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31/10/2019 09:57

#PPV - Márcio Vasconcelos expõe os espíritos das senzalas maranhenses na categoria Ancestralidade e Representação

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“Não posso garantir nada do que as imagens registram, mas, provoco as pessoas a sentirem”, adianta Márcio Vasconcelos, participante da exposição coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Márcio conquistou a menção honrosa pela obra “Espíritos de Senzalas - Imagens do Silêncio, do Vazio, do Invisível”, que retrata a presença invisível de negros escravizados durante o Brasil colônia. 

Natural de São Luís (Maranhão), Márcio Vasconcelos é fotógrafo autodidata e realiza trabalho independente há pouco mais de uma década. O maranhense se interessa por temas da cultura popular e da religiosidade de matriz africana: “eu frequento o culto de Tambor de Mina, uma tradição de origem africana que é muito intrínseca a cultura maranhense”, conta Márcio.

As fotos de Márcio também passeiam pelos contornos da história da Rainha Ná Agotimé. Nascida em Tendji, no antigo reino de Daomé (atual Benin), Agotimé foi trazida ao Brasil no século XVIII. Segundo as pesquisa do também etnólogo Pierre Verger, a rainha teria passado por Itaparica até chegar à São Luiz procurando suas irmãs e irmãos da nação dos “Minas”, no sudeste africano. Com o reencontro é criada a primeira casa do Tambor de Minas, conservada até hoje como muitas construções da cidade. 

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Por conviver com estas construções coloniais, Márcio visitou senzalas e engenhos de cana de açúcar e algodão para promover seus ensaios. “Tenho interesse também em ampliar este projeto e perceber os espaços por onde transitou a população escravizada, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e outros estados que conservam construções do período colonial”, explica.

Registrando o invisível

Foi conversando com amigos espíritas que o fotógrafo decidiu realizar a obra que o levou a receber menção honrosa na Categoria 1 - Ancestralidade e Representação. “Esses amigos comentavam sobre ter visto, ouvido e sentido a presença destas pessoas escravizadas e isso me interessou”, ressalta.

s“Utilizo-me de estratégias da fotografia para causar as impressões que tive. A intenção é fazer sentir o silêncio, o vazio e essa ‘presença-ausente’ dos lugares”, detalha Márcio. O fotógrafo visitou os lugares durante a noite, quando estava mais silencioso para a sensibilidade ficar mais apurada, e deixava a câmera ligada para captar seus pressentimentos.  

“A partir dos espaços vagos, das deformações nas paredes e chãos, eu sugiro que o olhar das pessoas detectem essas sensações. Procuro evidenciar que os espíritos de homens e mulheres que foram escravizados ainda vagam em busca de libertação”, exclama Márcio. 

Para o fotógrafo ter conquistado a menção honrosa tem um aspecto peculiar: “é muito simbólico. Meu interesse por fotografar aspectos da religiosidade surge com os trabalhos de Verger”, comenta.  “É muito simbólico levar a menção honrosa que tem o nome dele trazendo imagens de um plano não material”, prediz Márcio. 
 
Veja mais do trabalho de Marcio Vasconcelos no site e pelo Instagram.

Visitações

Quem ainda não viu, tem até o dia 24 de novembro para ver a exposição que traz as mais diversas discussões apresentadas pelos fotógrafos, selecionadas na sétima edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, de terça a sexta-feira, das 13h às 19h; e nos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes, na Sala Mário Cravo Júnior, no bairro da Graça, em Salvador.

Serviço:

Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Gratuito
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