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29/08/2019 11:20

#PPV - Relações conceituais e alquímicas revelam transformações sociais e do tempo no trabalho experimental de Eriel Araújo

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“Escolho revelar algo que parece endurecer nosso olhar ou afirmar nossa frágil condição perante o desenvolvimento dos materiais criados da terra”, afirma o baiano Eriel Araújo, premiado na Categoria 3 - Trabalhos de Inovação e Experimentação, do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

Ressignificando a imagem fotográfica por meio de materiais específicos, o que Eriel chama de alquimias visuais, o fotógrafo construiu a obra premiada “Civilidade”, da série “Imagem-Concreto”. A peça é resultado de observações dos fenômenos naturais e intervenções humanas no solo das cidades de concreto. “Utilizo para a construção de uma narrativa poética a união entre o significado de uma fotografia e as qualidades do material que a compõe”, aponta.
 
As imagens fotográficas, compostas por uma mistura preparada com cimento, óxido de ferro, óxido de cobalto, óxido de manganês e pólvora; foram reveladas com luz solar sobre placas de fibrocimento fotosensibilizadas. “O cimento carrega em sua criação e história valores antagônicos entre construção e destruição. Nesse sentido, penso que a ressignificação de uma imagem fotográfica, quando apresentada em outros suportes que contém outras simbologias, aponta uma ampliação do que identifico como registro de um momento vivido”, descreve Eriel.

De um dos prédios mais altos do Brasil, o edifício Itália na cidade de São Paulo, o projeto apresentado ao Prêmio Pierre Verger propõe uma reflexão sobre os “horizontes” que faz perder de vista os ideais de cidade, individuo e cidadania. Dispostas num panorama em 360º, as 12 fotografias, frutos de observações da construção civil, estarão suspensas por barras de ferro sobre blocos de concreto circulando o olhar do espectador.

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Conceito alquimista

Doutor em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Eriel defendeu sua tese sobre imagens transitórias e possíveis interações entre o real e o imaginário. A produção do fotógrafo estabelece relações conceituais, alquímicas e visuais sobre as ações da humanidade mediante as transformações sociais e do tempo.

Suas produções fotográficas já passaram por diversas exposições na capital baiana, em outros estados e até internacionalmente. Na Alemanha suas obras já estiveram em uma galeria junto às fotografias de Pierre Verger. “Sinto-me reconhecido, tanto pelo longo período de investigação e dedicação à produção artística a ser contemplada por esse prêmio, quanto por rememorar que participei de uma exposição com obras de Verger”, lembra.

fA escolha de Eriel pela categoria 3 - Inovação e Experimentação é fruto de um largo caminho de experimentações. “Identifico que minha trajetória artística se insere nesse contexto da fotografia atual, onde não existem barreiras entre os processos fotográficas atuais e aqueles considerados antigos ou analógicos”, explica. O fotógrafo vê a categoria como uma atualização da fotografia.

“Enquanto área de conhecimento em constante expansão e interação com vários modos de pensar e agir fotograficamente, a minha escolha pela categoria 3 configura o encontro com o que penso sobre a fotografia, inserida numa malha complexa de resultantes visuais e conceituais”,  considera o fotógrafo.
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