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01/08/2019 11:52

#NossoOuro - Na estrada dos sonhos: Jakcson Reis, um castroalvense que pedala em busca do sonho de ser bailarino

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Apostar nos sonhos é também assumir os contratempos da caminhada. Essa tem sido a trajetória do estudante Jackson Reis, de 23 anos, que encontrou da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia a possibilidade de realizar um sonho. Vindo de Castro Alves, a 200 km da capital baiana, Jackson faz um percurso diário de 44 quilômetros de bicicleta para realizar a vontade de dançar.

Morando no bairro do Cabula, na casa de seu irmão, Jackson pedala ao menos três vezes na semana para o Pelourinho onde cursa três modalidades dos Cursos Livres a noite. “No interior não temos escolas de dança, sem contar que, por ser uma cidade muito conservadora, existe um preconceito por ser frequentada por muitos gays”, conta Jackson. Ele integra a Quadrilha Junina da Funceb e ainda faz aulas de Dança Moderna e dança Afro-Brasileira.

d“Eu sempre quis, então organizei minha rotina para conseguir ir em busca do que acho ideal para mim”, diz o estudante sobre como organiza sua rotina. Obstinado, Jackson preferiu sair de um emprego dentro de um hotel para fazer o que gostava. Ele estuda num pré-vestibular organizado por egressos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Federação, o que alonga seu percurso. “Meu objetivo é cursar Dança ou Letras”, revela.

Se por um lado a dança sempre fez parte do interesse de Jackson, mas não tinha a possibilidade dada às condições da cidade natal, Letras é outro interesse também antigo de ser professor. “Eu gosto de sala de aula e penso que posso ser professor de dança ou de literatura”, calcula. Quando chegou em Salvador, o castroalvense se associou a movimentos sociais que buscavam igualdade na distribuição de renda e racial, além da identificação com o cabelo crespo.

Apoio

Não fossem as distâncias físicas, Jackson também relata as diferenças temporárias entre ele e sua mãe, que se transformam mais distância até o seu sonho. “Ela cresceu e vive numa cidade em que realizar o sonho da vida é trabalhar e construir uma família. Ela não entende meu interesse em fazer dança, ela não entendeu porque eu sair do emprego” relata.

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Os diálogos costumam ser difíceis quando se tratam da escolha de Jackson pela dança. “Apesar de me apoiar, meu irmão também não entende minhas escolhas”, comenta com certo pesar. No entanto, Jackson fez muitos amigos tanto na pré-vestibular como na Escola de Dança. “Eles me motivam todos os dias, lembram das pedaladas que faço para o meu sonho, isso é importante, me vejo até como inspiração para alguns deles”, afirma.

É nesta travessia de desejos, sonhos, angústias e solidariedade que o jovem tem descoberto um atalho para seu sonho. Esperançoso, Jackson apostou na Escola de Dança como uma incubadora do seu projeto de futuro.“Foi muito bom conhecer a estrutura, os profissionais e os serviços que a Escola nos oferece, foi através dela que eu tive certeza que dança é muito maior do que pensam no meu interior”, inspira. Qual a trajetória para você realizar seu sonho?
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