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29/11/2019 12:20

#NAN 2019 - Funceb reuniu artistas e pesquisadores para discutirem o papel dos corpos negros nas artes, na tarde de quinta-feira (28)

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Foto: Bia Imperial

A Funceb reuniu membros das mais diversas linguagens artísticas numa mesa, para debaterem o papel dos Corpos Negros nas Artes. A atividade fez parte da programação do Novembro das Artes Negras – Ano III, e aconteceu na última quinta-feira (28), na Sala King (Sede da Funceb).

Estiveram presentes o artista visual Augusto Albuquerque, o artista circense João Lima, a dançarina Jaqueline Elesbão, o cantor Dão e a atriz Mônica Santana. A doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento, fez a mediação da conversa.

Na abertura da mesa, Dayse Sacramento comentou a importância de ter pessoas negras falando, pautando e conduzindo as artes.

“É importante refletir o nosso cotidiano. Saber como andam as produções feitas por artistas negros, e de que forma realizamos os nossos trabalhos”, finalizou.

Para Jaqueline Elesbão, não atender aos padrões que a dança exige em Salvador, foi o empurrão para que ela se encontrasse na arte.

“Hoje eu administro meu trabalho. Para estar no palco, eu que vendo, produzo, coreografo e assim vou resistindo sendo artista negra, na cidade mais negra fora da África, que ainda tem várias camadas de negritude e racismo”. 

O artista João Lima entende que a multiplicidade de tarefas é uma característica de vários povos africanos.

“Vivo num paralelo de ser artista, me produzir e pensar o fazer artística para estar em cena. Esse é o cotidiano de artistas negros independentes na Bahia”.

A atriz Mônica Santana citou o seu trabalho Isto não é uma mulata, que retrata diversas inquietações dela, sobre o que é ser uma mulher negra. E comentou também que gostaria de falar sobre outros assuntos em seus espetáculos.

 “Eu não quero envelhecer e ter que falar sobre os maus do racismo, sobre questões que já deveriam ser bem resolvidas por essa sociedade. Queria fazer uma arte livre, encerra.

O artista Augusto Albuquerque, citou as suas experiências com o Instituto Sacatar. “As residências artísticas são um movimento fundamental na construção e dinamização desses públicos e artistas”

O cantor Dão lembra que no início da sua carreira falava muito sobre as maldades feitas com o negro pela sociedade brasileira.

“Chegou um momento que eu precisava cantar coisas positivas sobre o meu povo e hoje eu me vejo um cantor preto, fazendo música preta e contando nossas histórias”

Até a sexta-feira (29), a Sala King recebe produções negras, como o Balé do Teatro Castro Alves (BTCA) e o “Sarauzinho da Calu” (29), às 11h. O encerramento se dará na noite desta sexta-feira (29) com o show de Dão, no Largo Pedro Arcanjo, às 20h. A entrada é gratuita.
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