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17/09/2021 11:30

#PPV - Premiado na categoria "Questões Históricas", Washington da Selva fala sobre suas inspirações para o ensaio "Lastro"

d"Lastro é uma reconstrução de imagens que são constantemente inferiorizadas, apagadas e vagamente discutidas", revela o artista visual Washington Antônio da Silva, conhecido como Washington da Selva, premiado com o ensaio "Lastro" na categoria "Questões Históricas" da 8ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Funceb. A série Lastro (2019) nasceu de uma pesquisa na qual Da Selva buscava imagens relevantes à uma construção autoetnográfica, e pela falta de presença de imagens que rememoram o trabalho de seus familiares como agricultores, recorreu a acervos digitais nacionais de arquivo fotográfico.

"Buscava por representações de trabalhadores rurais empunhando instrumentos de trabalho como: enxada, pá, saco, rastelo, peneira, roçadeira, entre outros. Ferramentas que indicam um modelo de trabalho em que, em sua maior parte, era utilizada a força dos braços e das mãos. Como técnica de impressão, utilizei solvente para transferir as imagens manualmente para 55 cupons termodinâmicos de registro de ponto do trabalhador que tenho guardados do meu último emprego. Manipular o líquido químico do solvente permitiu criar interferências entre a imagem e os comprovantes, de forma que criou-se o efeito de uma paisagem em dissolução, apagamentos e manchas que concedem um ar de toxicidade para a imagem – que seria ainda um elemento presente em memória, na qual os odores de agrotóxicos em plantações, assim como o solvente utilizado, chegam a corroer as vias respiratórias ao se inspirar a atmosfera desse ambiente rural. Tais gestos criaram uma ecologia que me permitiu trazer presente os lastros dessa paisagem", conta o artista visual Washington da Selva.

wPara a exposição física e coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, Da Selva vai expor uma montagem especial que está sendo conversada com a curadoria, "serão 55 cupons termodinâmicos, sensíveis à luz, que desaparecem a cada exibição", explica. Sobre a participação na premiação, ele relata: "Como pessoa, sinto-me honrando a memória daqueles que lavoraram sob o sol. Enquanto pesquisador e artista, que caminha para diferentes técnicas e áreas do conhecimento, ser um dos três artistas premiados por um dos maiores prêmios nacionais em arte, faz-me sentir parte da construção da história do país".

Sobre o artista - Washington da Selva é graduado no Bacharelado Interdisciplinar em Artes e Design e mestrando em Artes Cultura e Linguagens na Universidade Federal de Juiz de Fora. Já realizou exposições em locais como Galeria Casa-sede do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, no Fórum de Ciência e Cultura - UFRJ e no Museu de Arte Murilo Mendes - MAMM.

"A possibilidade de poder colocar este trabalho para circular, é a possibilidade de colocar em pauta narrativas que são invisibilizadas por questões sociais, raciais e geográficas. Acredito, sobretudo, nas histórias e experiências que tenho para compartilhar, histórias que atravessam um Brasil do interior do Cerrado, onde pessoas foram deslocadas e cresceram quase anônimas, quase sem cultura, quase sem dança, quase sem esportes, quase sem brincadeiras, quase sem cantos, quase sem identidade. 'Quases' que se atualizam constantemente ao me deslocar e carregar estes lastros pela terra", finaliza o artista visual.

Acesse aqui um vídeo-processual que dialoga com a obra: https://www.youtube.com/watch?v=Dp1YdPVEUeQ

Exposição Física - A exposição física acontecerá no Palacete das Artes de 04 de novembro de 2021 (nascimento de Pierre Verger) a 30 de janeiro de 2022 e estará aberta para visitação pública, com entrada gratuita e sujeita aos protocolos sanitários decorrentes da pandemia. Fruto da parceria entre a Funceb e a Aliança Francesa Salvador, os premiados também recebem bolsas de estudo integral no curso de Francês oferecido pela Aliança.
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