Benedicto, paulista, precursora do fotojornalismo no Brasil. Em seu discurso, muito aplaudido, Nair não se diz pessimista ou otimista, e sim esperançosa com o futuro do Brasil. “Minha vida sempre foi pautada na política, primeiro em 1964, período em que fui presa política, e agora ainda mais. Temos uma capacidade incrível que construir o país que a gente quer. Hoje a política está na mesa, está nas redes sociais, está sendo discutida. Mas também nenhum de nós pode viver tranquilamente sem olhar para o genocídio dos povos indígenas e dos pretos, que está logo atrás dos nosso ombros”.

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Em diversos momentos da roda de conversa o Prêmio foi descrito como um ato de resistência. “Estamos tendo cortes em todas as áreas, principalmente da cultura. A fotografia durante a sua história foi renegada no campo artístico e hoje está em outro lugar, que ressalto aqui que foi construído. Quando a gente se debruça na história da fotografia na Bahia, há uma lacuna na década de 70, quando não há registro de salões, exposições; e a partir da década de 80 a história já foi mudando”, disse Cristina Damasceno, doutoranda em Artes Visuais e professora da Escola de Belas Artes da UFBA.

Após apresentação da mesa, o diálogo foi aberto para os presentes. Temas como otimismo/pessimismo em relação ao futuro do Brasil, protagonismo negro na fotografia e Colóquio de Fotografia na Bahia foram alguns dos temas abordados. Até sexta-feira (2) a Comissão do Prêmio Pierre Verger se reúne no Teatro Castro Alves para selecionar o premiado de cada categoria, mais outros 12 trabalhos que irão compor a Exposição Coletiva e o Catálogo do Prêmio.

Fotos: Joel Calixto (Ascom/MAB)
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