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27/11/2019 17:00

#NovembroDasArtesNegras - Mônica Santana dialogou sobre representações da mulher negra após apresentação de monólogo

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Abrindo a segunda parte da programação do Novembro das Artes Negras - Ano III, que acontece na Sala King – sede da Fundação Cultural do Estado da Bahia, na última segunda-feira (25), a atriz Mônica Santana, apresentou o monólogo “Isto não é uma mulata”, que discute as representações da mulher negra no Brasil depois do projeto de miscigenação racial. Após a peça, Mônica respondeu às questões do público.

Ao longo da montagem teatral, a atriz apresentou as construções de imagens como da empregada doméstica, a diva do pop e a sambista, que foram discutidas com o público. “Gostei muito da peça, e queria saber se você vivenciou alguma das situações descritas da peça”, perguntou o estudante Jonathas.  

“Listei algumas expressões frequentes, como a ‘fedida’, que era muito preocupante na infância para mim e para minha mãe. Inclusive tem uma folha chamada ‘catinga de mulata’. Essa textualidade ainda é, talvez não tão regularmente, muito atrelada às pessoas negras”, revelou a atriz.

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A estudante Carol se interessou em saber mais sobre o processo criativo: “Quais as referências que você leu?”, questionou. “Três obras são marcantes e são o tripé teórico na construção deste espetáculo: ‘Peles Negras, Máscaras Brancas’, de Frankz Fanon; ‘Torna-se Negro’, de Neusa Souza Santos; e o ‘Espetáculo das Raças’, de Lilia Swartz”, respondeu Mônica. 

“Você sempre se viu como negra? Como se deu este processo para você?”, continuou Carol. Mônica descreveu alguns episódios da infância em que se sentiu interpelada pelas questões raciais: “Pelo tom da pele, por alisar o cabelo, e por alguns lugares que eu passava sem ser lida como não negra, mas eu pude perceber já em casa como minha prima era elogiada e como eu era elogiada, e isso me estranhava”, contou a autora da peça.

“Eu nunca era associada a elogios como ‘linda’, não recebia muitas delicadezas, como as crianças mais retintas eram lidas e outras não. A chave de cura disso é quando você passa a se autorizar, para além do que lhe é imposto”, encorajou Mônica.

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NAN – ano III

Para a Diretora Geral da Funceb, Renata Dias, o Novembro das Artes Negras tem sido uma oportunidade de promover as produções negras em diferentes espaços. “Viemos de uma semana muito feliz nas unidades prisionais, em que conseguimos levar todas as linguagens artísticas, e hoje, abrimos nossas portas para que o público ocupe a arte, em nossa sala”, explicou.

Até a sexta-feira (29), a Sala King recebe produções negras, como o solo da bailarina do Balé do Teatro Castro Alves (BTCA), “Lugar de Preta” (28), e o “Sarauzinho da Calu” (29), às 11h. O encerramento se dará na sexta-feira (29) com o show de Dão, no Largo Pedro Arcanjo, às 20h. Confira aqui a programação completa!
 
Fotos: Keila Menezes
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