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23/10/2019 09:00

#PPV - “A sobrevivência dos Vagalumes”, de Max Fonseca, expõe estética periférica e sensibilidades sobre a figura dos palosos

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Integrante da Exposição Coletiva e do Catálogo do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, o artista visual baiano, Max Fonseca, concorreu na premiação realizada pela Fundação Cultural do Estado com o ensaio A Sobrevivência dos Vagalumes, e recebeu Menção Honrosa na Categoria 1 – Ancestralidade e Representação. 

“Foi uma grande honra para mim estar entre os selecionados, sobretudo com essa série que aborda estética periférica e coloca em discussão nossos olhares e sensibilidades sobre a figura dos palosos. É uma oportunidade de gerar uma contrainformação, de forma poética e respeitosa, para uma parte da sociedade que tem seus corpos, almas, gestos e culturas como alvos pro Estado atirar”, revela Max.

Nas imagens produzidas pelo fotógrafo, é possível detectar que é nas periferias brasileiras, nas zonas opacas, nas zonas de apagamento, onde a falta é grande e a iluminação é pouca, que os holofotes da opressão se acendem com maior intensidade. “Eles têm por alvo os valores, as almas, as linguagens, os gestos e os corpos do povo”, ele conta.

As 19 imagens, realizadas no bairro de Cajazeiras, em Salvador, entre 2017 e 2019, chamam atenção ao abordar aspectos do universo simbólico e representativo dos "palosos", adjetivo que nas periferias soteropolitanas é utilizado para descrever uma pessoa que chama a atenção por parecer periculoso.

“Essa associação porta um misto de risco, temor e respeito dentro da comunidade. Em virtude disso, muito jovens locais recorrem a essa estética em busca de pertencimento e auto-estima”, revela o fotógrafo.

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Coragem e poesia

“Em meu trabalho associo esse grupo social à imagem-poética dos "vagalumes", criada por Pasolini em 1941, para descrever as pessoas que resistiam ao fascismo com coragem e poesia. Depois, brilhantemente invocada por Didi-Huberman em 2009, no livro homônimo a este ensaio, onde ele aborda os aspectos de sobrevivência”, conta Max.

Para o artista, “os vagalumes tentam escapar como podem das luzes condenatórias que os procuram. Evitam os holofotes porque sabem que a espetacularização e o sensacionalismo atacam com voracidade as suas desgraças. Minha intenção é oferecer uma possibilidade de representação a um grupo social muito específico, que se encontra nas zonas de conflitos, nos "quases" da criminalidade, dissociando-os da imagem preconceituosa construída por mídias e políticas”, finaliza o artista.

sVisitações

Até o dia 24 de novembro, amantes por fotografia e interessados nas diversas discussões apresentadas pelos fotógrafos, podem ver as obras selecionadas no Prêmio Pierre Verger, de terça a sexta-feira, das 13h às 19h; e nos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes, na Sala Mário Cravo Júnior, no bairro da Graça, em Salvador.

Os visitantes também podem participar da segunda visita guiada que dá seguimento às ações da Premiação e acontecerá no dia 23 de outubro, às 15h, com os participantes da exposição e membros do júri.

Serviço:
Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior

Visitação guiada à exposição
Quando: 23 de outubro, às 15h
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Atividades gratuitas e abertas ao público
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