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29/11/2019 15:16

#EscritasEmTrânsito - Tatiana Nascimento aborda cuírlombismo literário no Novembro das Artes Negras

cuírlombismo

“Não sendo o tripé da dor, resistência e denúncia que predomina nossas escritas, sobre o que escreveríamos?”, é o questionamento da oficina “O que é cuirlombismo literário: leitura e de poesia brasileira contemporânea”, ministrado pela poeta Tatiana Nascimento, no projeto “Escritas em Trânsito 2019”, que integrou o Novembro das Artes Negras - Ano III.  

“Tem sido um exercício alongar as abordagens que trago que já estão cristalizadas no livro “Cuirlombismo Literário”; uma oficina com uma organização mais teórica e que aponta uma outra mirada sobre as produções negras”, explicou Tatiana. Com a oficina dividida nos dias 27, 28 e 29, a escritora tem dialogado com o público sobre como reagir ao racismo e a colonialidade nas produções poéticas.  

“No primeiro dia, tratamos das expectativas coloniais que determinam as escolhas estéticas na literatura negra. Sendo um lugar geral em que os estereótipos ocupam sobretudo do nosso fazer”, relatou. A partir de um mapa de palavras, Tatiana buscou compreender junto à turma quais as palavras que explicam o que é poesia, literatura e poesia negra. “Percebemos que a poesia era colocada como algo livre, enquanto a literatura negra estava presa a dor, resistência e denúncia”, descreveu.

cuírlombismoTrabalhando com as escritas de mulheres negras lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, como a Kika Sena, Kati Souto e Nina Ferreira, Tatiana compartilhou uma lente interpretativa contra hegemônica. “A lente hegemônica dita nosso jeito de escrever, o jeito que temos de ser lidos e o que achamos que a crítica irá ler de nós. A lente contra hegemônica demonstra forma e conteúdo que indica como agir e atuar”, realçou.

Mas, o que é cuirlombismo?

O termo cuirlombismo convoca uma reconfiguração conceitual a partir das obras de Beatriz Nascimento e de Abdias do Nascimento, teóricos que discutiram em suas obras os quilombos e o quilombismo. Tomando distância da visão centrada na heterossexualidade, cuírlombismo reúne noções da diáspora negra e das dissidências sexuais e como se assenta no solo da ancestralidade.   

Além de perpassar pela fundamentação do termo, Tatiana pretende encerrar a oficina de modo diferente. “Faremos um exercício textual, mas nosso produto final é sair com o deslocamento do olhar, entender o que é a mirada colonial e desativá-la, trocar a lente. Pensar a interpretação e difusão da poesia de um outro lugar, o que pode ser muito libertador para nós”, considerou Tatiana.   

Miradas

A doutoranda em Sociolinguística, Lorena Ribeiro, já era uma das seguidoras das redes sociais de Tatiana Nascimento, e teve a oportunidade de conhecer o trabalho da artista de perto através da oficina. “Estou muito feliz de aprender tão conceitualmente o cuirlombismo. Tatiana tem dado uma aula teórica”, destacou.

O poeta Daniel Gomes é veterano das oficinas do Escritas em Trânsito. “Essas oficinas são muito boas, esta é a quarta oficina que participo e elas mexem muito com meu modo de escrever”, contou. Daniel veio do município de Senhor do Bonfim, selecionado pela reserva de vagas para o interior.

cuírlombismoPara Vitor Guilherme Feitosa, que vem de Irecê, a oficina sobre o Cuirlombismo está dando o clique para algumas questões que já povoavam sua cabeça. “Certamente após a oficina eu irei me debruçar melhor sobre as coisas que estão sendo despertadas aqui”, pontuou Vitor.

Escritas em Trânsito
Lançado em 2012, o Escritas em Trânsito reúne renomados autores de língua portuguesa, de diversas origens e representantes de vários estilos e formatos, para realizar oficinas literárias gratuitas, qualificando o trabalho de escritores baianos, bem como de novos interessados em desenvolver habilidades na área. Para esta edição especial no Novembro das Artes negras foram destinadas 30 vagas, com a participação de pessoas oriundas dos seis Macroterritórios da Bahia.
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