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05/06/2020 12:10

#PerfilDasArtes - Do jornalismo cultural aos palcos de teatro, as artes cênicas oxigenam a vida do ator Gideon Rosa

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O currículo de Gideon Rosa é extenso. Afinal ele é ator, jornalista, bacacharel em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (1982) e Mestre em Artes Cênicas pela Escola de Teatro da UFBA (2006). “Eu amo me sentar numa plateia para assistir outro artista exercer o seu ofício, não importa a linguagem, seja dança, teatro, música. Eu penso que sou, sobretudo, um ouvinte” declara.

Gideon conta como iniciou sua carreira teatral: "Eu comecei na adolescência vendo Cleide Yáconis, Irene Ravache, ouvindo os novelões da Rádio Nacional. Fui empurrado para o teatro por um chamado de um artista fascinante, amigo de adolescência, chamado Ramon Vane. A entrada mesmo para o teatro profissional se deu em 7 de outubro de 1979, no palco do Teatro Castro Alves, com a peça 'Apesar de Tudo, a Terra se Move', com direção de Paulo Dourado".

Naquele mesmo mês, conta o ator, ganhou seu primeiro contrato, a convite de Jurema Penna, para integrar o elenco da quarta versão de "O Bonequeiro Vitalino". De lá para cá, são quase 55 peças teatro, alguns filmes (Central do Brasil, Mulheres do Brasil, Tieta, Orquestra de Meninos, Mulheres do Brasil) e incursões esporádicas na teledramaturgia (Marcas da Paixão, na TV Record; e O Compadre de Ogum, na TV Globo).

Em dezembro do ano de 2003 trabalhou com a empresa norte-americana Swen Enternaiment, no filme The Snake King, dirigido por Alan Goldstein. Seu último longa foi "Aos Ventos que Virão" (rodado em 2011), de Hermano Penna.

Carreira escrita

Durante anos, Gideon desenvolveu paralelamente a profissão de jornalista, cujo exercício diário abandonou em 1995 para se dedicar somente ao teatro. “Não imaginava isso, e nem mesmo sei como consegui entrar para o jornalismo porque o teatro me convocava o tempo inteiro”, revela.

De 1985 a 2012, Gideon também foi ator concursado da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, onde também coordenava um ciclo anual de leituras dramáticas.

Como autor, escreveu algumas peças para crianças encenadas nos anos 1980: Joãozinho e Maria, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela e Outros Truques (1981) e O Duende Mágico do Arco-Íris (1983), em todas elas a direção foi assinada por José Reynaldo. Em 1999, Gideon ainda escreveu e montou o espetáculo "Anjos no Espelho", em parceria com Tom Carneiro.

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Gideon Rosa e Harildo Deda em Fim de Partida (Foto: Divulgação)

Palcos e Premiações

Gideon Rosa tem trabalhado com os mais diversos autores brasileiros e estrangeiros, pertencentes a várias escolas. Para o texto "Na Solidão dos Campos de Algodão", de Koltès, ele se impôs o desafio de fazer uma nova tradução e convidar uma jovem diretora (Adelice Souza) para encenar o texto ao lado do ator Narcival Rubens.

"Interpretar o personagem 'Cliente' nesse espetáculo de Koltès foi um trabalho de construção minuciosa, que exigiu andar na contramão de tudo que eu já tinha feito antes", comenta Gideon. A atuação rendeu indicação ao prêmio de Melhor Ator em 2003, mesmo ano que foi indicado ao prêmio por sua composição de Bessemenov, no espetáculo Pequenos Burgueses.

"A peça  Pequenos Burgueses, de Gorki, foi outro desafio proposto pelo diretor Harildo Deda. Bessemenov é um presente desafiador para qualquer ator e, depois dele, um trabalhador do teatro obriga-se a mudar a perspectiva de sua trajetória”, revela o artista.

Em 2004, interpretou o personagem Marcos na peça ARTE, de Yasmina Reza, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator. Em 2006, interpretou a personagem de Samuel na peça "Mestre Haroldo...e os meninos", de Athol Fugard, com direção de Ewald Hackler, que ficou em cartaz até agosto de 2008.

No início de 2011, o ator estreou a peça "Fim de Partida", de Samuel Beckett, com direção de Ewald Hackler e ganhou sua oitava indicação ao Prêmio Braskem de Teatro pelo papel de Clov. Já em 2017/18 participou da montagem de "Tio Vânia" (Tcheckov) com direção de Gil Vicente Tavares.
 
Atualmente Gideon faz, voluntariamente, a coordenação artística da Casa de Cultura Jonas&Pilar, dentro do projeto sócio-cultural do Instituto Macuco Jequitibá, na cidade de Buerarema.

“As artes cênicas me fizeram, afinal, é por causa delas que eu caminhei bem no jornalismo cultural. Foi uma descoberta, um caminho que me permitiu unir as duas coisas, posso dizer que, mesmo quando os caminhos foram tortuosos, eu devo o que ainda sou às artes cênicas, é um movimento dentro de mim, uma onda que me garante uma certa qualidade de vida. Estar em cena, seja em que linguagem for, me oxigena a alma, o viver”, finaliza o artista Gideon Rosa.
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