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27/08/2019 15:50

#PrêmioPierreVerger - Daniel Moreira revela a união e resistência de famílias que conseguiram sair da situação de rua

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“Amadureci minha visão técnica e de mundo para interferir em situações sociais norteado por meus sentimentos”, declara Daniel Moreira, fotógrafo vencedor da Categoria 1 - Ancestralidade e Representação, do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). 

O mineiro levou o prêmio com a proposta “Vale das Ocupações”, que retrata o cotidiano de famílias de baixa renda e a dura realidade em relação ao direito à moradia. “Temos 6,3 milhões de sem-teto no Brasil e 100 mil destes estão somente na cidade de Belo Horizonte. Dessa maneira surgiu o Vale das Ocupações, espaço que abriga aproximadamente 1.200 famílias na capital mineira”.

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O fotógrafo acompanhou a localidade que é organizada em ocupações: Eliana Silva, Camilo Torres, Irmã Dorothy, Nelson Mandela e Hortas 1 e 2, localizadas no Barreiro, zona limítrofe de Belo Horizonte. “Falar sobre ocupações urbanas é tratar do enfrentamento cotidiano no acesso ao direito a moradia e a cidade. Neste contexto em que as políticas governamentais estão empenhadas em cortar conquistas sociais, senti a necessidade de enviar este ensaio para o Prêmio”, aponta.

“Sempre me interessei pela capacidade humana em se adaptar”, explica o fotógrafo, que começou a série fotográfica no Vale há cerca de dois anos. Lá conheceu histórias de superações e dificuldades: “em um país desigual como o Brasil, refletir sobre outro modelo de organizar a cidade é uma oportunidade de perceber como as ações humanas prevalecem sobre as escassas possibilidades da vida urbana contemporânea”, descreve o fotógrafo.

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Da Família

Graduado em Comunicação Social, Daniel trabalhou por dez anos com publicidade, mas não se sentia realizado. Foi então que começou a trabalhar com temas sociais utilizando a fotografia como um olhar humanizado sobre o mundo. Com o portfólio repleto de exposições, mostra em salões e premiações, Daniel desenvolveu como técnica “ser da família” para fotografar o Vale longe de um olhar exotificador.

c“No primeiro momento conversei com lideranças sociais locais, pois achei que seria menos invasivo. Após o consentimento das comunidades visitei os moradores e conheci a Janaína”, relata. Janaína é moradora da ocupação e acompanhava Daniel em suas visitas semanais. Ao longo do projeto, o fotógrafo criou uma relação de amizade com a família da moradora e até hoje se falam por telefone semanalmente. 

“Escolhi trabalhar com uma câmera de grande porte, o que me demandava um tempo considerável para preparar o equipamento. Às vezes levava um dia inteiro para uma única fotografia. Assim voltei em algumas casas mais de uma vez e pude perceber melhor a rotina da família, além de escutar histórias”, conta o vencedor do concurso.

Das últimas sete edições do Prêmio Pierre Verger, ao menos cinco tiveram a presença mineira entre contemplados. “Sinto-me honrado! O Prêmio Pierre Verger é considerado um dos maiores prêmios da fotografia autoral brasileira. O prêmio é um reconhecimento não apenas de trabalhos de fotógrafos, mas de um Brasil que precisa ser visto”, afirma Daniel. 
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