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05/11/2019 16:24

#SeMostraInterior - Lipe Costa embeleza o catálogo de novembro com a afirmação do cabelo crespo

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“Crespo é lindo”, “crespíssimo” e “crespo de rainha!” são algumas das expressões atuais que ressaltam politicamente o uso do cabelo crespo natural para desembaraçar ideias racistas. Aliando3683-se a este movimento, através do projeto “Se Mostra Interior”, o fotógrafo alagoinhense, Lipe Costa, ilustra a capa da programação de novembro do Teatro Gamboa Nova, com a obra “Belezas Crespas”.

O Se Mostra Interior é realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia em parceria com o Teatro Gamboa Nova, e selecionou seis obras de ates visuais do interior do estado para estampar a capa da programação mensal. Além disso, a Funceb também selecionou seis espetáculos de artes cênicas, também do interior, para se apresentarem no Teatro, localizado em Salvador.

“A fotografia era algo quase impossível para mim. Eu achava que só era possível se tivesse um bom equipamento”, conta Lipe Costa, fotógrafo nascido e criado em Alagoinhas. “Foi um antigo namorado que me mostrou como era possível fotografar com celular e construir belas imagens”, descreve o artista. Após ganhar uma câmera semi profissional de um amigo, Lipe encantou-se com o “poder de escrever com luz”, como explica a sua arte.

O trabalho de Lipe aborda ancestralidade e representatividade do povo negro da Bahia com foco no empoderamento como arma de combate ao racismo. “Através da minha arte eu posso resgatar a autoestima das pessoas negras que sofrem com o estigma do racismo ainda muito forte aqui no Brasil”, relata.

Trabalhando prioritariamente com temáticas do povo negro, o fotógrafo pretende ainda avançar para outras temáticas. “Pretendo expandir meu trabalho no fotoativismo, em lutas como o combate a lgbtfobia e outras formas de intolerância. Minha fotografia não é um ato congelado, é um grito de resistência em um tempo com infiltrações retardatárias”, declara Lipe.

Cabelo armado para combater o racismo

“Faço questão de mostrar nas fotografias o quanto é belo o cabelo crespo, a pele retinta e a fé das pessoas, eu acredito no black power!”, reforça o fotógrafo. A obra que retrata a ancestralidade a partir do autocuidado de mulheres e meninas negras reflete também sobre os debates em torno da autoestima e da diversidade da beleza negra.

“Uma amiga estava desenvolvendo uma atividade no bairro do Nordeste de Amaralina sobre a afirmação do cabelo crespo como enfrentamento ao racismo e eu achei a ideia muita boa. Fui voluntário e fiz estas imagens”, comentou Lipe. As imagens produzidas durante o ensaio foram submetidas ao projeto “Se Mostra Interior”, primeiro concurso voltado para artes visuais que Lipe participa.

“É muito importante ter uma obra minha circulando e sendo amplamente divulgado, mas me faz bem saber que se trata de algo maior, de uma luta coletiva e que ainda represento minha cidade”. A conquista representa para Lipe a certeza de fazer um bom trabalho com a fotografia. “É importante para mim, pois indica que estou no caminho e que devo continuar”, afirma Lipe.

Conheça outros trabalhos de Lipe Costa através do Instagram.

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