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29/04/2020 09:00

#PerfilDasArtes - A acessibilidade nas artes ganha espaço com o coreógrafo e dançarino Edu O.

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 Natural da cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, o coreógrafo, dançarino e escritor, Edu O., de 43 anos, tem um currículo de tirar o fôlego, passando pela arte-educação, carreira internacional na dança, publicação de livros, além de carreira acadêmica. Edu Oliveira conquistou o respeito e lugar de destaque no campo da dança a partir de trabalhos artísticos, especialmente em Dança Contemporânea e Performance, mas sobretudo pelo seu discurso incisivo e articulado pela acessibilidade nas artes.

A  trajetória artística de Edu na dança iniciou no ano de 1998 com o Grupo Sobre Rodas…?. Já no ano seguinte,  ele ingressou no Grupo X de Improvisação em Dança, no qual atualmente é diretor, coreógrafo e intérprete-criador. Ele também integra o Coletivo Carrinho de Mão, onde desenvolve projetos voltados para o público infantil, além de desenvolver projetos independentes, como os espetáculos: Judite quer chorar, mas não consegue!; Odete, traga meus mortos; Ah se eu fosse Marilyn; O Corpo Perturbador; Bonito; Striptease-Bicho; e Kilezuuummmm.

É também autor dos livros "Dança como mediação educacional para diversidade e ações afirmativas I" (2018), "Elementos do Movimento na Dança" (2017), "Bonito" (2017), "Despertando Judites: experiências de criar e aprender danças com crianças" (2014) e "Judite quer chorar, mas não consegue!" (2013), este último publicado também como audiobook com narração da atriz Malu Mader. Em 2019, ele organizou junto com Fafá Daltro o “Livro do X”, publicação comemorativa aos 20 anos do Grupo X de Improvisação em Dança.

sDiversos espetáculos de Edu O. foram contemplados através de editais geridos pela Funceb, como o Quarta que Dança, Editais Setoriais, Salão de Artes Visuais e Kit Difusão de Teatro. Ainda nas artes cênicas, Edu Oliveira tem trabalhos como ator e autor de teatro e projeto em arte-educação, onde ministra oficinas de dança e artesanato para pessoas com deficiência.

Já tratando de sua trajetória acadêmica, atualmente Edu desenvolve pesquisa no Doutorado Multiinstitucional Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento (DMMDC), intitulada "Atração por um corpo perturbador: bipedia compulsória e seus mecanismos de poder, desejo e repulsa pela deficiência, na Dança”. Ele também é Mestre em Dança pelo PPGDANCA UFBA (2014), graduado em Artes Plásticas pela UFBA (2001) e Especialista em Arteterapia pela UCSal (2004). ​Atualmente, ele é professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia.


Internacionalização da carreira

A partir de 2004, Edu iniciou o o processo de internacionalização e realizou apresentações em diversos locais do mundo, como França, Inglaterra e China. Desde então, e até hoje, ele participa anualmente do intercâmbio cultural Euphorico, uma produção do Grupo X junto à Cie Artmacadam/França.

Em 2009, o dançarino integrou o elenco da Cie Kastor Agile/Lyon nos espetáculos Tempete 13º Sud, e em 2013, Cosme e Damião. Em 2007, participou também do espetáculo Joy Lab research, do coreógrafo americano Alito Alessi.

De junho de 2010 a a setembro de 2012, Edu participou do projeto Unlimited, da Candoco Dance Company-Inglaterra, para apresentações em Londres: Laban Dance Centre e Festival Unlimited - Queen Elizabeth Hall/Southbank Centre, sendo esta última em ocasião das Olimpíadas Culturais de Londres, e na China (Centro Nacional de Performance/Pequim e Shanghai Lyceum Theatre/Xangai).

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A dança como ação política

Pensando em sua trajetória, Edu Oliveira lembra de casos impactantes, mas que não fizeram diferença na sua persistência em buscar alcançar cada vez mais espaços, como quando uma empresa cancelou o convite ao Grupo X depois de produtores do evento identificaram que havia um dançarino deficiente no grupo.

"Como todo artista, enfrento a dificuldade na manutenção de meus projetos e nas incertezas de políticas públicas que garantam, efetivamente, uma produção continuada e financeiramente justa. Mas não desisto dos meus propósitos, acredito que precisei brigar muito para conseguir o reconhecimento do meu trabalho devido a minha deficiência", comenta o artista.

Edu O. finaliza: “Para mim,  a Dança é o espaço que encontrei para me colocar no mundo de maneira mais verdadeira e onde o meu pensamento sobre as coisas da vida se aprofunda e ganha força. Minha dança é uma ação política”.

Fotos: Brisa Andrade
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