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06/04/2020 14:20

#PerfilDasArtes - Old Way, New Way ou Femme, Vogue é com Lucas Montty!

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Espaço já conhecido como local de aprendizagem, trocas de conhecimentos e porta de entrada para qualquer um que queira trilhar os caminhos da Dança, a Escola de Dança da Funceb é alicerce também daqueles que começaram a dançar por lá, e retornaram à casa para repassar os seus aprendizados. É o caso de Lucas Montty que aos 16 anos iniciou os estudos do movimento do corpo através de aulas e workshops na Escola que fica localizada no Pelourinho, um dos principais pólos culturais da cidade.

Agora, aos 19 anos, o soteropolitano retorna à casa para lecionar aulas de Vogue Femme nos Cursos Livres da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia. “Quando comecei a frequentar as aulas na Escola de Dança, acabou despertando em mim o desejo de ser professor e conhecer mais sobre a dança. Foi aí que resolvi pesquisar e aprofundar meus conhecimentos na arte”, conta Lucas.

Lucas atua profissionalmente na dança há pouco mais de três anos, e ele destaca a importância da dança em sua vida. “A dança para mim tem uma representatividade muito grande. Pois sou um homem gay, feminino, preto e tenho força para conseguir meus objetivos”, diz.


Feminilidade no corpo

jNa Escola de Dança da Funceb ele resolveu lecionar uma modalidade ainda pouco conhecida, a Vogue Femme. Segundo ele, a dança Vogue foi criada na década de 1960, e posteriormente houve a caracterização dentro da modalidade, que passou a ser dividida entre as nomenclaturas Old Way, New Way e Vogue Fem.

Segundo Lucas, o Vogue Femme foi originalmente criado pelo grupo Femme Queens, e é a fluidez em sua forma mais extrema, com movimentos femininos exagerados influenciados pelo ballet, jazz e dança moderna. “Gosto de trabalhar com a modalidade Femme pois ela traz a feminilidade no corpo. Com o Vogue Femme todo mundo pode jogar e brincar com o poder da feminilidade em nosso corpo”, revela o artista.

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Lucas Montty conta que se apaixonou pela modalidade através de vídeos na internet, então começou a pesquisar mais sobre gênero e buscou cada vez mais referências.  "Quando comecei a pesquisar sobre Vogue e entendi a história, a minha ficha caiu, percebi que tinha tudo a ver comigo”, conta. Em 2019, Lucas foi para Belo Horizonte estudar e profissionalizar-se na modalidade.   

A dança é composta por alguns elementos: "hands performance" (movimento de mãos), "catwalk" (passarela), "duckwalk" (andar agachado chutando os pés), "floor performance" (desempenho no chão) "dips" (mergulhos) , "drops" (quedas) e "spins" (giros). Sobre a Vogue Femme, o dançarino relata: “a modalidade ainda é bem discriminada e taxada como uma ‘dança qualquer’, então tento passar o maior respeito através dela".

Durante sua trajetória artística, Lucas já dançou com diversos artistas e cantores representantes LGBTQI+, como, Pabllo Vittar e Nininha Problemática. Atualmente, Lucas faz parte do Coletivo Afrobapho que é formado por jovens negros LGBTQI+, que utiliza as artes integradas como o canto, performance Drag e dentre outras ferramentas de mobilização social.

Fotos: Acervo Pessoal
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