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31/01/2020 15:10

Curso Teatro do Oprimido encerrou as atividades com o módulo “Teatro-fórum e a Função do Curinga” nesta sexta-feira (31)

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O Curso Teatro do Oprimido finalizou, nesta sexta-feira (31), as atividades em Salvador com o módulo Teatro-Fórum e a Função do Curinga. Este quarto ciclo, que aconteceu de 27 a 31, foi ministrado por Licko Turle, ator, diretor e professor de teatro; pela biomédica, terapeuta em biossíntese e pós-graduanda em psicossomática, Daniela Dutra; além de Zé Maria, bacharel em direto com formação em psicologia humanista, grupo operativo e terapia comunitária integrativa.

De acordo com Licko Turle, quando Augusto Boal desenvolveu a estética do oprimido, ele já imaginava que seríamos dominados pela imagem, palavra e som. E, segundo ele, este foi um elemento fundamental na aplicação do curso.

“A ideia foi devolver esse meio de produção para que o oprimido possa, através da sua própria estética, enxergar a realidade opressora em que está inserido e assim transformá-la a partir da sua perspectiva ideológica” comentou o idealizador do curso.

Teatro-fórum e Curinga

Este quarto módulo do curso abordou o Teatro-fórum, que é a técnica mais conhecida e utilizada no método do oprimido, praticada em mais de 80 países. Nesta técnica, o espectador é convidado pelo Curinga a entrar em cena, substituindo o protagonista "oprimido(a)" e a propor alternativas para a situação de "opressão" apresentada na obra.

O realizador do Curso, Licko, destacou que a função do Curinga é fundamental para que as regras e a dinâmica da técnica sejam seguidas pelo público. “Exercer esta função não é uma tarefa que possa ser executada sem um treinamento específico e ético”, disse.

Licko ainda continuou: “O módulo demonstrou alguns conceitos e práticas do Curinga desde a construção da dramaturgia, técnicas de ensaio e preparação dos atores e atrizes para o improviso, até chegar ao exercício da maiêutica. Discussões sobre corpo, política e sociedade foram analisadas esteticamente”.

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Edlamar de Jesus França, psicóloga e psicoterapeuta, já participou do Curso Teatro do Oprimido no Rio de Janeiro e o interesse em multiplicar a técnica fez com que ela retornasse ao programa, desta vez em Salvador.

“Eu procurei a formação do teatro do oprimido em Salvador por ser uma linguagem artística que me chamou muita atenção pela sua base política muito forte. Não é apenas um teatro representativo, implica na participação das pessoas. Pensar a vida como um palco, sendo puro teatro, e se a gente passa por situações que nos oprime, a gente pode ensaiar momentos que furem essas opressões’, finaliza.

Para Beatriz Moreira, oceanógrafa, a experiência foi incrível nos quesitos pessoal e profissional. “O teatro do oprimido vai contribuir na minha atuação com as comunidades tradicionais e quilombolas da Bahia e os conflitos que elas vivem, além dos meus particulares. No curso eu vi uma grande ferramenta de transformação e libertação para ser reproduzida”, disse.

dCurso Teatro do Oprimido

Augusto Boal (1931-2009) foi um dos dramaturgos e diretores de grande importância para a criação de um teatro genuinamente brasileiro e latino americano. No Teatro do Oprimido ele criou uma linguagem que pudesse traduzir a realidade do seu país, com um jeito brasileiro de falar, sentir e pensar.

O curso, que teve apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBa), foi dividido em quatro módulos práticos independentes, e realizado na Sala da Companhia de Teatro, no Teatro Castro Alves, no período de 6 a 31 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, com carga horária de 60 horas para quem praticou todo o conteúdo, ou 15 horas para cada módulo independente.

Foram ofertadas pelo Centro de Formação em Artes da Funceb cinco bolsas de 100% e 10 bolsas de 50% para candidatos que preencheram os requisitos estabelecidos pela coordenação do curso. Durante os quatro módulos foram capacitadas 68 pessoas de diversos lugares do mundo, que saíram do curso como novos multiplicadores do Teatro do Oprimido.

Fotos: João Vitor Soares
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