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24/01/2020 16:10

“Xirê das Deusas” reuniu deusas e rainhas de blocos afros na Escola de Dança da Funceb

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A tarde de quinta-feira (23) reuniu deusas e rainhas de blocos afros no “Xirê das Deusas”, organizado pela professora Vânia Oliveira, durante a aula de Dança de Blocos Afros, que acontece as terças e quintas (das 15h30 às 17h30) dentro da programação dos Cursos de Férias da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

“É um ato político trazer mulheres pretas da dança para romper o contexto de exclusão que vivemos neste país, que todo tempo tenta nos silenciar”, disse a professora Vânia Oliveira. Vânia possui o título de Negra Malê 2000 e 2006, e de Princesa do Ébano 2001 e 2014. “Trazer essas mulheres para falar para outras meninas e mulheres é dizer não ao silêncio”, afirmou Vânia

Estiveram presentes no Xirê: Quênia Rebouças (Princesa Malê 2015), Alexandra Amorim (Negra Malê 2008), Jedjane Mirtes (Negra Malê 2014), Anna Preta (Mulher Olodum 1993), Josy Brasil (Muzembela 2019), Sueli Conceição (Deusa do Ébano do Jubileu de Prata do Ilê Aiyê 1999), Negra Jhô (Princesa do Ilê Aiyê 1992 e Rainha do Olodum 2003), Daiana Ribeiro (Deusa do Ébano 2013), Edvânia Neves (Muzembela 1990), Jéssica Nascimento (Deusa do Ébano 2018), Daniele Nobre (Deusa do Ébano 2019) e Gerusa Menezes (Rainha do Ilê 1998).

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“É uma emoção muito grande, pois é algo que marca nossas vidas. São várias gerações num só objetivo. Sozinhas não vamos conseguir nada, pois somos um corpo só com várias cabeças”, disse a rainha e cabeleireira Negra Jhô. 

Roda de mulheres pretas 

Após a aula que contou com a presença das convidadas vestindo seus títulos, houve um bate papo em que o público pode conhecer um pouco mais das trajetórias dessas mulheres. Como a de Anna Preta, Mulher Olodum de 1993. “Eu comecei a concorrer em 1992 e já consegui o título em 1993. Imagina a responsabilidade! De lá para cá viajei para dentro e fora do país para ensinar crianças e adolescentes sobre nossas raízes, e é algo que me deixa muito orgulhosa”, contou Anna. 

Edvânia Neves, conhecida como Muzenza, conquistou o título de Rainha Muzenza em 1990 e de princesa do Olodum em 1991. Ela contou como ser aluna dos professores Augusto Omolu, Armando Pequeno e Mestre King foi importante em sua formação pessoal. “Foi com eles que eu aprendi a ter orgulho de minha raça e levar para qualquer lugar. Hoje eu não moro mais no Brasil, mas fico muito feliz de retornar e perceber que nossa cultura está sendo continuada”, descreveu.

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“É um momento de fortalecimento de nossas ações anuais! Porque durante o ano cada uma está sendo rainha de seus lugares”, ressaltou Sueli Conceição, a Deusa do Ébano do Jubileu de Prata do Ilê Aiyê de 1999.

“É neste momento que a gente percebe que os títulos de rainha e deusas que assumimos como personagens não se desprendem da matéria, pois nos transforma e vai  para além dos palcos. Não é um título somente do entretenimento. Ele transforma a vida e faz isso por gerações”, explicou Sueli. 

As aulas nos Cursos de Férias da Funceb acontecem até 30 de janeiro. Ainda dá tempo de se matricular nas aulas avulsas, confira modalidades!

Fotos: Fernando Barbosa
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