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07/08/2020 14:20

#PerfilDasArtes – Trajetória de inspiração e motivação no teatro com Romualdo Lisboa

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Com apenas oito anos de idade, ele descobriu que queria fazer teatro. Romualdo Lisboa, natural de Ibicaraí, pequena cidade do Sul da Bahia, percebeu que gostava de teatro quando começou acompanhar o tio, Giovaldo Gil, nos ensaios da peça de teatro "Calabar: o elogio da traição", de Chico Buarque e Ruy Guerra.

“No elenco, também estavam Ramon Vane e Jackson Costa. Eu era apenas um menino vendo um espetáculo ser montado. Quando vi, já estava em cena em Stanislau e o Lobo”, relembra o artista.

Alguns anos depois, Romualdo se mudou para o município de Ilhéus. “Quando cheguei em Ilhéus já estava com 11 anos de idade. Não tinha ideia do movimento de teatro existente ali. O padre Joelson Dias, diretor teatral, me convidou para uma performance, e depois disso não parei mais”, conta o ator.

Entre idas e vindas, Romualdo passou a se envolver cada vez com a arte e a se profissionalizar no teatro. “Em 1995, há 25 anos, fiz meu primeiro espetáculo como profissional do teatro: 'Amor por Anexins', de Artur Azevedo, com direção de Pedro Mattos”, relembra.

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"Amor por Anexins" de 1995 (Foto: Divulgação)

No mesmo ano, Romualdo Lisboa conta que conheceu Échio Reis, o mesmo que na década de 1960 fundou com João Augusto, e outros artistas, o Teatro Vila Velha. Échio foi responsável, junto com Romualdo, Tânia Barbosa, Franklin Costa, Adelson Costa, Val Kakau e Tereza Damásio, pela fundação do Teatro Popular de Ilhéus, que completa 25 anos de atuação ininterrupta, neste 2020. "O Teatro Popular de Ilhéus é a minha carreira como ator até 2001, e como diretor e dramaturgo a partir daí, quando Équio morreu", conta o ator.

Filósofo por formação, Romualdo revela que é um contínuo estudante de filosofia por opção. “Eu não sei se escolhi o teatro, ou se ele me escolheu. Não consigo imaginar minha vida fora da sala de ensaio, longe dos treinamentos e sem a relação vital com o público”, enfatiza Romualdo.

“Não é fácil viver de teatro no Brasil. Nunca foi, mas nos últimos anos tem sido um treinamento de guerrilha. Junto com minha companheira, Tânia Barbosa, atriz e diretora teatral, conseguimos construir uma família com dois filhos, e muitos amigos e parceiros de vida. Desde 1995 o nosso trabalho é o teatro”, revela.

Embora praticar teatro no país seja um trabalho árduo e difícil, Romualdo aconselha a não desistir e se aventurar durante o caminho. “Viver do teatro exige uma opção de vida de muito trabalho e resiliência. Quem quiser se aventurar neste caminho, precisa estudar muito e aprender a viver na precariedade. O teatro brasileiro vive precariedade de políticas públicas, de investimentos, de compreensão de sua dimensão. Ainda assim, vive!”, avalia o artista de teatro Romualdo Lisboa.
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