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11/11/2019 09:00

#PPV - “Puxirum” de Ricardo Ribeiro narra a marcha da vida orgânica das comunidades ribeirinhas na Amazônia

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Integrante da Exposição Coletiva e do Catálogo do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, o ensaio “Puxirum”, de Ricardo Ribeiro, tem lugar em São Pedro, uma comunidade de 120 famílias nas margens do rio Arapiuns, no coração da floresta amazônica brasileira.

“Eu cheguei até lá pelas mãos do Zair, um filho da terra obrigado a deixá-la aos 7 anos, por ocasião da morte do seu pai, e que prosperou em outros cantos como professor de literatura. É um projeto ao qual dediquei os últimos 3 ou 4 anos de vida. Agora ele vem ganhando corpo e projeção”, conta o paulista Ricardo Ribeiro.

“O Prêmio Pierre Verger é uma das maiores honrarias da fotografia brasileira, então tê-lo ali, entre os escolhidos, é uma satisfação enorme”, declara o artista Ricardo Ribeiro autor da obra participante da 7ª edição do Prêmio, a qual recebeu menção honrosa na categoria 2 – Fotografia Documental.

O artista revela que em São Pedro, em Santarém, no Pará, o tempo e o espaço têm uma dimensão diferente. “A natureza é poderosa, onipresente, é ela quem dita o ritmo da vida, não há muito o que se possa fazer contra a escassez de peixes ou de caça, contra as cheias ou contra o sol forte da metade do dia; o ribeirinho é um passageiro exposto à sua própria sorte”, revela o artista.

Em seu projeto, o fotógrafo analisa o tempo como gentil, brando, que permite a contemplação despropositada do incerto ou até a mera existência.

Ode ao tempo arrastado

O modo de vida desta e de outras tantas comunidades ribeirinhas da Amazônia que este trabalho pode representar, surpreendentemente resiste às forças do capitalismo. “A marcha da vida é mais orgânica, fluída, pari passu com o meio”, diz.

dPuxirum adota como tema central o tempo, um "bem" que o homem moderno luta tão desesperadamente para dominar, e que neste pedaço da Amazônia comanda a marcha da vida sem resistência.

“As transformações, ainda que não totalmente compreendidas, são evidentes ao observador atento e ao próprio ribeirinho – elas aparecem sutilmente neste trabalho. Há muito ainda de um modelo de subsistência, pré-capitalista, movido não pelo anseio de acumulo de capitais e de bens, mas pela necessidade quase instintiva de sobreviver”, destaca Ricardo.

Segundo o fotógrafo, é que esse projeto é uma ode ao tempo "arrastado" do ribeirinho, a uma relação paritária com a natureza e à contemplação da vida. No mesmo passo, propõe uma desaceleração incômoda, um ajustamento forçado do relógio interno, e uma reflexão sobre nossa busca obsessiva por conhecimento, eficiência e lucro.

O autor da obra Puxirum revela que os trabalhos vencedores são de altíssimo nível: “então estar entre eles é muito significativo, um estímulo e tanto. Também achei a curadoria excepcional; o espaço (a sala Mario Cravo Jr.), que já é incrível por si só, ficou maravilhoso”.

Visitações

Até o dia 24 de novembro, amantes por fotografia e interessados nas diversas discussões apresentadas pelos fotógrafos, podem ver as obras selecionadas no Prêmio Pierre Verger, de terça a sexta-feira, das 13h às 19h; e nos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes, na Sala Mário Cravo Júnior, no bairro da Graça, em Salvador.

Serviço:
Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Gratuito
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