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08/11/2019 09:00

#PPV – O carioca Felipe Fittipaldi retrata as belezas de emigrantes senegaleses no Brasil

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“O investimento de africanos na vinda para o país provoca a ressignificação da cultura brasileira”, aponta o fotógrafo Felipe Fittipaldi. Interessado pelo tema das emigrações, o artista elaborou um ensaio sobre a presença de senegaleses no Rio de Janeiro e recebeu a menção honrosa do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, organizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. 

Morador do Leme, bairro carioca próximo a praia, Felipe passou a observar a frequência de africanos trabalhando cada vez mais no mercado informal. “Eles se destacam pela forma de se vestir, de andar, o modo com que conversam e ofertam os produtos ao público, além de terem uma beleza marcante”, ressaltou Felipe.

A curiosidade do artista em conhecer essas histórias permitiu que descobrisse a existência de comunidades senegaleses que ocupam as regiões do sul e sudeste brasileiro, representando o segundo maior fluxo emigratório. “A taxa de desemprego em Senegal é bastante alta, aproximadamente 70% da população vive de trabalhos informais, uma das principais influências da emigração”, interpreta.

“O Brasil tem políticas de hospitalidade muito atraentes, ainda que atualmente seus habitantes sejam hostis com o tema das emigrações”, reflete Felipe. Para o fotógrafo, nos últimos cinco anos, a presença de senegaleses têm gerado transformações no bairro do Leme. “A chegada destes imigrantes vem alterando não só a cara do lugar, mas como culturalmente se estabelecem as relações”, explica o fenômeno que lhe inspirou a submeter seu trabalho ao Prêmio Pierre Verger.

Documental contemporâneo

s“Conversando com eles, descobri que existe um investimento familiar para custear a viagem de um dos membros que irá trabalhar no mercado informal para sustentar a família à distância”, descreve o fotógrafo. Boa parte dos senegaleses no Leme é de muçulmanos, o que tornou as abordagens fotográficas mais difíceis. Ainda assim, o fotógrafo conseguiu criar vínculos para a execução. 

Há dois anos trabalhando no projeto “Senegal-Rio”, Felipe criou um set improvisado na praia objetivando aproximar a imagem dos vendedores às capas de revistas de moda. “Trouxe uma estética de publicidade, pois achava a imagem deles digna de uma capa da revista como a Vogue, por exemplo. “Caracterizo meu ensaio como documental contemporâneo”, define. A obra foi inscrita na categoria 2 - Fotografia Documental e integra a exposição coletiva e o catálogo da sétima edição do prêmio.  

“Esse ano as questões migratórias ganharam atenção e o prêmio veio para salientar a necessidade desta discussão por meio da arte”, analisa o fotógrafo. Receber a menção honrosa deixou o fotógrafo orgulhoso: “fico feliz de entrar para a história do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger pela dimensão e valor que ele tem, e também por possibilitar que possamos tocar mais pessoas com o que estamos produzindo”, ressaltou.

Conheça mais das obras de Felipe Fitipaldi pelo site e no Instagram.

Visitações
 
Até o dia 24 de novembro, as obras selecionados pelo Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger podem ser vistas de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes (Sala Mário Cravo Júnior), no bairro da Graça, em Salvador.
 
Serviço:
 
Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Gratuito
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